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CTC aposta nos equipamentos e sistemas

Portugal está a criar uma nova geração de máquinas para a indústria do calçado. A Nike e a Ecco já são clientes de referência do novo nicho da indústria nacional, que também tem conquistado encomendas de fabricantes têxteis, de produtos alimentares e componentes automóveis em todo o mundo, conforme foi divulgado pelo Expresso. O motor da nova tendência é o Centro Tecnológico do Calçado (CTC) que, em apenas três anos, conseguiu desenvolver 60 novos equipamentos e sistemas numa parceria com 17 empresas e instituições científicas portuguesas, sem esquecer a vertente comercial: a tecnologia de ponta «made in Portugal» está já a ser exportada para mais de 20 países, do Canadá à Austrália. É a segunda fase da revolução iniciada com o FACAP (1996-2000) para colocar a indústria nacional na elite mundial da tecnologia do calçado. Com o FACAP (Fábrica do Calçado do Futuro), Portugal criou 44 novos equipamentos e conquistou a liderança mundial no sistema de corte por jacto de água. Agora, no âmbito do FATEC (2002-2005) foram exploradas 12 áreas de acção, com destaque para logística, robotização, produção, laboratórios e sistemas de informação, num investimento total de 12 milhões de euro. «O FATEC (Fábrica de Alta Tecnologia do Calçado) é o rosto da segunda geração de novas soluções vocacionadas para toda a cadeia de valor da indústria do calçado, actuando desde os curtumes e componentes até aos sapatos», disse ao Expresso Leandro Melo, director-geral do CTC. Para o consórcio de 18 entidades envolvidas no projecto, o principal objectivo foi «desenvolver tecnologia e criar equipamentos mais simples, mais flexíveis, mais pequenos e mais baratos», refere o director-geral do CTC. No caso do sistema de corte por faca «Punchet», o preço é 60% do custo de soluções estrangeiras disponíveis no mercado. A procura por fábricas de calçado e centros tecnológicos de todo o mundo está a incentivar as entidades promotoras a pensar na terceira geração do projecto, provavelmente ainda este ano. Outro indicador positivo é a adesão de outros sectores de actividade a estes equipamentos. Em França há fábricas de peixe congelado e de bolos a usar as novas máquinas de corte portuguesas, nos EUA há uma máquina nacional a cortar couro para volantes de automóvel e, em vários países, há industriais de mobiliário que compram, também, esta tecnologia. «No FACAP criamos máquinas de grande dimensão. A segunda geração foi criada à medida da nova realidade da indústria nacional, a pensar na rapidez da resposta, na flexibilidade e diversidade da oferta», explicou Leandro Melo. Para o consórcio de empresas e instituições que colaboraram com o CTC, o cliente alvo desta segunda geração são fábricas de média dimensão, com necessidade de refrescar permanentemente as suas colecções. No FACAP, um equipamento Cuterjet (sistema integrado de corte por jacto de água) teve um custo comercial de 300 mil euro. Na 2ª geração, o novo sistema de corte Samplejet ronda os 75 mil euro. Assim como nos sapatos, o principal concorrente nacional é a Itália. Em valor, estes equipamento s representam um volume de negócios anual de €70 milhões, 50% do qual relativo a exportações. Estas iniciativas tiveram também o efeito virtuoso de impulsionar a criação de novas empresas à volta do CTC, em S. João da Madeira. O rosto mais visível deste nicho é a CEI ? Companhia de Equipamentos Industriais, fundada em 1996 e líder mundial dos sistemas de corte por jacto de água. Mas há outras unidades como a Zipor (1998), especializada em equipamentos de laboratório, e a Inocam (2001), produtora de «software» para tecnologias de informação e de aplicações para ligar sistemas.