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Crescimento no horizonte

A economia americana contraiu no primeiro trimestre, ainda que superando as estimativas iniciais, em consequência do clima desfavorável, da valorização do dólar, dos cortes operados no sector da energia e das interrupções nos portos da costa oeste do país, mas o futuro avizinha-se risonho.

O crescimento recuperou no segundo trimestre, depois das consequências nefastas das quedas de neve, excecionalmente vigorosas, e do litígio portuário se terem esbatido nos EUA. Os retalhistas do país registaram vendas sólidas em maio e os empregadores intensificaram o processo de contratação.

O mercado da habitação americano está, também, mais forte e o sector da produção começa a estabilizar. A reafirmação da economia poderá encorajar a Reserva Federal a elevar os juros ainda este ano. O Departamento de Comércio americano anunciou recentemente que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional contraiu a uma taxa anual de 0,2% no trimestre janeiro-março, ao invés do ritmo de contração de 0,7% registado no mês anterior. Um ritmo significativamente acelerado dos gastos dos consumidores e a acumulação de inventários superiores ao inicialmente estimado contribuíram para uma revisão superior do PIB. As despesas de investimento em negócios foram menos frágeis em comparação com o estimado pelo governo no mês passado.

«Estas revisões têm um impacto marginalmente positivo sobre a nossa visão do segundo trimestre. A procura ainda é sólida, mas o ajustamento da valorização do dólar não seguiu o seu caminho», afirmou Nariman Behravesh, economista da firma IHS em Lexington, no estado do Massachusetts. Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da atividade económica dos EUA, aumentaram a um ritmo de crescimento de 2,1%, face à taxa de 1,8% relatada em maio.

Com mais americanos a auferirem rendimentos e um mercado de trabalho em retração, finalmente, a estimular um maior crescimento salarial, os gastos dos consumidores poderão aumentar no segundo trimestre. Os gastos poderão, também, ser impulsionados pelo crescimento da riqueza das famílias, acompanhando a aceleração dos preços dos imóveis. As poupanças pessoais aumentaram a um ritmo sólido de 720,2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre. Embora o crescimento das exportações tenha sido revisto por acréscimo, foi compensado por uma revisão superior das importações, resultando num défice comercial ainda significativo, que subtraiu quase 2 pontos percentuais ao PIB.

Força subjacente
A economia americana cresceu a uma taxa de 0,2% no início do ano, seguindo-se à expansão a uma taxa de 2,2% assinalada no quarto trimestre de 2014. As estimativas de crescimento para o segundo trimestre situam-se entre os 2% e os 3%. No entanto, a queda assinalada no primeiro trimestre relativa aos outputs, não reflete verdadeiramente a saúde da economia.

Diversos economistas acreditam que o modelo usado pelo governo americano na mitigação das flutuações sazonais contribuiu para a quebra do resultado do PIB. O governo afirmou no mês passado estar ciente do potencial problema e estar a trabalhar para solucioná-lo quando publicar as revisões anuais do PIB em julho. «Não acreditamos que a atividade económica tenha estagnado no primeiro trimestre. Outros dados sobre os mercados de trabalho são mais consistentes com um ritmo modesto da atividade económica», advogou Michael Gapen, economista do Barclays em Nova Iorque. No ano passado, o PIB cresceu 2,9%.

Quando aferida na perspetiva dos rendimentos, a economia expandiu a uma taxa de 1,9% no primeiro trimestre, em vez do ritmo anteriormente reportado de 1,4%. O crescimento da procura doméstica foi revisto em quatro décimos do ponto percentual, fixando uma taxa de 1,2%. Os economistas estimam que as quedas de neve excecionalmente vigorosas em fevereiro subtraíram, pelo menos, um ponto percentual ao crescimento. A valorização do dólar e os preços mais baixos da energia representaram um impedimento aos gastos das empresas e fábricas, com a produção industrial simultaneamente reduzida pela disputa laboral nos portos americanos.

As empresas acumularam mais 4,5 mil milhões de dólares em inventário do que inicialmente estimado no primeiro trimestre, o que poderá significar que têm agora poucos incentivos para continuarem a somar inventário no trimestre atual. Os inventários corresponderam a 0,45 pontos percentuais do PIB, ao invés do previamente estimulado, que fixavam essa representação em 0,33 pontos percentuais. Os inventários poderão ser um impedimento ao PIB no segundo trimestre. A flutuação do dólar também afetou os lucros corporativos depois de impostos, que ficaram aquém do resultado inicialmente estimado. Os lucros após impostos foram revistos, denotando uma quebra de 8,8%, superando a diminuição de 8,7% adiantada em maio.