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Cronologia de uma pandemia – atualização diária

Nunca, como hoje, a indústria e o mundo tiveram os constrangimentos que estamos a registar com a pandemia do Covid-19. O Portugal Têxtil tem acompanhado a evolução da situação desde o início e, enquanto fizer sentido, manterá aqui um registo do desenvolvimento desta crise, com toda a informação publicada até ao momento.

13 de maio

Mais de 100 retalhistas espanhóis estão a pedir ao Governo de Pedro Sanchéz para alterar a legislação dos arrendamentos comerciais, de forma a poderem negociar em condições de igualdade com os senhorios.

Com a crise provocada pelo novo coronavírus nos seus vários mercados de exportação, os produtores australianos de lã estão a acumular stock e a evitar as vendas em leilão.

Na China, face a impossibilidade de um evento físico, a feira internacional de moda Chic realizou-se, pela primeira vez, online e reuniu mais de 1.350 expositores e cerca de 158 mil visitantes.

Em Itália, a Salvatore Ferragamo decidiu não avançar com previsões de resultados para 2020 devido à incerteza provocada pelo Covid-19, que já provocou uma queda de 31,4% das vendas e de 82,2% dos lucros no primeiro trimestre do ano, e na África do Sul, o Governo publicou agora uma lista do vestuário que pode ser vendido na primeira fase de abertura do país – limitada a vestuário de inverno, roupa de bebé e criança, roupa de dormir e artigos de vestuário para a prática de desporto.

A indústria de moda está, entretanto, a aproveitar a paragem imposta pelo Covid-19 para repensar o negócio. Numa carta aberta, um grupo liderado por Dries Van Noten e por Andrew Keith, CEO da retalhista Lane Crawford, onde se incluem alguns pesos-pesados da indústria como os retalhistas Bergdorf Goodman, Harvey Nichols, Nordstrom, Liberty, Selfridges e as casas de moda Joseph Altuzarra, Tory Burch, Erdem Moralioglu e Gabriella Hearst, estão a apelar a uma mudança de calendário que torne o negócio mais sustentável em termos ambientais e sociais, e que permita, ao mesmo tempo, menos promoções e descontos.

12 de maio

A feira de tecidos Munich Fabric Start confirmou a abertura de portas de 1 a 3 de setembro, devendo ser a primeira reunião presencial internacional para a indústria têxtil após a fase de restrições, para a qual está a ser estudada uma série de medidas específicas «para salvaguardar a saúde de todos os profissionais presentes».

É cada vez mais de um futuro pós-Covid, ou pelo menos pós-confinamento, que se fala. A consultora KPMG compilou uma série de conselhos para as empresas, desde o planeamento de cenários a gestão de risco dos fornecedores e micro-cadeias de fornecimento.

No âmbito da cadeia de aprovisionamento, a turca Calik Denim retomou a produção depois de uma paragem de seis semanas, enquanto a retalhista dinamarquesa Bestseller, que detém as marcas Jack & Jones, Mamalicious e Vero Moda, está a ser acusada de exigir reduções de preços aos seus fornecedores, assim como a cancelar encomendas e a atrasar os pagamentos aos mesmos.

Já a retalhista espanhola Mango conseguiu um financiamento de 200 milhões de euros a três anos e um empréstimo de 40 milhões de euros para melhorar a sua liquidez e enfrentar as consequências da pandemia no negócio.

E, numa altura em que as lojas começam a reabrir, há alguns sinais positivos, nomeadamente para as marcas de luxo: apesar da falta de compradores estrangeiros em Paris, a loja da Hermès na Rue du Faubourg Saint-Honoré chegou a ter 50 clientes ao mesmo tempo em dois pisos e na Louis Vuitton da Place Vendôme, os clientes locais mantiveram um certo sentimento de normalidade para o negócio, segundo a Reuters.

11 de maio

As exportações portuguesas de têxteis e vestuário registaram uma queda de 18,7% em março, com reduções particularmente marcadas nos envios para Espanha, Reino Unido, França e Itália.

Entretanto, a Segurança Social alterou o entendimento sobre a Taxa Social Única (TSU), tendo agora indicado que as empresas em lay-off parcial têm isenção da taxa social única sobre os trabalhadores que estão a trabalhar.

No possível regresso à normalidade, o grupo Inditex está a reabrir gradualmente a sua rede de pontos de venda em Espanha e Portugal, a começar pelas lojas com menos de 200 metros, numa altura em que boas e más notícias se misturam no retalho. A começar pelas más, a gama média deverá enfrentar mais dificuldades no Reino Unido para sobreviver, a Under Armour registou uma queda de 23% no volume de negócios do primeiro trimestre e os grandes armazéns discount Stage Stores apresentaram um pedido de insolvência. Do lado das boas, além da Neiman Marcus ter encontrado forma de prosseguir os seus negócios, com o acesso aprovado pelo tribunal a 675 milhões de dólares (cerca de 622,5 milhões de euros) através do chamado Debtor-in-Possession (DPI) Financing, um estudo recente da Columbus Consulting no Reino Unido mostra que a maioria (64%) dos consumidores estão prontos para comprar novos artigos de moda no primeiro mês após o fim do confinamento, com mais 24% a desejar ir às compras nos três meses seguintes.

Nas feiras, a Heimtextil de 2021 tem já 95% do espaço habitual ocupado, com a organização a cargo da Messe Frankfurt a revelar-se otimista com a procura, enquanto o formato online da feira de denim Kingpins, que decorreu em abril, registou forte adesão, devendo, por isso, repetir-se a 23 e 24 de junho, a pensar sobretudo no continente americano.

