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Custos de morada

A 5th Avenue, em Nova Iorque, volta a arrecadar o pódio da localização de retalho mais cara do mundo, onde as rendas atingiram os 33.812 euros anuais por cada metro quadrado. Na capital portuguesa, mora no Chiado o peso-pesado das rendas, com 1.170 euros anuais, o que representa a subida de uma posição no ranking desde o ano passado, ocupando agora o lugar 37.

Na 27ª edição do estudo “Main Streets Across the World” publicado anualmente pela consultora Cushman & Wakefield, que alinha as localizações de retalho mais caras do mundo, o top 10 mostra não ter sofrido grandes alterações desde 2014. Nova Iorque (5th Avenue), Hong Kong (Causeway Bay), Paris (Avenue des Champs Elysees), Londres (New Bond Street), Milão (Via Montenapoleone), Zurique (Bahnhofstrasse), Tóquio (The Ginza), Seul (Myeongdong), Viena (Kohlmarkt) e Munique (Kaufinger/Neuhauser) ocupam os 10 primeiros lugares, com valores de renda anuais por metro quadrado que vão de 33.812 euros para a cidade americana aos 4.440 euros para a cidade alemã. A edição de 2015 revela também que, em termos globais, as rendas subiram 35%.

Ainda que o comércio eletrónico tenha crescido de forma exponencial nos últimos 10 anos (ver Europa domina e-commerce), alterando rapidamente muitas indústrias, o segmento representa um peso reduzido na globalidade das vendas do retalho.

Em última análise, as lojas físicas permanecem como a parte mais importante da experiência de compras, na medida em que oferecem a possibilidade de interação com o produto, gratificação instantânea para o consumidor, serviço personalizado e orientação profissional na escolha (ver Moda entre quatro paredes).

E é neste sentido que o estudo “Main Streets Across the World” se revela importante, ao incluir uma análise do mercado de retalho a nível global, monitorizando e ordenando as mais de 500 localizações de comércio, num total de 65 países. O ranking apresentado é baseado no valor de renda anual mais elevado em cada país analisado, não incluindo custos de condomínio, impostos locais e outras despesas de ocupação.

O caso português

Em Portugal, a localização mais cara fica no carismático Chiado, em Lisboa, tendo subido uma posição no ranking desde 2014, ocupando agora o lugar 37, com 1.170 euros anuais por metro quadrado.

Segundo Marta Esteves Costa, diretora do departamento de pesquisa e consultoria da Cushman & Wakefield, «estes resultados refletem a dinâmica crescente no comércio de rua em Lisboa, e para o qual tem vindo a contribuir largamente o crescimento massivo dos fluxos de turismo. A aposta nos conceitos de proximidade e conveniência é hoje evidente, bem como a diferenciação, inovação e exclusividade».

Os valores de mercado traduzem esta evolução do sector e, com aumentos anuais desde 2013, a renda prime no Chiado situa-se atualmente nos 97 euros por metro quadrado/mês e na Avenida da Liberdade nos 87,5 euros por metro quadrado/mês. Também no Porto se verifica um dinamismo no sector, tendo a renda na Rua de Santa Catarina – artéria comercial da baixa da Invicta – aumentado para os 45 euros por metro quadrado/mês.

«A curto prazo a oferta prime em Lisboa, particularmente na Avenida da Liberdade, irá aumentar com projetos emblemáticos a serem alvo de reabilitação urbana. Isto irá permitir ao sector de luxo ganhar cada vez mais massa crítica e posicionar a Avenida como o local de eleição das marcas. Também o centro do Porto está igualmente ativo e com perspetivas de manutenção desta tendência», considera Marta Esteves Costa.

A responsável pela pesquisa e consultoria da Cushman & Wakefield aponta ainda o protagonismo recente da zona dos Clérigos como indicativo de que a Avenida dos Aliados poderá, em breve, surgir como «um novo destino de marcas mais exclusivas na cidade, dado os vários projetos de reabilitação urbana previstos para o local».

Ainda de acordo com a informação divulgada no relatório da Cushman & Wakefield, as placas tectónicas da economia global mostraram alterações em 2015, na medida em que as forças de mercado abandonaram as economias emergentes em detrimento das economias avançadas.

Espera-se que a economia mundial cresça 2,5% em 2015, consistente com as performances anuais desde 2012. Contudo, a contribuição dos mercados emergentes para este crescimento revela-se tímida, uma vez que as economias chinesa, brasileira e russa abrandaram ou, até, contraíram (ver Emergentes fora de moda). As melhorias nas economias avançadas, sobretudo nos EUA e Reino Unido, ajudaram, porém, a balançar esta mudança de performance dos emergentes.