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Criança cresce na A. Ferreira

Dividida essencialmente entre a produção de mantas e de vestuário de criança, a A. Ferreira tem vindo a crescer com o universo infantil, sobretudo com a marca própria Wedoble, cuja reputação tem conquistado os pais portugueses mas também italianos, espanhóis e britânicos.

Em pouco mais de 15 anos, a marca própria, fundada em 2003, representa cerca de 40% do volume de negócios da A. Ferreira & Filhos e não deve parar por aqui. «Queremos chegar aos 50%», afirma, ao Portugal Têxtil, Noël Ferreira, administrador da empresa familiar.

O sucesso da marca própria, focada sobretudo nos primeiros anos de vida da criança, explica-se pelo cuidado com as matérias-primas e com as técnicas usadas na confeção, nomeadamente as peças sem costura, uma área em que a A. Ferreira se distingue e em que continua a investir. «Ultimamente o maior investimento que temos feito é no domínio da peça sem costura», confirma o administrador, acrescentando que, em 2018, a empresa investiu 200 mil euros em maquinaria para esse efeito.

Itália é, atualmente, o mercado mais forte para o negócio de vestuário de criança, seguida de Portugal. «O nosso produto é muito bom e muito bem percecionado pelos italianos, que têm um gosto apurado», refere. Com a Wedoble, a A. Ferreira marca presença também no Reino Unido e em Espanha e, em menor grau, na Polónia e nos EUA, onde está a dar os primeiros passos. «Os EUA são enormes e os americanos são diferentes, mas o nosso produto agrada a uma certa faixa de americanos na zona de Nova Iorque, por exemplo», explica Noël Ferreira. A margem de crescimento é, por isso, substancial. «Só Nova Iorque tem mais habitantes que Portugal», aponta.

Vestuário mais dinâmico

Além da Wedoble, a A. Ferreira, que em 2018 cresceu e superou os 4 milhões de euros de volume de negócios, produz, em private label, vestuário em malha, para criança, homem e senhora, e mantas – que constitui a maioria da produção. «As mantas não evoluíram muito em 2018, fez parte da crise no último trimestre do ano, mas estamos bem. Temos conseguido manter a generalidade dos clientes, há uns que saem e outros que aparecem, mas basicamente está mais ou menos igual ao ano anterior», afirma o administrador.

Para manter um interesse renovado no produto, a A. Ferreira conta com uma designer dedicada ao desenvolvimento de mantas «e estamos sempre a inovar com novos pontos», garante Noël Ferreira. A isso soma-se a atenção às tendências internacionais, nomeadamente com a incorporação de matérias-primas mais ecológicas. «O que queremos é receber fornecedores que tenham esse lema, porque só fazemos se houver matéria-prima. E vai havendo – não só orgânico, mas também reciclados, como algodão reciclado e fibras sintéticas recicladas», enumera o administrador.

Para 2019, há alguns sinais de abrandamento no mercado. «Houve menos procura no final do ano, notou-se bem», assume Noël Ferreira. «Há um sintoma muito engraçado: quando as coisas estão mal, recebo muitos contactos do Bangladesh a oferecerem produto. É um dos sintomas», acrescenta.

Esse abrandamento sentiu-se em alguns mercados, como o Reino Unido. «Espanha cresceu, o Reino Unido desceu. Não sei se é do Brexit. Há quem fique contente porque há ingleses que estão a comprar antes que venha o Brexit, mas connosco não aconteceu», confessa o administrador, que, no entanto, tem uma perspetiva positiva em relação ao mercado britânico. «O inglês vai continuar a consumir, a não ser que de repente fique pobre. Por isso temos de ver se continuamos a ser o fornecedor, até porque Portugal é muito importante para o Reino Unido em termos de fornecimento», destaca.

Quanto às expectativas no geral, Noël Ferreira acredita num ano a duas velocidades, apesar dos prognósticos, neste caso, serem feitos apenas depois das férias. «Quando há uma tendência, tanto para subir como para descer, é em setembro que se nota mais», refere. Ainda assim, o administrador da A. Ferreira arrisca afirmar que, «pelos contactos que tenho, sinto que o private label de knitwear pode subir».