8 de maio

A Gerber Technology está a lançar um pacote completo, que inclui software e uma máquina de corte automático Gerber Paragon, assim como consultoria específica, para acelerar a adaptação das empresas à produção de equipamentos de proteção individual (EPI).

A pandemia continua a fazer vítimas no retalho. A mais recente é a americana Neiman Marcus e a retalhista canadiana de calçado Aldo, que tem várias lojas em Portugal. Os rumores estão igualmente a adensar-se em volta da JC Penney, com a Reuters a dar conta que a retalhista pretende pedir a insolvência na próxima semana, com planos para fechar permanentemente um quarto das suas quase 850 lojas. Já a Macy’s, por seu lado, adiou a publicação dos resultados do primeiro trimestre para 1 de julho, dando como justificação a significativa disrupção do negócio devido ao Covid-19.

Na Europa, a H&M anunciou uma queda de 57% das vendas desde março, apesar do crescimento das vendas online.

O comércio eletrónico, de resto, deverá ser um dos beneficiados no pós-Covid-19, que deverá revelar um novo perfil de consumidor que, segundo a consultora Nielsen, será mais preocupado com o preço e com a segurança e terá maior aptidão pela tecnologia, nomeadamente pelas compras online.

As notícias sobre a economia revelam uma descida em diversos indicadores e em diferentes mercados. Na Alemanha, as exportações caíram quase 12% em março – a queda mais acentuada desde 1990 –, com o Governo alemão a antecipar uma contração de 6,3% do PIB e a consultora GfK a garantir que os consumidores germânicos tencionam gastar menos, estando ainda menos otimistas em relação à sua situação financeira. No Japão, o consumo está já a sentir os efeitos da pandemia, com uma diminuição de 6% em março face ao mesmo mês do ano passado, prevendo-se uma quebra de 30% neste trimestre, com perspetivas de recuperação no trimestre de julho a setembro, «mas não retornará aos níveis pré-coronavírus no resto do ano», afirma Taro Saito, investigador-executivo associado do NLI Research Institute, citado pela Reuters.

7 de maio

A maior de linha crédito disponibilizada com garantias de Estado para ajudar a combater os efeitos do Covid-19, de 4,5 mil milhões de euros, esgotou sendo a segunda linha de crédito a atingir o plafond máximo definido.

A pandemia está a fazer cair os preços do algodão, cuja procura tem vindo a diminuir, e deverá afetar os negócios em todo o mundo, com destaque para o vestuário e o mobiliário, onde o consumo tem estado em queda.

A indústria da moda, de resto, está a ser gravemente afetada e enfrenta uma crise existencial, já que a grande maioria dos consumidores não está atualmente interessada em comprar roupa, a que soma a dificuldade em percecionar se eventos como as Semanas de Moda terão lugar nos moldes tradicionais. Para já, sabe-se que a Semana de Moda Masculina de Paris se irá realizar de 9 a 13 de julho num formato digital.

Mas há também notícias positivas: a retalhista online de moda Zalando está a crescer e antecipa agora um aumento das vendas em 2020 entre 10% e 20%, a americana Gap está a testar a reabertura de lojas físicas, a começar pelo Texas, o mesmo acontecendo com a compatriota Abercrombie, e o grupo Inditex reabre desde hoje as lojas mais pequenas em Espanha, como parte de uma gradual reabertura da sua rede de retalho.

Isto numa altura em que todos se começam a preparar para uma nova realidade, que, segundo a EY, será pautada pelo conceito de economia do distanciamento social, com consumidores regidos por valores e prioridades diferentes.

6 de maio

A especialista em equipamentos de proteção e vestuário de trabalho Latino aliou-se ao movimento #ProjectOpenAir e é uma das empresas produtoras da solução Front Line Medic Protection, um equipamento completo desenhado para proteger os profissionais de saúde.

Um estudo elaborado Gabinete de Estudos e Estratégia (GEE) do Ministério da Economia concluiu que em caso de paragem total, 25% das empresas portuguesas não têm caixa ou depósitos para um salário, conseguindo, no máximo, assegurar 24 dias de remunerações.

Lá fora, a Turquia está a enfrentar muitas dificuldades na gestão da pandemia, quer ao nível da economia, quer, em particular, ao nível da indústria têxtil e vestuário, já que as marcas e retalhistas internacionais não param de cancelar encomendas e a adiar pagamentos de artigos já produzidos.

Em dificuldades está igualmente a retalhista americana Lord & Taylor, que, segundo fontes citadas pela Reuters, planeia liquidar o inventário nos seus 38 grandes armazéns assim que os mesmos reabrirem, antecipando não recuperar do processo de insolvência que pretende, entretanto, submeter.

Também nos EUA, a Nordstrom planeia fechar 16 lojas e reestruturar o negócio.

Já na Europa, as vendas a retalho da Zona Euro registaram, em março, a maior queda desde 1999 – menos 11,2% em comparação com fevereiro e menos 9,2% em termos anuais –, enquanto a produtora de fibras Lenzing sentiu uma diminuição de 59% nos lucros do primeiro trimestre, para 17,7 milhões de euros, provocada por uma quebra de 17% no volume de negócios, para 466,3 milhões de euros.

Isto numa altura em que os eventos e feiras profissionais ligados ao sector do têxtil, vestuário e moda continuam a tentar adaptar-se e a antecipar as mudanças, que se preveem inevitáveis no futuro próximo.

