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Crispim Abreu reforça sector algodoeiro

A capacidade produtiva de algodão da Crispim Abreu, resultante do projeto que tem em parceria com a Mundotêxtil, tem vindo a aumentar, com melhorias quer na cultura da fibra, quer na sua fiação em Moçambique.

João Abreu

O projeto, que tem uma década de existência, «melhorou bastante a nível operacional e de qualidade», afirma João Abreu, diretor-geral da Crispim Abreu. A iniciativa, uma parceria com a produtora de felpos Mundotêxtil, tem vindo a expandir-se a nível produtivo. «Aumentámos a capacidade porque temos agora, para além da fiação convencional, uma fiação open-end. A nossa capacidade de produção é de cerca de 350 toneladas por mês», revela ao Jornal Têxtil.

Isso tem igualmente permitido melhorar os rendimentos e as condições de vida da população, já que no total emprega mais de 400 pessoas localmente. «Desde logo é das atividades com maior capacidade de distribuição de rendimento, porque abrange muita gente. Estamos a falar de programas que são feitos com muitas famílias, com muitos camponeses, e que permitem uma redistribuição de rendimentos ali na zona, uma fonte de rendimento para essas pessoas. Penso que têm sido inúmeras as vantagens para o país a esse nível», acredita João Abreu.

Além deste projeto, a empresa especializada em vestuário e têxteis-lar em malha tem efetuado investimentos contínuos «na redução da pegada ecológica, na redução de consumos e na redução de emissões», enumera João Abreu. Exemplos disso são os painéis fotovoltaicos que instalou – e que agora irá expandir, para «conseguirmos ter uma maior autonomia», sublinha o diretor-geral –, mas também «a substituição de máquinas alimentadas a gás por máquinas alimentadas a energia elétrica e uma série de outros automatismos para reduzir consumos. Tudo aquilo que seja monitorização dos defeitos para reduzir também a produção de defeitos, são o tipo de investimentos que uma fábrica como a nossa tem feito», indica o diretor-geral.

Funcionalidade transversal

A preocupação com a sustentabilidade está ainda embebida nas propostas da empresa, que para o outono-inverno do próximo ano, apresentadas na mais recente edição da Première Vision, apostou igualmente na funcionalidade. «Nesta coleção, os pontos fortes são as funcionalidades nas malhas, introduzir um bocadinho aquilo que já se vinha a fazer para o activewear, mas para a moda, para além daquilo que já vinha sendo hábito, que eram os reciclados e as fibras naturais. A senda tem sido sempre a mesma, a sustentabilidade já não é propriamente uma novidade, o que tentamos aliar agora é a tecnologia e as funcionalidades à sustentabilidade», explica João Abreu.

Com um volume de negócios à volta dos 20 milhões de euros em 2021, a Crispim Abreu, que emprega 200 pessoas em Portugal, enfrenta atualmente, segundo o seu diretor-geral, desafios maiores do que na altura da pandemia. «Este ano estamos a ter ainda mais desafios em comparação com os últimos dois anos, quando tivemos a situação da pandemia», considera. «Está a ser muito mais desafiante no sentido em que tivemos um choque energético, um choque de matérias-primas, aumento de custos laborais e de transportes e logística – foi tudo ao mesmo tempo. Refletir isso tudo no custo final para os nossos clientes é sempre complicado. Daí que esteja a ser um ano com muitos mais desafios, muito mais difícil, mas que nós acreditamos que, obviamente, as coisas possam melhorar e possam estabilizar», conclui o diretor-geral da Crispim Abreu.