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De olhos postos em África

As exportações de têxteis e vestuário africanas com destino aos EUA poderão quadruplicar ao longo da próxima década, atingindo os 4 mil milhões de dólares, graças à extensão do acordo de isenção de taxas alfandegárias entre ambos os territórios.

O programa de comércio, conhecido como Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), garante aos países subsarianos elegíveis, acesso livre aos principais mercados de vestuário mundiais, concedendo ao continente africano uma vantagem competitiva face a outros fornecedores, como o Bangladesh e o Vietname. A administração dos EUA já solicitou ao Congresso a renovação do programa, em antecipação à sua data de expiração a 30 de setembro de 2015.

O programa, para o qual são elegíveis cerca de 40 países africanos, vai ser estendido por mais 10 anos. «Dez anos representarão uma mudança», afirma Gail Strickler, assistente de representação comercial dos EUA para a categoria de têxteis e vestuário, acrescentando que «África deverá ser capaz de quadruplicar as suas exportações, literalmente, e sem muita dificuldade, criando 500.000 novos postos de trabalho».

Estabelecida em 2000, a AGOA foi já renovada em 2008, a data de expiração original do acordo. No ano passado, as importações americanas de vestuário proveniente de países subsarianos atingiram os 986 milhões dólares, um aumento de quase 6% desde 2013, com países como o Lesoto, Quénia, Etiópia e Tanzânia a integrarem o programa. Os analistas afirmam que o continente africano dispõe de matérias-primas abundantes e baixos custos laborais, como o algodão de qualidade superior do Uganda, mas os portos congestionados do continente, uma rede rodoviária deficitária, falta de competências especializadas e tecnologia desatualizada são um obstáculo.

«Ainda que os custos estejam a aumentar na Ásia, são ainda mais competitivos do que em África, especialmente na produtividade, qualidade e variedade de produtos», aponta Joseph Nyagari, representante da Federação de Algodão Africano e Indústrias Têxteis, baseada em Nairobi. Representantes governamentais africanos e empresas asiáticas com fábricas em África mostraram-se otimistas face à extensão do AGOA, afirmando que o investimento no sector será o próximo passo. Kelebone Leisanyane, diretor-executivo da Corporação de Desenvolvimento Nacional do Lesoto, revela que a nação sul-africana, um exportador de topo no âmbito da convenção AGOA, está a planear a construção de duas novas fábricas de tecido no país.

«Creio que para o Lesoto, o AGOA é crítico e a sua renovação significa a sobrevivência de muitas famílias, com cerca de 35 mil trabalhadores na indústria têxtil e vestuário», explica Leisanyane. A empresa de Taiwan, New Wide Garment, que detém seis fábricas no Quénia e uma no Lesoto e na Etiópia, também pretende expandir. «Agora, com uma extensão de 10 anos, isso significa que a maioria dos investidores se irá voltar para África. Pretendemos expandir mais em África», refere Heman Boodia, vice-presidente da delegação da empresa em África.