5 de maio

As empresas portuguesas não terão de esperar pela aprovação da Segurança Social para reduzir os salários aos trabalhadores ao abrigo do lay-off, segundo apontam os advogados.

O mundo continua a ser fortemente impactado pela crise do Covid-19, com efeitos comprovados na economia chinesa, cujo PIB caiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020, mas também em marcas como a Hugo Boss, que espera uma queda de 50% nas vendas do 2.º semestre do ano, uma vez que três-quartos das lojas continuam encerradas, apesar de começar a sentir alguma retoma.

A tentar voltar à normalidade possível está também o Bangladesh, que embora tenha alargado o confinamento até 16 de maio, está a abrir os centros comerciais, depois de na semana passada ter autorizado a reabertura de mais de 2.000 fábricas de vestuário após um mês de encerramento.

Já atentos ao futuro, os lobbies estão a pressionar a UE para que a retoma dos sectores têxtil, vestuário, peles e calçado tenha em conta a sustentabilidade ambiental e, sobretudo, social.

Ainda no âmbito da sustentabilidade, a feira profissional Neonyt, cuja edição de verão foi cancelada, está a apoiar a iniciativa #fairfashionsolidarity, que destaca as ações que o sector, incluindo os consumidores, podem tomar para manter a dinâmica ecológica da indústria e preservar a existência de lojas e marcas amigas do ambiente.

Nesta área, a portuguesa Wetheknot, que junta um design minimalista a matérias-primas amigas do ambiente, criou a coleção limitada “What day is it today?”, desenhada para se adaptar às novas rotinas criadas pela pandemia e pelo confinamento.

4 de maio

Em Portugal, os advogados estão a alertar as empresas que recorreram aos apoios do Estado, onde se incluem o lay-off simplificado, que, apesar na demora na chegada dos mesmos, têm de pagar o salário aos seus funcionários nos prazos estipulados por lei ou arriscam-se a perder essas benesses.

A nível internacional, a Première Vision manifestou a sua solidariedade para com os expositores dos seus certames, onde se inclui a Première Vision Paris, e está, entre outras medidas, a facilitar o processo de inscrição e a oferecer entradas gratuitas aos visitantes.

Já a Burberry decidiu não recorrer a ajudas estatais para pagar os salários, apesar de estar a ser afetada pela diminuição de vendas, numa altura em que há unanimidade quanto à inevitável queda do retalho mundial em 2020. A americana J.Crew, de resto, acaba de submeter um pedido de insolvência, numa altura em que Donald Trump ameaça com novos impostos aduaneiros sobre os produtos provenientes da China, onde constarão provavelmente o vestuário e o calçado, uma vez que são duas das categorias mais proeminentes nas importações americanas da China, para punir o país liderado por Xi Jinping pela pandemia de Covid-19.

30 de abril

Apenas 62% dos pedidos de lay-off foram aprovados, com 22 mil empresas a deverem receber o dinheiro até hoje, numa altura em que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, defende que os processos de apoio financeiro garantido pelo Estado às empresas em dificuldades no âmbito da crise provocada pelo Covid-19 devem ser revistos com rapidez.

No meio da pandemia nasceu a Dress for Awareness do português Francisco Araújo, que está a usar o vestuário para consciencializar os consumidores para ações responsáveis durante o surto mundial do novo coronavírus.

No retalho há várias empresas a darem conta de quedas no negócio, como é o caso da Tapestry, que detém a Coach, que registou uma diminuição de quase 20% nas vendas trimestrais, e dos grandes armazéns finlandeses Stockmann, que perderam quase metade (49,1%) das vendas em março.

Também as feiras profissionais estão a ser fortemente afetadas e, por consequência, procuram reagir para se adaptarem à nova realidade. A FIMI, em Valência, foi adiada sem data e a Playtime Paris foi cancelada, devendo regressar em 2021. Já a Première Vision New York, por seu lado, ficou adiada para 30 de setembro e 1 de outubro.

Do lado das boas notícias, depois de dois meses encerradas, as atividades industriais da Prada estão a recomeçar em diversas unidades produtivas espalhadas por Itália.

29 de abril

Mudança é a palavra de ordem todos os dias desde que o surto do novo coronavírus começou a afetar o mundo e, sobretudo, a Europa. Para enfrentar os desafios que estão a surgir, a EY aconselha, as marcas, a comunicar com os consumidores, numa altura em que as lojas estão ainda encerradas em grande parte da Europa e as vendas online são uma solução onde as expectativas encontram-se igualmente em mutação.

A adaptar-se a esta realidade estão igualmente as feiras. A Texworld e a Apparel Sourcing USA decidiram passar para um formato virtual a edição agendada para 21 a 23 de julho em Nova Iorque.

A economia tem vindo a cair – nos EUA, a contração no 1.º trimestre aconteceu ao ritmo mais acelerado desde 2009 – e as vendas de vestuário têm seguido o mesmo caminho, nomeadamente no Reino Unido, onde a Next acaba de revelar uma queda superior ao esperado: até ao dia 25 de abril, as vendas da retalhista diminuíram 52% nas lojas físicas e 32% online, fazendo com que as previsões tanto para o 1.º como para o 2.º semestre estejam a ser revistas em baixa.

Na Índia, onde se está a produzir mais algodão sem sementes geneticamente modificadas, os produtores de vestuário estão a pedir ajuda ao Governo para pagar salários.

Em Portugal, Gio Rodrigues está a disponibilizar online a sua nova coleção, onde 15% do valor das vendas reverte para a campanha “Nossos heróis”, uma iniciativa que visa produzir material de proteção individual para os profissionais da saúde.

