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Denim inova Pé de Chumbo

Perante as dificuldades causadas pela pandemia, a Pé de Chumbo apresentou uma coleção que representa o contraste entre a dureza da atualidade e um tom mais otimista. O denim foi a grande novidade numa coleção que apela ao reaproveitamento, tal como a marca, que se adaptou à nova realidade, tem vindo já a habituar.

[©Portugal Fashion]

Na próxima estação quente, “A primavera volta sempre” e estará de regresso com cores como o preto, o branco e o azul que predominaram nas criações da Pé de Chumbo. «É um alerta, um repensar de tudo o que está a acontecer. O tema é a primavera volta sempre, porque ela voltará. Quis juntar um bocadinho a sensibilidade, com aqueles brancos, as rendas, e a dureza do que estamos a sentir e também do que possamos vir a sentir», explica Alexandra Oliveira, designer e fundadora da marca.

Nas novas propostas destaca-se uma estampagem florida, por não ser trivial nas coleções da Pé de Chumbo. As peças coloridas juntamente com a riqueza das texturas características da marca, também saltaram à vista para ecoar o contraste com os restantes coordenados da coleção e com os vários elementos e criações em denim onde a palavra de ordem foi reaproveitar.

Alexandra Oliveira [©Portugal Fashion]
«Tudo é reciclado. Temos algodões reciclados de restos de fábricas. T-shirts, a parte branca é toda feita com isso e a parte daquelas riscas dos fios é tudo também reaproveitamentos de coisas que estavam em armazém, que deu para fazer a coleção», revela ao Portugal Têxtil. «Não sei se dará depois para produções, mas para já é tudo e tentamos que sejam reciclados. Já pedimos a outras fabricas, que fazem fios, stocks para conseguirmos usar e reaproveitar», acrescenta.

Disparidades e um produto específico

Atualmente, a Pé de Chumbo está presente em mais de 100 lojas espalhadas por 25 países nos cincos continentes e, ainda que Itália e os EUA sejam o foco para mais pontos de venda, a Turquia assume-se como o maior cliente. A chegada do coronavírus desencadeou, contudo, «muitas» diferenças entre os vastos mercados.

«Este verão nunca fui a uma feira que corresse tão mal como correu este ano em Paris. Nunca fui a Itália como corresse tão mal como este ano com esta coleção, porque as pessoas não vão», afirma Alexandra Oliveira.

[©Portugal Fashion]
«Fizemos Milão e fizemos a White em Paris e não fomos aos EUA. As feiras, este ano, não têm gente, portanto, este verão acho que ainda vai ser muito pior que os anteriores porque as pessoas não se puderam deslocar para fazer compras. Estamos nas plataformas online, vamos tentar vender, contactar os clientes mas….», expressa a designer ao refletir sobre o desempenho do digital.

«Não temos muitas vendas online, temos um produto muito específico que tem de ser vestido e que é complicado ser vendido online. Já começamos a ter pessoas que já vestiram e que conhecem o nosso trabalho. No entanto, não são peças que se comprem assim online», admite.

Compensar falhas

Com 20 pessoas a cargo na empresa e a necessidade de viver «um dia de cada vez, a pensar sempre no futuro» e a «combater» muitos obstáculos como a pandemia, adaptar foi essencial para «compensar a falha de encomendas». Neste sentido, a Pé de Chumbo liderou uma iniciativa que reuniu várias empresas para doar equipamentos de proteção individual.

[©Portugal Fashion]
«As nossas coleções diminuíram, as nossas encomendas diminuíram muito e nós tínhamos a oportunidade de fazer alguma coisa. O Hospital de Guimarães começou com muitas carências, tivemos conhecimento delas e começamos a tentar resolver. A seguir ao hospital de Guimarães vieram muitos hospitais, fizemos muitas centenas de unidades de proteção doadas. Depois começámos a certificar algumas, enviámos propostas e vamos fazendo também algumas coisas», garante Alexandra Oliveira.

«Não é uma área de negócio, é uma área que vai compensar a falha que temos, mas já vazou um bocadinho. Continuamos com uma linha para material hospitalar ou para outras coisas que nos surjam, para compensar a falha de encomendas que temos», esclarece.

Para o futuro, sem expectativas, a designer espera «que a primavera volte e volte como as que passaram». «Neste momento, sinceramente, não tenho expectativas para o próximo ano, estamos a tentar manter-nos», conclui.