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Das ruas para a passerelle

Scott Shuman, fotógrafo norte-americano convertido em guru da moda, mundialmente conhecido graças ao blog The Sartorialist, assegura que na moda o que conta é «a personalidade e a elegância», e demonstra-o com as suas fotos de «gente normal» que marcam as tendências da rua. Shuman, que visitou Espanha pela primeira vez a convite de um centro comercial outlet de Las Rozas, em Madrid, participou numa mesa redonda onde explicou como os improvisados modelos urbanos que teve oportunidade de fotografar se converteram em tendências de moda. Gente sem casa, jovens colegiais ou a caminho das discotecas, rapazes vestidos com o estilo dos futebolistas ou idosos cheios de estilo descobertos nas ruas das suas cidades, destilam elegância nas fotos de Shuman – agora compiladas em livro já à venda – porque, segundo a sua forma de ver a moda, «são autênticos». As séries de fotos de Shuman são consultadas diariamente por «todos» os grandes designers, mas também por qualquer pessoa interessada em moda, incluindo os 1.500 alunos da sua escola, afirmou Marisa Santa María, directora do Instituto de Diseño, que actuou como moderadora do debate. Segundo apontou a designer Cármen March, na realidade Shuman «está a fazer a mesma foto há muito tempo» porque, afinal, «fotografa apenas o que gosta», sempre com «a mesma cor, o mesmo estilo, a mesma personalidade», porém sempre fora das tendências. O trabalho de Shuman demonstra como a moda se “retroalimenta”: Shuman fotografa gente na rua porque algo na sua indumentária lhe chama a atenção, incluindo um indigente ou um cowboy, como já foi o caso. Depois, um importante designer vê essas fotos e, a partir delas, cria uma tendência. é nas margens onde vivem as modas, indicou a especialista em moda Carla Royo Villanova, porque a rua, afinal, é um compêndio de tendências que as pessoas rompem e nada mais, como os representantes das diferentes tribos urbanas tão bem demonstram nas fotos de Shuman. Se não sabe o que é um “cool hunter”, nem partilha do “street style”, não se preocupe: «para vender roupa não temos outro remédio que não pôr nomes nas tendências, porém, a ele, só interessa a elegância», explica March referindo-se a Schuman. E acrescenta: «além disso, as “fashion victims” estão fora de moda». Com a edição do blog – que recebe mais de 100 mil visitas diárias – Scott Schuman conseguiu em apenas um ano ser qualificado pela revista Time como «uma das 100 pessoas mais influentes do mundo do design».