28 de abril

A Adalberto, a Sonae Fashion, o CITEVE, o Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e a Universidade do Minho desenvolveram uma máscara reutilizável certificada com nível 2, que estará à venda em diferentes insígnias de retalho do grupo Sonae, a começar pela MO, enquanto a Lion of Porches está a oferecer uma máscara reutilizável nas compras efetuadas até ao Dia da Mãe, que se celebra no próximo domingo.

A Agência Nacional de Inovação também está financiar três projetos, um dos quais do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, ligados à produção de equipamentos individual com uma verba de 2,7 milhões de euros.

Já o Estado português avançou com o reforço das garantias públicas para os seguros de crédito em cerca de 500 milhões de euros.

A pandemia continua a afetar as marcas e o retalho: a Adidas deu conta de uma quebra de 95% dos lucros no primeiro trimestre, o grupo Kering pede cautela na análise das vendas na China, que começam agora a recuperar, e a maior retalhista alemã, as Galerias Karstadt Kaufhof, declarou mesmo insolvência. No Reino Unido, apenas 28% das empresas de retalho antecipam voltar ao normal em três meses.

Do outro lado do mundo, a Índia está a perder milhões de euros com encomendas adiadas ou canceladas, com o impacto a dever alargar-se devido à diminuição das exportações de algodão. O Bangladesh está igualmente em dificuldades e a pedir ajuda ao governo britânico para evitar o encerramento em massa de fábricas no país.

27 de abril

O dinheiro resultante da atribuição dos empréstimos ao abrigo das linhas de crédito bonificado disponibilizadas às empresas no período da pandemia ainda não chegou às empresas, deram conta alguns empresários, alguns dos quais à espera já cerca de um mês, numa altura em que o Governo admite prolongar algumas medidas, nomeadamente o regime de lay-off simplificado.

Hoje, o Primeiro-Ministro António Costa, e o Ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, visitaram a Petratex, que «adaptou a sua produção» às necessidades de um país a viver em pandemia de Covid-19 e «redirecionou grande parte da sua atividade à produção de máscaras e equipamentos de proteção individual», produzindo, em média, 100 mil máscaras por dia. Na semana passada, o Governo reduziu o IVA das máscaras para o valor mínimo de 6%.

Noutros países produtores, os cenários estão a agravar-se, como é o caso do Bangladesh, onde os trabalhadores têxteis se manifestaram para exigir os seus salários, estando alguns sem receber há dois meses.

Com a pandemia a manter os alunos em casa, o Modatex criou uma plataforma online com formações gratuitas que arrancam já amanhã.

24 de abril

Em Portugal, o Executivo liderado por António Costa anunciou um novo calendário para pagamento do lay-off, enquanto na Europa há uma aliança a pedir uma “recuperação verde” após a pandemia de Covid-19.

Em França, o Governo anunciou que empresas nacionais e estrangeiras produziram mais de 10 milhões de máscaras têxteis na semana passada e que a produção pode chegar a 25 milhões por semana no final do mês, adiantando que o Estado vai fornecer a população em geral através dos diferentes canais de distribuição.

No Reino Unido, a Burberry doou mais de 100 mil equipamentos de proteção individual produzidos na sua fábrica de gabardines em Castleford e a Marks & Spencer comprometeu-se a pagar aos fornecedores pela maioria das encomendas de vestuário.

A montante, a associação de produtores de vestuário do Camboja pediu aos compradores para cumprirem os contratos de compra e as suas obrigações, «recebendo as encomendas e pagando os artigos em produção e já produzidos».

Já numa iniciativa mundial, a Gerber Technology juntou mais de 600 entidades para acelerar o desenvolvimento e a produção de equipamentos de proteção individual.

23 de abril

Os pagamentos acima do valor do lay-off não estão isentos da TSU, de acordo com um novo esclarecimento da DGERT.

Já as grandes cadeias espanholas de moda, todas com operação em Portugal, estão a avançar com promoções online para tentar escoar o stock da coleção primavera- verão, numa altura em que, nos EUA, se faz já uma antevisão do que poderão ser o mercado na época de férias, com cenários pouco positivos ao nível da confiança e da disponibilidade orçamental dos consumidores.

O estudo The State of Fashion 2020, da McKinsey e do Business of Fashion, foi atualizado para refletir os efeitos da pandemia de Covid-19, com os empresários da indústria a deverem pensar em reinventar o seu negócio face às mudanças ao nível do consumo e do próprio aprovisionamento.

A atual situação levou a Gallery Fashion a juntar-se com a Gallery Shoes para uma edição mais tardia – no final do mês de agosto e início de setembro – enquanto a Kingpins está a realizar a sua primeira edição online, que termina hoje.

Do lado da produção, a indústria têxtil e vestuário do Paquistão pede mais medidas de apoio ao governo.

22 de abril

A Springkode está a colaborar com a indústria têxtil e vestuário e a fazer chegar aos consumidores máscaras sociais a preço de custo.

O regime de lay-off simplificado tem levantado muitas questões, incluindo sobre os seguros de acidentes de trabalho, com a entidade reguladora dos seguros e as principais seguradoras do mercado a não se entenderem sobre o tema.

A pandemia está a provocar uma forte disrupção no retalho de moda dos EUA e a fazer cair as vendas online de vestuário no Reino Unido, que desceram mais de 50% em março, assim como na cadeia produtiva, as empresas tunisinas enfrentam já grandes dificuldades e a Índia pede «compaixão» aos compradores internacionais para não cancelarem encomendas, com um estudo a apontar para perdas no valor de 3 mil milhões de dólares. Já a Euratex apelou à Comissão Europeia para implementar novas medidas para ajudar a ITV do Velho Continente a recuperar.

