Início Notícias Marcas

Criança resiste e até cresce

Com exceção da moda de cerimónia, as empresas que se dedicam a vestir os mais pequenos parecem ter conseguido aguentar melhor o embate da pandemia, em parte graças às marcas próprias e à aposta online.

A KiddyTex é um desses exemplos de um negócio que nunca parou, nem mesmo durante o confinamento. A empresa, que detém a marca Caracol, conseguiu manter-se a trabalhar graças a uma estratégia de acumulação de stocks de matérias-primas que lhe permitiu responder às encomendas. «Quando começámos a ver os primeiros sinais de pandemia e a fecharem os mercados externos, apostámos em armazenar o mais possível todos os materiais que sabíamos que íamos precisar nos seis meses seguintes», conta Isabel Queirós Ribeiro, responsável pela produção e design da KiddyTex.

Além dos stocks, a organização e flexibilidade da empresa, que emprega 30 pessoas, foi também fulcral, considera. «A elasticidade a que fomos obrigados trouxe-nos ensinamentos e mostrou-nos que, mesmo não havendo pandemia, temos que ser muito ágeis», afirma ao Jornal Têxtil.

Ainda assim, a KiddyTex, que em private label faturou cerca de 500 mil euros em 2019, teve de pôr em espera o desenvolvimento da marca própria. «A Caracol ficou em stand by quando já devia ter começado no início deste ano», indica a responsável.

Isabel Queirós Ribeiro (Kiddy Tex)

«Neste momento, a Caracol está para arrancar outra vez e vamos ter novidades. Contratámos mais uma pessoa para a área de estilismo e vamos ver se já conseguimos participar em feiras», revela Isabel Queirós Ribeiro, acrescentando que a marca tem já um website online e que, apesar de não ser um foco, durante este período registou mais vendas. «O canal online compensou porque não notámos quebra», explica.

Quem também não sentiu quebras foi a Meia Pata. A especialista em meias para criança, cuja marca epónima ocupa toda a produção, tem mesmo estado a crescer nos últimos nove meses. «Não parámos, abrimos mercados, nos mercados onde estamos tivemos crescimento, portanto vamos nesse sentido», justifica Diogo Marques, responsável pelo departamento de internacionalização da marca. Ainda assim, sublinha, «íamos crescer muito mais. Em 2020, segundo as nossas expectativas, íamos atingir um milhão de euros de faturação. Devemos estar mais ou menos nos 700 mil euros e iríamos crescer um pouco mais, mas as vendas pararam em alguns países em fevereiro e no início de março».

Diogo Marques (Meia Pata)

A empresa, que exporta 70% da sua produção, com destaque para Inglaterra e Itália, tem conseguido entrar em novos mercados, como é o caso da Colômbia e, mais recentemente, dos EUA. «Queremos ir para mais mercados, mas de forma sustentada e crescer de forma sustentável: o crescimento tem de ser proporcional à capacidade de entrega», assegura Diogo Marques.

Já depois do confinamento esteve presente na Supreme Kids, em Munique, no Modtissimo, no Porto, e participa na versão digital da Playtime, onde tem registado «muita procura». O comércio eletrónico tem sido, de resto, uma aposta da Meia Pata, mas na versão B2B. «Nos planos a curto prazo estamos a desenvolver o B2B, a nossa plataforma online de vendas, para ter os nossos catálogos online e os nossos clientes poderem entrar no site e fazer as compras. Vamos também continuar a apostar na Playtime no mercado virtual, com os agentes a fazerem o trabalho de campo em cada um dos mercados», adianta.

A Peter Jo Kids, por seu lado, teve uma boa experiência com as vendas digitais neste período. «Correram muito melhor do que é normal, aumentaram», confirma Ana Sheludko, que embora refira que «ainda é cedo para avaliar» o volume de negócios de 2020, até porque as vendas da coleção de verão estão mais atrasadas do que o habitual e ainda a chegar, «por causa das vendas online não perdemos as quantidades que podíamos ter perdido». Os clientes habituais também continuaram a comprar. A dificuldade foi mesmo expandir e chegar a novos clientes, nomeadamente no mercado alemão, onde a marca vocacionada para o vestuário ecológico de menina está atualmente focada. «As lojas continuam a comprar aquilo que conhecem. Por causa disso é que fomos à Supreme Kids [em Munique] para tentar ganhar mais clientes», elucida.

Ana Sheludko (Peter Jo Kids)

A impossibilidade de fazer feiras foi, aliás, o maior entrave ao crescimento e, como tal, a estratégia passará por manter a presença nos diferentes mercados. «As feiras não vão acabar», acredita e, por isso, «vamos continuar com a presença física na Supreme Kids na próxima edição e, se houver outras feiras, também vamos escolher», garante.

As feiras fazem também habitualmente parte da estratégia da Ponto por Ponto, nomeadamente a Fimi, mas, nos últimos seis meses, a empresa especializada em vestuário de cerimónia sofreu bastante com o cancelamento dos eventos e consequente perda de encomendas. «Como a pandemia veio em março, estragou-nos o ano por completo», assume Sílvia Marques, uma das sócias da empresa familiar.

As quebras devem ascender a 50%, apesar da retoma que se começa a sentir, sobretudo em Itália. «Foi uma surpresa. No pós-confinamento, o nosso agente começou com encomendas de verão, mas também com muitas repetições de inverno, que acabámos de entregar. Itália está a mexer muito bem, em Espanha também tenho vários clientes a fazer reposições», enumera.

Sílvia Marques (Ponto por Ponto)

Com 70% a 80% das vendas concentradas em Portugal, é nos mercados externos que a Ponto por Ponto se deverá concentrar. «Há uns contactos para os Emirados Árabes Unidos e para a Irlanda», desvenda Sílvia Marques. Entretanto, e entre produções da marca própria e de private label, a confeção de batas cirúrgicas e de máscaras reutilizáveis vão ocupando os 13 trabalhadores, que estiveram em lay-off durante quatro meses, no período mais crítico. «Vamos continuar com as batas, com as repetições que há e à espera dos pedidos, além dos que já recebemos de Itália, para o verão de 2021, para começar a comprar tecidos e a fabricar», assevera a sócia da Ponto por Ponto.