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De olhos postos no consumidor Z

No horizonte do retalho, a geração Z está a assumir-se como o mais nítido alvo demográfico – informação particularmente relevante para as marcas, considerando que estes consumidores adoram compras, mas são muito seletivos.

O que já se sabe sobre os consumidores Z (ver À conquista da geração Z)? Gostam de fazer compras, apreciam promoções, preferem comprar online mesmo sabendo que, na maioria das vezes, vão devolver os artigos, pesquisam sem a intenção de comprar, reúnem ideias de compras nas redes sociais e deixam-se inspirar pela organização das lojas.

Essas são apenas algumas das conclusões de um novo relatório da Shoppercentric, especialista em pesquisa. A empresa realizou pesquisas online junto de mais de 1.000 consumidores da geração Z, além de fazer investigação mais aprofundada com amostras mais pequenas dentro daquele grupo de consumidores.

O relatório adverte que os retalhistas não podem ter os jovens (entre os 15 e os 24 anos) como garantidos, uma vez que, apesar de gostarem de compras, estes são consumidores verdadeiramente exigentes. «A geração Z é uma fração fascinante dentro da população de consumidores», afirma Danielle Pinning, da Shoppercentric, em declarações ao portal de tendências WGSN. «Estes consumidores cresceram num mundo verdadeiramente conectado e estão a começar a ter poder de compra», acrescenta.

Ao estudar esta faixa etária, a empresa descobriu que os seus elementos estão muito conscientes da sua influência e mais otimistas do que muitos consumidores mais velhos. Enquanto um terço dos consumidores dos grupos de idade mais avançada se sente negligenciado pelos retalhistas, apenas 20% dos Z acreditam que os retalhistas não consideram a sua faixa etária importante. Metade dos jovens defende mesmo que os retalhistas e marcas compreendem a sua faixa etária, em comparação com um terço dos restantes consumidores.

Eis as três principais chaves para decifrar o comportamento de compra desta geração.

Os consumidores da geração Z estão à procura de experiências

Contudo, o desafio para os retalhistas é que muitos destes jovens afirmam que os seus interesses vão muito além dos bens materiais. Cerca de 34% revelam preferir experiências e que nem tudo se resume a posse, contra 28% dos consumidores mais velhos.

O estudo descobriu também que os consumidores da geração Z estão mais predispostos para a persuasão e realmente gostam de comprar. Estes fazem compras (na loja ou online) pelo menos sete vezes por mês (aumentando para oito vezes por mês entre os homens nesta faixa etária).

Ir a lojas físicas e shoppings é, simultaneamente, uma busca social e um ato consumista: 52% dos consumidores da geração Z referem que fazer compras é uma forma divertida de passar tempo com amigos e família, contra 44% dos compradores adultos em geral.

O comércio eletrónico é uma distração bem-vinda para a geração Z, com 62% dos jovens a concordarem que é uma ótima forma de distração, em comparação com 53% dos compradores mais velhos. Para os analistas, há aqui um desafio, pois 70% dos consumidores da geração Z concordam que «costumam navegar online sem intenção de comprar» (contra 63% dos inquiridos mais velhos). Para estes consumidores, a opinião dos pares é importante, sendo que 28% dizem que passam muito tempo no YouTube para reunir ideias e recomendações, em comparação com 13% dos consumidores mais velhos.

A decoração e disposição dos artigos em loja são fatores importantes

Os Z citam ainda a disposição de produtos como “importante” quando fazem compras em loja e 49% concordam que usam as sugestões de apresentação da loja física e online para ideias (contra 41% da população adulta).

Os Z usam os smartphones em loja com maior frequência, com 53% a concordarem que usar o smartphone significa obter melhores informações, que por sua vez os ajudam a decidir o que comprar – em comparação com 38% dos consumidores mais velhos.

Os membros da geração Z adoram promoções – mais ainda do que todos os outros consumidores – e 48% concordam que tendem a comprar os itens mais baratos para poderem comprar mais coisas, em comparação com apenas 29% dos seus homólogos mais velhos. A par disso, 62% informam sentir-se tentados a comprar um item apenas por este estar em promoção, versus 55% dos inquiridos mais velhos.

O digital é tudo para esta faixa etária. Esta geração está a crescer na rede e 97% têm computador, 96% têm smartphone e 63% têm tablet.

Quando compram online não têm nenhum problema em comprar mais artigos do que precisam, devolvendo aquilo que não querem. De facto, 28% dos elementos da geração Z concordam que compram muitas coisas online sabendo que vão devolvê-las – em comparação com apenas 10% dos consumidores mais velhos.

Apreciam o risco

Estes jovens são mais impulsivos e estão dispostos a assumir mais riscos do que os consumidores mais velhos – por exemplo, 44% dizem que muitas vezes compram coisas na Internet que não tinham planeado comprar, contra 32% dos inquiridos mais velhos.

A entrega rápida é também vital para a geração Z, com um em cada cinco dos seus elementos a colocar a receção da encomenda no mesmo dia ou no dia seguinte nos três fatores mais importantes para fazer compras online – em comparação com um em cada 10 consumidores mais velhos.

«Estamos todos cientes de que a geração Z fica facilmente entediada e presta atenção durante um período muito curto mas, no polo oposto, é muito confiante e tem um ótimo sistema de apoio promovido pelas redes sociais que a ajuda a gerir o risco quando escolhe o que fazer e o que comprar», aponta Pinnington.

O estudo da Shoppercentric ressalva também que:

  1. 79% dos Z usam o Facebook, versus 66% dos consumidores mais velhos.
  2. Destes, 24% usam-no regularmente para entrarem em contacto com retalhistas ou marcas.
  3. 50% dos elementos da geração Z usam o Instagram, versus 17% dos consumidores mais velhos.
  4. Destes, 41% utilizam-no regularmente para entrarem em contacto com retalhistas ou marcas.
  5. 49% dos Z usam o YouTube, contra 27% dos consumidores mais velhos.
  6. Destes, 32% utilizam-no regularmente para entrarem em contacto com retalhistas ou marcas.
  7. 41% dos membros da geração Z usam o Twitter, contra 26% dos consumidores mais velhos.
  8. Destes, 48% utilizam-no regularmente para entrarem em contacto com retalhistas ou marcas.