A pandemia poderá condicionar o comércio e utilização de peles exóticas, como crocodilo e cobra, com a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) a pedir o fim das quintas de animais exóticos, acusando-as de ser um potencial foco de disseminação de doenças.

21 de abril

Já a pensar no futuro, as empresas começam a pensar no regresso à normalidade, ou numa nova normalidade pautada pelo distanciamento, segundo um estudo realizado pelo Kaizen Institute em Portugal.

Os certames físicos continuam a ser cancelados, como aconteceu com a Neonyt, ou adiados, como a feira nupcial Spositalia, que mudou as suas datas para 24 a 27 de setembro.

Outros preferem optar por formatos online para manter o contacto com os clientes. A Lectra está a organizar webinars gratuitos, numa série que começa amanhã com o Kubix Link, e a Global PrintExpo vai também assumir o modo virtual numa edição em junho.

A retalhista espanhola Mango está a reabrir as suas lojas na Europa, antecipando ter 621 pontos de venda em atividade até ao final de abril. Também a H&M, mas na China, está lentamente a regressar aos negócios.

Um estudo da Euler Hermes revela que as medidas implementadas pela UE e pelos EUA para combater a disseminação do Covid-19 podem custar 700 mil milhões de euros ao comércio. Os efeitos já se estão a fazer sentir, com a Lord & Taylor a explorar a opção da bancarrota e a Neiman Marcus a dever submeter o processo de insolvência ainda esta semana.

Na produção, a federação turca da indústria de vestuário e moda está a aconselhar os seus membros a suspenderem a produção até ao final deste mês.

20 de abril

Empresas como a Twintex consideram que estão a ser duplamente penalizadas com a medida de apoio excecional às famílias, já que têm que pagar salários mas ficam sem os trabalhadores para a produção.

Com o Covid-19 a afetar todo o mundo, a tecnologia está a assumir um papel primordial na comunicação e a permitir a realização de eventos que, de outra forma, teriam de ser definitivamente cancelados, como é o caso do Fórum Ethical Trade and Human Rights, que irá decorrer virtualmente em maio.

Já a Ara Shoes está a presentear os seguidores com calçado ou acessórios gratuitos.

No Reino Unido, os retalhistas pedem apoio para o pagamento de rendas na high street, numa altura em que as lojas continuam encerradas.

Do lado da produção, a Primark comprometeu-se a pagar 370 milhões de libras (cerca de 425 milhões de euros) em encomendas aos fornecedores, a Gucci tenta reabrir a produção de protótipos nas suas principais fábricas em Itália, os exportadores indianos solicitam ajuda ao governo para pagar salários e as fábricas do Bangladesh vão manter-se encerradas em abril, de acordo com a Associação de produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh.

17 de abril

A pandemia do Covid-19 está, segundo o WGSN, a gerar uma evolução nas crenças e atitudes dos consumidores e as empresas devem estar preparadas para essa mudança.

Em Portugal, a empresa António Manuel de Sousa, que detém a marca Vandoma, está a adaptar-se à situação e depois de ter parado a confeção no início do mês devido à falta de encomendas, vai agora retomar a produção com tapa-máscaras.

Um estudo do Kaizen Institute Western Europe revela que os CEO e administradores de médias e grandes empresas nacionais inquiridos preveem reduzir os postos de trabalho e recuperar o nível de atividade dentro de seis a 12 meses.

Ainda na Europa, a alemã Zalando cortou nos custos, a francesa LVMH sentiu uma quebra nas vendas no 1.º trimestre e a indústria de moda italiana está a pedir ao Governo para levantar as restrições a fim de retomar a produção.

Já nos EUA, a associação Seams criou uma plataforma para EPI, numa altura em que as marcas de calçado do país registam uma diminuição da procura, enquanto a indústria têxtil e vestuário do Peru enfrenta dificuldades por causa do confinamento.

16 de abril

As dúvidas em relação ao lay-off foram desfeitas, com a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) a confirmar que se uma empresa receber uma encomenda, pode recorrer à suspensão do lay-off.

Entretanto, um estudo da Euratex antecipa que a queda na produção e nas vendas de têxteis e vestuário da Europa deverá superar os 50%, enquanto a Organização Mundial do Comércio prevê uma descida no comércio internacional de mercadorias entre 13% e 32% em 2020.

Com a confiança e o consumo a descer, as retalhistas estão a procurar estratégias para sobreviver a este período. A Inditex procurou financiamento junto da banca, o mesmo acontecendo com a H&M, que assinou uma linha de crédito de 980 milhões de euros para reforçar a sua liquidez, ao passo que a Gap cancelou as encomendas das próximas coleções.

O Reino Unido terá registado uma queda de 27% das vendas a retalho nas duas semanas até 4 de abril em comparação com o mesmo período do ano passado.

As boas notícias vêm do comércio online, onde a Zalando regressou ao crescimento das vendas, depois da queda em março.

Do lado da produção, a Comissão Europeia lançou um fundo de resposta rápida para ajudar 70 mil trabalhadores da indústria têxtil e vestuário de Mianmar, numa altura em que as produtoras turcas de denim estão a mudar de estratégia por causa da imposição de novas medidas para travar o avanço de Covid-19 no país. Já o Haiti deverá reabrir a indústria têxtil na próxima semana, depois de ter declarado antecipadamente o Estado de Emergência no país, que parece ter travado o número de infetados, atualmente em 41 pessoas.

