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CRU acelera oportunidades

O projeto que nasceu da vontade de dar mais oportunidades a novas marcas e designers emergentes aproveitou o Covid-19 para acelerar a criação da loja online. A caminhar neste sentido e de mãos dadas com a sustentabilidade, a associação de responsabilidade social Between Parallels sustenta este «objetivo comum», que será levado além-fronteiras.

Virgínia França

Intitula-se como um «hub criativo» e foi criada por Tânia Santos e Miguel Ferreira inicialmente apenas com a ideia de proporcionar um espaço aos criativos que reunisse as devidas condições, para que estes pudessem ter um local que lhes permitisse desenvolver ideias e também expô-las. «A CRU nasceu em 2012 através de um projeto da autoria da Tânia e do Miguel na última crise económica, em que sendo o Miguel músico e a Tânia formada em psicologia, mas fazia o projeto dela próprio de artesanato, notaram que não havia um espaço onde os criativos pudessem trabalhar», explica Virgínia França, responsável de loja da CRU. «O mercado agora está mais aberto a este tipo de marcas independentes, mas há oito anos e meio atrás era um bocadinho difícil para este tipo de marcas ter margem para sequer ser aceite em lojas representantes de multimarcas», afirma ao Portugal Têxtil.

Atualmente, a CRU não se resume apenas a esta ideologia e, além de funcionar como um espaço de cowork onde podem ser exploradas as valências de quem o integra, opera ainda como galeria, possui uma loja física que promove o trabalho dos criativos e, mais recentemente, também uma loja online. «A CRU nasceu assim, algo como espaço de cowork, onde as pessoas que trabalhavam expunham também, pagavam uma renda e essa renda incluía um espaço na loja física da CRU e felizmente foi crescendo», revela Virgínia França.

Um espaço passageiro

O cowork não foi a única ideia pensada pelos fundadores quando visualizaram a CRU, já que funcionar como uma plataforma de lançamento de marcas e autores independentes das mais variadas áreas sempre foi um dos princípios. «Neste momento a loja da CRU representa à volta de 50 designers independentes portugueses, na sua maioria sustentáveis, eco-friendly, sempre com fairtrade, é importante saber quem é que faz. Até lhe chamamos o creative random universe porque nós temos gente de todas as áreas criativas. Desde ilustrações, joalharia, vestuário, calçado, decoração», destaca a responsável de loja da CRU.

O hub criativo «será sempre um espaço passageiro» que ajuda as marcas e os designers a implementarem-se no mercado. «[A CRU] Será sempre um parceiro de crescimento. É esse o nosso objetivo, é tentar ter o máximo de conhecimentos para que o possamos partilhar. Nós temos loja online, [os designers] têm a possibilidade de colocar na loja da CRU no quarteirão das artes e depois ter a análise matemática da venda, ou seja, o nosso propósito aqui é fazer uma curadoria às coleções para permitir que os designers tenham cada vez mais um sell out maior para poderem viver disso», aponta Virgínia França. «Ou seja, eu, mediante o tipo de cliente que se interessa mais ou menos por A ou B, essa é a percentagem que vou dar às marcas que represento para que elas possam também evoluir para outros mercados. Portanto, faço aquela análise não tão bonita que tira completamente a beleza e a criatividade», acrescenta.

Urgência e paz de espírito

A loja online da CRU foi criada durante a pandemia, um processo que foi acelerado exatamente para fazer face à situação sem precedentes. «Nós acelerámos o processo precisamente porque começamos a receber emails e mensagens, tanto no Instagram como no Facebook, de clientes que queriam saber como nos continuar a apoiar, porque precisavam da CRU para presentes de aniversário e para envios», admite.

Apesar da pandemia ter provocado uma quebra que ronda os 45%, a aposta do mercado nacional no “made in Portugal” transmite alguma «paz de espírito». «Se continuarmos como estamos pelo menos não vamos quebrar mais, o que nos dá assim alguma paz de espírito porque já ouvimos falar em números muito complicados e felizmente e porque podemos contar com os nossos clientes portugueses e que nos têm introduzido ainda a mais clientes portugueses, tem sido essa a forma de controlar mesmo a quebra que seria prevista», justifica.

Unir objetivos

A Between Parallels, uma associação de design sustentável criada em janeiro, cujo propósito é «poder partilhar fornecedores, descrições ou formações do que é a sustentabilidade», uma vez que «há pouca informação na área», partilha alguns objetivos com a CRU sob a forma de uma iniciativa de responsabilidade social. «No fundo é um objetivo comum, é dar mais oportunidades a todas as novas marcas emergentes, designers independentes, a pessoas que estão a começar negócios», reforça Virgínia França.

De mãos dadas, a CRU e a Between Parallels estiveram presentes na última edição da Modtissimo para apresentar todo o seu portefólio de marcas e mostrar que o sustentável «não tem de ser velho para estar na moda». «É um bocadinho esse o intuito da associação e também participar em várias feiras internacionais, para podermos chegar ao maior número de pessoas e mostrar o que fazemos em Portugal. Como coletivo é mais fácil que as marcas mais pequenas também possam participar nessas feiras internacionais», conclui a responsável de loja da CRU.