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Decoração na mira da SMBM

A especialista em fiação está a diversificar o seu portefólio e o universo da decoração é a aposta mais forte, nomeadamente no mercado belga. Novos investimentos estão igualmente no horizonte da SMBM, que quer acrescentar fios mais finos e até fios técnicos à oferta.

Maria de Belém Machado

As tecelagens belgas que produzem para a área da decoração são um dos alvos mais recentes da SMBM. «É uma coisa que nos interessa», revela, ao Portugal Têxtil, Maria de Belém Machado, mas ressalva que «estamos ainda a fazer prospeção de mercado» e «não é fácil». Para ajudar aos esforços «estamos a pensar em arranjar um agente», acrescenta a administradora. «Queremos sair um bocado da nossa tradição, que eram as malhas e os têxteis-lar, para ir também para as decorações», explica.

Além dos alvos ao nível dos mercados, a produtora de fios está também a inovar no que diz respeito à oferta. «Procuramos acompanhar as tendências, fazer a nossa moda e acompanhar a moda», aponta Maria de Belém Machado. A mais recente coleção inclui linho, algodão orgânico, seda e poliéster, em versões flamé, com e sem borbotos. «O nosso artigo é para uma gama média-alta. Não queremos competir com a China nem com a Turquia – não queremos estar aí», afirma.

Também por isso, a sustentabilidade é hoje uma preocupação. «Temos algodões orgânicos, temos kapok… O mercado tem acompanhado, mas nós influenciamos, apresentamos e promovemos estas matérias-primas com menor pegada ecológica, estamos sempre a tentar acompanhar para um bom desenvolvimento do planeta», sublinha.

Investimentos a caminho

Espanha, Itália e Canadá, além de Portugal, fazem parte da lista dos principais mercados da SMBM, que está a preparar um novo projeto de investimento, ao abrigo do Portugal 2020. «Vamos submeter a candidatura até ao final do ano. Trata-se de um projeto na ordem dos 1,2 milhões de euros para um novo processo de fabrico. Penso que em meados do ano que vem vamos fazer esse investimento», anuncia ao Portugal Têxtil.

Numa segunda fase, a empresária, que no verão deste ano passou a ser a principal acionista da Tearfil, pretende «renovar a fiação toda. Aí é para nos envolvermos já em fios mais finos, não tão concorrenciais com a Turquia – fazer compactos e, de certa maneira, até tentarmos entrar nos técnicos», assegura.

A empresa especialista em fiação, que emprega 76 pessoas e produz cerca de três toneladas de fio por dia, registou em 2018 um volume de negócios de 2,7 milhões de euros, um valor mais baixo do que no ano anterior, em resultado de uma mudança de estratégia. «Tentámos desviar-nos das malhas e do grupo Inditex e começámos a projetar-nos mais para os têxteis-lar, onde se fazem desenvolvimentos a mais longo prazo e, por isso, o retorno é muito mais demorado», justifica Maria de Belém Machado, que para 2019 prefere não fazer previsões. «Este ano é muito atípico. Tivemos meses muito bons, outros nem tanto. Não se consegue prever», conclui a administradora da SMBM.