15 de abril

O Governo aumentou as linhas de crédito para 6,2 milhões de euros, com a maior alteração a acontecer na linha de crédito para a indústria, nomeadamente para a têxtil, vestuário, calçado, extrativa e da madeira.

O anúncio surge numa altura em inquérito da Deloitte a 31 CEO´s portugueses revela que a quebra no volume de negócios, num prazo de três meses, pode atingir os 50%, sendo que a um ano a quebra pode ser de 25%. Já um estudo da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) aponta para uma quebra de 31% nas encomendas entre o final de março e início de abril.

Na luta contra o Covid-19, a indústria de calçado está a produzir máscaras, viseiras e calçado especial para os profissionais de saúde no terreno. Já a Coats, com o apoio da Gerber Technology, está também a produzir equipamentos de proteção individual.

De acordo com a americana National Retail Federation, que cita o gabinete de estatística do país, as vendas a retalho nos EUA caíram 8,7% em março. Ainda assim, as retalhistas estão a adaptar-se à nova realidade. Os grandes armazéns John Lewis, por exemplo, lançaram novos serviços virtuais, incluindo reuniões individuais entre consumidores e stylists para aconselhamento de guarda-roupa. Já a Next reabriu as vendas online, mas com limitação diária de encomendas.

14 de abril

O CITEVE já tem disponíveis, no seu website, as fichas técnicas para a produção de máscaras reutilizáveis para uso pela população. O diretor-geral do centro tecnológico, António Braz Costa, revelou ainda, ao Portugal Têxtil, que estavam a recuperar e a avançar com os trabalhos no âmbito dos EPI’s reutilizáveis.

Numa altura em que se começa a pensar também na retoma da economia, alguns empresários portugueses da indústria de vestuário manifestaram-se contra a medida do Governo que prevê que empresas com mais de 250 trabalhadores não podem diferir o pagamento das contribuições à Segurança Social.

O novo coronavírus continua a provocar mudanças nos eventos. A Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, que deveria ter-se realizado em março, passou para os dias 15 a 17 de julho em Shenzhen, onde terá a companhia da Yarn Expo Shenzhen e da Intertextile Shenzhen Apparel Fabrics.

No campo das iniciativas de apoio a profissionais de saúde na linha da frente do combate ao Covid-19, a Louis Vuitton deu início à produção de batas no seu atelier de pronto-a-vestir, localizado na Rue du Pont Neuf, em Paris, onde está também localizada a sede da casa de moda francesa, que serão entregues a seis hospitais da capital francesa, enquanto a espanhola Mango está a apoiar o leilão de beneficência de Sofía Sánchez de Betak no próximo dia 15 de abril, onde consta o vestido original da Mango que Sofía usou na última edição da Gala do MET, em 2019. Os lucros revertem para os Médicos Sem Fronteiras, para ajudar na luta contra a pandemia e outras missões humanitárias.

Já a United Colors of Benetton ofereceu camisolas com as cores do arco-íris à task-force de 100 cientistas voluntários do Instituto de Medicina Molecular (iMM) no combate ao novo coronavírus.

9 de abril

Um inquérito do CENIT e da ANIVEC aos empresários portugueses da indústria têxtil e vestuário revela um impacto considerável da pandemia nos negócios, afetando tanto o volume de vendas, como a produção, as encomendas e o emprego.

Em Espanha, o retalho espera regressar à atividade em junho, com a abertura gradual de lojas e novas medidas de segurança.

A pandemia está a afetar as vendas de vestuário, nomeadamente no Reino Unido, embora nos EUA a categoria seja a mais procurada nas vendas online. O novo coronavírus está ainda abalar as exportações do Sri Lanka.

Para tentar lidar com estas alterações no negócio, a retalhista online Zalando está a cortar 350 milhões de euros em custos, enquanto a Uniqlo antecipa uma queda de 44% no lucro anual, que termina em agosto.

A britânica Barbour juntou-se à luta e está agora a produzir equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde.

No que diz respeito aos eventos profissionais, a feira de moda Chic tem já nova data. O certame, inicialmente agendado para 11 a 13 de março em Xangai, vai agora realizar-se de 15 a 17 de julho em Shenzhen, mantendo a edição de setembro em Xangai, de 23 a 25 de setembro. A organização criou ainda uma versão digital, batizada Chic Online, que se realiza de 22 a 24 de abril.

8 de abril

A consultora alemã Roland Berger acredita que vai haver um boom económico depois da crise provocada pelo Covid-19, antecipando que dentro de 8 a 12 semanas a economia poderá retomar.

Numa altura em que a sustentabilidade ambiental na indústria da moda passou para segundo plano, em que associações não governamentais, como a Fashion Revolution, procuram apoiar os trabalhadores e em que o Banco Mundial está a financiar o combate à pandemia, há quem queira dar o exemplo. É o caso da Chanel e da Hermès, que prometeram não sobrecarregar o Estado francês e que, com isso, terão levado a que o LVMH e o Kering seguissem o mesmo caminho.

Ainda em França, a fileira têxtil está a ser mobilizada para produzir protetores de camisolas reutilizáveis para o pessoal médico, numa altura em que cerca de 600 empresas se encontram a fabricar à volta de 850 mil máscaras por dia. E a pensar já no retomar da atividade, a Union Française des Industries Mode & Habillement (UFIMH) está a pedir seis semanas de saldos para o retalho independente a partir de 15 de julho.

