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Crescimento exagerado ameaça Fast Retailing

As acções da empresa de vestuário japonesa Fast Retailing – detentora da marca Uniqlo – desceram recentemente, o que significa que, apesar da sua atractiva avaliação de mercado e da grandiosa margem de lucro, a sua velocidade de crescimento pode estar a abrandar. Contudo, o retalhista que apresenta a marca de baixos preços através das suas 520 lojas, irá atraír de novo investidores se o seu primeiro lançamento para o exterior (Londres) provar ser uma aposta rentável e bem sucedida, dizem os analistas. “A Fast Retailing desenvolveu-se bem através da sua crescente imagem, mas está a tornar-se claro que a empresa está a perder velocidade, a entrar numa fase mais estável e a tornar-se mais parecida com uma companhia normal», afirma Hiedo Ueki, director executivo na UBS Asset Management, no Japão. “Muitos investidores estão a provocar a descida das acções da Fast Retailing pois pensam que o crescimento irá abrandar muito rapidamente. Normalmente, se o crescimento começa a abrandar, abranda muito rapidamente para os retalhistas”, diz Jeremy Tonkin, um analista na Commerz Securities no Japão. Os analistas concordam que de forma alguma a Fast Retailing – cujos lucros líquidos deverão subir 74% até ao final de Agosto, o que demonstra um aumento de 400% em relação ao ano anterior – conseguirá manter este ritmo de crescimento meteórico. “Não existe razão para a Fast Retailing ser vendida em bolsa assim tanto. Ainda tem potencial de crescimento”, acrescenta Hidehiko Aoki, analista da Goldman Sachs. A sua quota de 5 a 6% no mercado japonês de casual-wear tem espaço para se expandir ainda mais, tendo já em conta a quota de 7% detida pela americana GAP no seu mercado e os 12% detidos na Suécia pelo retalhista Hennes & Mauritz (H&M), adianta Aoki. “A Gap está a lutar com fortes rivais nacionais como a Limited Inc, e mesmo assim mantém 7%. A Fast Retailing praticamente não tem rivais no Japão. Não tem nenhuma ameaça real”. O seu rigoroso controlo de custos e qualidade de material que chega até às lojas, permite à Fast Retailing alcançar margens de lucro incomparáveis. A margem operacional da empresa fixa-se nos 26%, de acordo com a Reuters Securities 3000, o que significa que gera 26 ienes de lucro operacional por cada 100 ienes de produtos vendidos. Isto comparando com os 10% da Gap e os 12% da H&M. “Eu nunca vi nada assim, mesmo entre os retalhistas de casual-clothes no ocidente. Este deve ser o recorde mundial”, afirma Takayuki Suzuki, um analista na Merril Lynch. A empresa japonesa pretende estabelecer ligações com os grandes retalhistas internacionais neste Outono através da abertura da sua loja em Londres. Os especialistas dizem que isso daria à empresa uma oportunidade para restabelecer a confiança dos investidores. “Se as novas lojas mostrarem sinais de sucesso tal como grandes filas de consumidores à porta, os investidores no Reino Unido e na Europa continental vão começar a comprar” diz o analista da Merrill Lynch. A Fast Retailing foi forçada a limitar o número de consumidores na sua loja no centro de negócios Harajuku, em Tóquio, durante quase um ano, depois da abertura em 1998 quando os consumidores fizeram as compras de shopping parecerem uma viagem de comboio na hora de ponta. O acesso limitado acabou por atrair mais clientes e ajudou ao lançamento do nome da marca Uniqlo. Os analistas acreditam que a Fast Retailing ainda vai enfrentar grandes desafios em Inglaterra, onde poucos retalhistas japoneses foram bem sucedidos a longo prazo, mas os seus preços competitivos poderão ajudar a empresa a assegurar uma posição firme em solo estrangeiro. Um estudo feito no início deste ano pela Goldman Sachs mostrou que as conhecidas t-shirts e calças de ganga da marca, têm preços bem mais baixos dos que são praticados pelos seus potenciais concorrentes em Londres, incluindo a Gap e a H&M, mesmo tendo em conta o grande consumismo britânico e os impostos acrescentados aos produtos na Grã-Bretanha. “A Fast Retailing terá que construir infra-estruturas. Mas os seus pontos fortes – a qualidade e o preço dos produtos – são facilmente exportados”, adianta o estudo da Goldman Aoki.