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«Crescimento verde continua a ser a melhor estratégia»

Mais de 150 empresas, incluindo a H&M, Burberry, Inditex e, YKK Corp uniram-se para apoiar uma declaração das Nações Unidas, que apela aos Governos para ajudarem na recuperação económica pós-pandemia regendo-se pela ciência climática mais avançada.

As empresas que apoiam a declaração e que, em conjunto, possuem uma capitalização de mercado superior a 2,4 biliões de dólares (2,18 biliões de euros) e representam mais de cinco milhões de trabalhadores, querem que sejam implementadas políticas que aumentem a resiliência contra impactos futuros ao unirem esforços para manter o aumento da temperatura global dentro de 1,5ºC, um valor acima dos níveis pré-industriais, o que suporta a meta de reduzir as emissões líquidas para zero até 2050.

A declaração das Nações Unidas surge numa altura em que os Governos a nível mundial estão a preparar pacotes de estímulos de biliões com o objetivo de apoiarem a retoma da economia, depois dos efeitos causados pelo novo coronavírus, bem como submeter planos climáticos nacionais otimizados ao abrigo do Acordo de Paris, avança o just-style.

António Guterres

«Salvar vidas e meios de subsistência e construir um futuro próspero, sustentável e inclusivo estão no centro dos nossos esforços para recuperar do Covid-19. Podemos vencer o vírus, enfrentar as mudanças climáticas e criar novos postos de trabalho com ações que nos movam da economia cinzenta para a economia verde», afirma António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. «Muitas empresas estão a demonstrar que é de facto possível e rentável adotar planos de redução de emissões sustentáveis mesmo em tempos difíceis como estes. Eu recebo com agrado as ações ambiciosas baseadas na ciência que estamos a ver nas empresas líderes que querem demonstrar aos decisores políticos que o crescimento verde continua a ser a melhor estratégia de crescimento», acrescenta.

As 155 empresas signatárias já estabeleceram ou comprometeram-se a criar metas de redução de emissões com base nos avanços na ciência climática. Ao assinar a declaração das Nações Unidas, as empresas estão a reiterar que as suas decisões e ações serão regidas pela ciência, enquanto apelam aos Governos para «priorizar uma transição mais justa e mais rápida da economia cinzenta para a economia verde».

Trabalhar em comunidade

«Os Governos têm um papel fundamental para desempenhar ao alinhar as políticas e os planos de recuperação com a mais recente ciência climática, mas eles não podem conduzir uma transformação socioeconómica sistémica sozinhos. Para responder à crise interligada que enfrentamos, temos de trabalhar juntamente como uma comunidade internacional para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris», assegura Lila Karbassi, chefe de programas do Pacto Global das Nações Unidas. «Essas empresas estão a conduzir o caminho para ações ambiciosas baseadas na ciência que ajudam a reduzir a vulnerabilidade perante futuros choques e desastres», sublinha.

Helena Helmersson

O objetivo da H&M é tornar-se climaticamente positivo até 2040 em toda a cadeia de valor, desde as plantações de algodão às máquinas de lavar e contentores de reciclagem dos clientes. Como parte da declaração das Nações Unidas, o grupo sueco pretende continuar a demonstrar que as melhores ações e decisões se fundamentam na ciência, investir na resiliência e recuperação para uma transformação socioeconómica sistémica e trabalhar com os Governos para alargar o movimento. «É nestas situações sem precedentes, como a da pandemia atual, que vemos como a saúde humana está ligada à saúde do planeta. Temos a oportunidade de reconstruir verdadeiramente um futuro melhor e, ao fazê-lo, precisamos garantir que as medidas de recuperação que adotarmos hoje não prejudicam o nosso planeta», admite Helena Hermersson, CEO da H&M. «Agora é mais importante do que nunca que as empresas e os Governos mostrem liderança nos seus compromissos de ação climática e que assumamos a responsabilidade em conjunto», reconhece.

O apelo ambiental às empresas surge como uma atualização da “CEO Agenda 2020” da Global Fashion Agenda (GFA), para que os modelos de negócio da indústria passem a colocar a temática da sustentabilidade no centro das prioridades, de forma e reconstruir negócios sustentáveis e resilientes no pós-pandemia.