Isto numa altura em que a retalhista online Asos anunciou uma queda de 20% a 25% das vendas nas últimas três semanas e a Amazon suspendeu a entrega de encomendas para terceiros, um serviço que prestava a vendedores não relacionados com os seus marketplaces, para se concentrar na entrega dos produtos vendidos diretamente.

7 de abril

Luís Guimarães, presidente do grupo Polopique, enviou uma carta ao ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, a pedir para que quem não recorra ao lay-off simplificado beneficie de «um alívio de impostos na totalidade».

Entre as medidas preconizadas pelo Governo no âmbito do lay-off está a possibilidade de aceder a um plano de formação da responsabilidade do IEFP que permite aumentar o rendimento do trabalhador e trazer benefícios para as empresas.

O novo coronavírus está a levar a uma adaptação das marcas à nova realidade, como é o caso da Zippy e da MO, a uma luta pela sobrevivência por parte de retalhistas, como os grandes armazéns Debenhams, e a iniciativas para assegurar a sobrevivência da cadeia de aprovisionamento, como as da Levi Strauss e da Primark.

A Turquia está a registar um aumento de casos de infeção e, com isso, está a apertar as restrições ao funcionamento das empresas, nomeadamente às de denim, com muitas, como a Calik Denim, a suspenderem a produção durante esta semana.

Já a Kantoor Brands, que detém a Wrangler e a Lee, anunciou o arranque da produção de vestuário hospitalar, tanto para pacientes, como para médicos e enfermeiros.

A Gap Inc, por seu lado, suspendeu a maior parte das encomendas para as marcas Gap, Banana Republic e Old Navy.

No campo dos eventos profissionais, a Copenhagen Fashion Summit mudou de datas e de temas para corresponder às preocupações do momento atual e, depois de muita hesitação, a organização das feiras Pitti adiou os eventos em Florença. A Pitti Uomo realizar-se-á de 2 a 4 de setembro e a Pitti Bimbo está agendada para 9 e 10 de setembro. A Pitti Filati não tem ainda nova data, devendo a mesma ficar definida na reunião da Comissão Técnica, agendada para amanhã.

6 de abril

As empresas portuguesas já podem aderir ao regime de lay-off simplificado, uma das medidas apontadas pelo Governo que facilita a redução de salários com o apoio do Estado. Os sectores de mão de obra intensiva, com salários mais baixos, são os mais penalizados na medida em que a taxa de esforço ultrapassa os 16% referidos pelo Executivo de António Costa.

Entre as boas notícias está a relocalização da produção para a Europa, segundo Alicia Garcia-Herrera, investigadora do Bruegel, isto numa altura em que a indústria de vestuário do Bangladesh está a perder milhões em exportações e em que a pandemia está a levar ao reequacionamento das compras por parte de retalhistas e marcas.

A H&M, por seu lado, registou uma queda de 46% das vendas, provocada pelo encerramento de lojas e redução do consumo devido às medidas de isolamento social de diversos países.

A Covid-19 está, de resto, a afetar fortemente o retalho, como prova o pedido de reestruturação solicitado pela cadeia de grandes armazéns finlandeses Stockmann, que viu a sua situação agravar-se com a pandemia, enquanto a sul-africana Woolworths espera uma diminuição de 20% no lucro anual, com a quebra das vendas nos seus mercados da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

Já a economia americana deverá registar, segundo a IHS Markit, uma descida de 26,5% no PIB do segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, levando o mercado para níveis semelhantes à Grande Depressão.

Na luta contra a pandemia, a impressão 3D tem dado uma ajuda preciosa e a Levi’s está a doar máscaras e outros equipamentos de proteção individual, assim como a contribuir para as comunidades onde produz os seus artigos de moda, e a Radici Plastics Suzhou está a colaborar numa campanha de recolha de fundos para enviar máscaras e outros equipamentos médicos para um hospital de Bérgamo.

3 de abril

Um estudo do Boston Consulting Group aponta para uma queda de 40% do volume de vendas de artigos têxteis no retalho no sul da Europa por causa do coronavírus. A Covid-19 poderá ainda implicar a perda de 25 milhões de postos de trabalho em todo o mundo.

Para contribuir para o reforço da produção de artigos essenciais nesta altura, a Gerber Technology tem uma equipa especializada para a adaptação da produção das empresas da indústria de vestuário para equipamentos de proteção individual.

Nos EUA, onde o número de infetados ultrapassa já os 245 mil, uma coligação de 11 marcas, incluindo a Hans e a American Giant, vão começar a produzir equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da área da saúde

Já no Japão, a Fast Retailing anunciou o encerramento temporário este fim de semana de 100 lojas da sua cadeia de retalho Uniqlo na área de Tóquio, devido ao aumento do número de casos de coronavírus na cidade, de acordo com informação da Reuters.

Na Alemanha, os grandes armazéns Galeria Karstadt Kaufhof submeteram um pedido de insolvência, depois do encerramento das suas lojas desde 18 de março estar a gerar, segundo indicou, uma perda semanal de vendas na ordem dos 7 mil milhões de euros.

No Reino Unido, de acordo com a Drapers, a retalhista New Look comunicou aos seus fornecedores que vai cancelar todas as encomendas e adiar os pagamentos «por tempo indefinido» para lidar com a crise atual

As más notícias estendem-se a Oriente, nomeadamente no Camboja, onde pelo menos 91 das mais de 600 empresas de vestuário suspenderam as operações, e na China, onde há cada vez mais cancelamentos de encomendas.

