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Dança de cadeiras em Paris

O rumor já andava de boca em boca ontem e a confirmação, ao contrário do habitual, não se fez esperar. Depois de 14 anos ao leme dos destinos criativos da Lanvin, Alber Elbaz está de partida, com aparente mágoa na bagagem. A recente saída de Raf Simons da Dior deixa já espaço nas mentes mais imaginativas para uma eventual troca de nomes entre as duas icónicas casas de moda parisienses.

Alber Elbaz abandonou a casa Lanvin, depois de lhe ter dedicado os últimos 14 anos da sua vida. A notícia apanhou de surpresa o planeta moda, que ainda mal se tinha refeito da inesperada saída de Raf Simons da Dior há uma semana atrás. «Lanvin e Alber Elbaz terminaram a sua colaboração», revelou ontem a casa de moda parisiense à AFP, confirmando a informação publicada pelo WWD. Em comunicado, a Lanvin afirma que «ela acabou hoje» com essa longa parceria e agradeceu ao designer «pelo capítulo que escreveu na sua história de mais de 125 anos».

Numa carta a título pessoal que se propagou na Rede à velocidade luz, Alber Elbaz afirma ter «abandonado a casa Lanvin por decisão da sua acionista maioritária», a milionária chinesa Shaw-Lan Wang. E diz «esperar» para a marca «um projeto empresarial que lhe proporcione o impulso necessário» para ter «o alto futuro que merece entre as grandes marcas do luxo francês»

«A partida de Elbaz vai certamente alimentar as especulações, segundo as quais poderá no final suceder a Simons na Dior – ou pelo menos alargar o círculo das cadeiras musicais nas mais altas esferas da moda», sustenta o WWD.

«Os rumores circulam, mas o processo de substituição na Dior será longo e não se fará em dois dias, esta casa sempre levou o seu tempo a escolher os criadores, por vezes até meses», afirmou Arnaud Cadart, analista no segmento do luxo na CM-CIC, à AFP.

Segundo um outro analista que preferiu manter-se no anonimato, «Alber Elbaz estava menos presente mediaticamente nos últimos tempos e ressentia-se uma lassidão na sua atitude, estava menos radiante. E depois 14 anos é muito tempo, ele estava provavelmente cansado, ou até em divergência com os acionistas do grupo, o que pode acontecer quando se representa uma marca durante tantos anos». Mas este especialista sublinha que embora Elbaz tenha sido o responsável «pela ressurreição de uma casa morta, ele foi ultrapassado mediaticamente nos últimos tempos por outros criadores como Olivier Rousteing na Balmain».

Fundada por Jeanne Lanvin em 1889, a Lanvin é a mais antiga casa de moda francesa em atividade,. Em 2001, a L’Oréal cedeu a marca a um grupo de investidores liderado por Shaw-Lan Wang. Depois de 35 anos a acumular prejuízos, a Lanvin retomou o caminho da rentabilidade em 2007. Mas de 2013 para 2014, o volume de negócios da casa caiu 9%, passando de 186 milhões para 168 milhões de euros. Os resultados líquidos baixaram para quase metade, de 5,6 milhões para 2,9 milhões de euros. A marca detém atualmente 35 lojas próprias e 26 pontos de venda em regime franchising.