Início Notícias Marcas

Cristina Barros persegue El Dorado

A marca portuguesa está a expandir-se nos EUA com a abertura de um novo showroom na Califórnia. O mercado é uma das apostas da Cristina Barros, mas não é a única, numa altura em que a insígnia de vestuário para senhora está já presente um pouco por todo o mundo.

Joaquim Cunha

Os showrooms são uma novidade recente na estratégia da Cristina Barros, que decidiu marcar uma presença mais forte em alguns mercados. Neste momento, estas montras estão espalhadas por 20 cidades, nomeadamente nos EUA, que são um dos grandes alvos da marca. «Já temos um showroom em Nova Iorque, abrimos agora um outro na Califórnia», conta Joaquim Cunha, CEO da Blackspider, que detém a marca. «Tínhamos já alguns clientes e isso realmente fez-nos ver que temos mercado nos EUA», justifica.

O outro lado do Atlântico «é um mercado em que realmente vamos apostar agora» e isso faz-se não só pelos dois showrooms mas também pela presença em feiras profissionais como a Coterie, em Nova Iorque, e a Project, em Las Vegas. «Começámos a fazer essas feiras em 2019 e é para continuar», garante o CEO. «O nosso objetivo neste momento é entrar em força nos EUA e tenho a certeza que vamos ter sucesso. O nosso futuro é aqui», afiança.

França, com 50% das vendas, e Rússia, onde a marca está já «há alguns anos», entram também na lista de principais mercados da Cristina Barros, assim como a Irlanda. «Temos também o Japão, que abrimos o ano passado e está a funcionar bem. Temos um cliente muito bom em Hong Kong, com dois centros comerciais, e temos clientes no Dubai, na Síria, na Tunísia… Este ano abrimos no Iraque – a guerra acabou e o mercado está a crescer», enumera Joaquim Cunha.

Crescer dentro e fora de Portugal

No total, as exportações representam 80% do negócio da Cristina Barros. Em Espanha, onde a marca é vendida através de uma empresa própria com sede no país, as vendas rondam o milhão de euros.

As vendas feitas a partir de Portugal, que excluem Espanha, contabilizaram 3 milhões de euros em 2018. «Em Portugal temos cerca de 200 clientes e queremos mais. Estão a surgir lojas e negócios novos em Portugal», revela o CEO. No entanto, a marca tem uma política comercial para assegurar uma distribuição equilibrada. «Fazemos uma seleção e em cada cidade só podemos ter um cliente, com exceção de cidades grandes como Lisboa, onde temos cinco ou seis retalhistas», explica Joaquim Cunha.

As coleções da marca são desenhadas mas também produzidas dentro de portas, numa unidade produtiva onde trabalham 50 pessoas. «A produção é interna, subcontratamos pontualmente, e só confecionamos para a nossa marca, não fazemos private label», indica o CEO. Na nova coleção pontuam matérias-primas nobres, como a seda, e os estampados e cores ousadas. «A nossa mais-valia lá fora é mesmo levar a nossa alegria», acredita Joaquim Cunha.

Sem lojas próprias no horizonte, até porque «queremos que os retalhistas se sintam confortáveis e à vontade para terem a marca Cristina Barros», as perspetivas para 2019 são positivas. «Tivemos uma quebra mas depois subimos com o mercado dos EUA. Não vai haver muito crescimento, mas há expectativa de crescimento», resume o CEO.