De Itália vem a notícia de que o designer de calçado de luxo Sergio Rossi, de 85 anos, não resistiu ao vírus e morreu na cidade de Cesena.

2 de abril

Um conjunto de economistas portugueses, incluindo Daniel Bessa, João Duque, Luís Aguiar-Conraria e Miguel Cadilhe, deu nota positiva às medidas apresentadas pelo governo português para apoiar as empresas, mas apontam ainda aspetos a melhorar.

A Inditex anunciou o pagamento de salários a 100% aos seus trabalhadores em Espanha, enquanto a H&M se comprometeu a pagar as encomendas canceladas que tenham já entrado em produção. Entre os países fornecedores, o Vietname está a perder milhões, numa altura em que a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê um forte declínio no comércio mundial.

A nível mundial, foram anunciadas alterações a diversos eventos profissionais. A feira de tecidos Milano Unica, inicialmente agendada para julho, foi adiada para 7 a 9 de setembro. Já as feiras Pitti, em Florença, mantêm, nestes primeiros dois dias de abril, as mesmas datas (a Uomo de 16 a 19 de junho e a Bimbi de 25 a 27 de junho), numa altura em que os eventos de moda masculina foram cancelados ou adiados para setembro. Os desfiles de Nova Iorque foram cancelados, o mesmo acontecendo com os de Londres, a Semana de Moda Masculina de Paris e a Semana de Alta-Costura, também na Cidade-Luz. Já a Camera Nazionale della Moda anunciou que a apresentação das coleções de homem será realizada em paralelo com os desfiles de moda de senhora, que deverão decorrer de 22 a 28 de setembro.

No combate ao Covid-19, a francesa Chargeurs está a produzir máscaras e gel desinfetante. As marcas de luxo Dior e Chanel também se juntaram a este movimento, com a primeira a produzir máscaras para fornecer a trabalhadores de supermercados, transportes e distribuição alimentar, e a segunda a fazer protótipos de máscaras e batas, que aguardam a aprovação das autoridades francesas.

Em Portugal, a MoreTextile doou roupa de cama para cuidados hospitalares, incluindo lençóis, fronhas, resguardos e tecidos para campo cirúrgico, ao Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães.

Março

No início de março, a Heuler Hermes, acionista da COSEC, anunciou que o vírus pode custar mais de 280 mil milhões de euros em oportunidades de exportação.

A China dá sinais positivos, com dados a mostrarem que 75% da capacidade da sua economia já retomou.

A Turquia, que durante algum tempo acalentou a esperança de que o surto do Covid-19 permitisse aumentar as encomendas no país, ficou a saber que as dificuldades resultantes do aprovisionamento de matérias-primas iriam lesar as suas vendas. O mesmo aconteceu com o Camboja, onde 200 fábricas anunciaram, no início de março, o abrandamento e suspensão parcial da produção por falta de componentes.

Um estudo da Global Data dá conta do desmoronamento das cadeias de aprovisionamento mundiais devido ao cancelamento de encomendas, fruto também da alteração nos hábitos de consumo, que estão a afetar a atividades de retalhistas como a Inditex, a H&M e a Primark.

Há contudo, quem esteja a procurar responder com iniciativas digitais, como é o caso da Sonae Sierra, que está a colocar as lojas dos seus centros comerciais com acesso a vendas online.

Nas feiras, a FESPA Global Print Expo, juntamente com a Sportswear Pro e a European Sign Expo, anunciou o adiamento para outubro.

As organizações de feiras de todo o mundo estão, de resto, a ponderar versões virtuais dos eventos, como é o caso da Texprocess Americas, da Kingpins e da Pitti Uomo, entre outras.

Em Portugal, as associações assumiram um papel proativo no que diz respeito a mitigar o impacto da pandemia, o mesmo acontecendo com as empresas, muitas delas com a adaptação da sua produção para equipamentos de proteção individual. A Lameirinho é uma dessas empresas, que está a conjugar a luta contra o Covid-19 com o negócio habitual.

Ao mesmo tempo, o Governo anunciou medidas para apoiar as empresas, que têm vindo a ser atualizadas. Também a Cosec anunciou ações extraordinárias para ajudar os negócios.

Os empresários da indústria têxtil e vestuário reconhecem o esforço do governo mas preconizam a necessidade de mais apoios, no imediato e para o futuro, para combater um inimigo invisível que deverá afetar esta indústria não só nos próximos meses mas nos próximos anos, como indicaram os responsáveis da Becri, Lipaco, Tintex e Twintex.

Fevereiro

No início de fevereiro começou a perceber-se o impacto que o coronavírus poderia ter na indústria têxtil e vestuário mundial, embora, na altura, ainda sem os reflexos que agora são evidentes.

A China, tendo sido o primeiro foco de infeção, foi a primeira a ser afetada, com os trabalhadores em quarentena, as restrições de viagens e os atrasos nas entregas de encomendas a prejudicarem a recuperação.

A evolução do surto e as consecutivas restrições às viagens começaram a afetar as feiras. Inicialmente, apenas no que diz respeito aos resultados, com menos visitantes, como foi o caso da Micam, da Texworld Paris e da Première Vision Paris.

As feiras tomaram medidas, com os eventos a cargo da Messe Frankfurt e da Messe Munich, por exemplo, a procurarem salvaguardar expositores e visitantes.

Depois vieram os cancelamentos. A feira de fios Filo, agendada para o final de fevereiro, foi cancelada, assim como muitas outras, não só em Itália mas um pouco por todo o mundo.