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Desafio à inovação

Estas opiniões surgem num momento em que a marca apresenta o pior desempenho do grupo epónimo a que pertence, tendo registado uma quebra de 5,7% nas vendas do último trimestre do ano. Estes valores refletem-se em comparações anuais, com a performance global da Gap a descer 5%, enquanto as restantes marcas do grupo, Banana Republic e Old Navy, assistiram a uma estagnação e crescimento de 5% das vendas, respetivamente, face ao ano anterior. «Num mercado americano cada vez mais preenchido por marcas europeias, como a H&M e a Zara, a inovação é algo que se tornará progressivamente mais importante», afirmou Stephen Ward, analista da Conluming. O problema central da marca prende-se com a sua falta de criatividade e relutância em alterar as coleções a cada estação. Ward explica que «em resultado, os clientes tendem a comprar segundo um ciclo de substituição, em vez de se sentirem inspirados para comprar novos produtos». Por sua vez, esta medida conduz à aplicação de elevadas promoções que têm por objetivo estimular as vendas, criando no cliente a relutância em comprar sem desconto. Ward acredita, também, que o investimento da Gap em produtos básicos a expõe à incapacidade de concorrer com as rivais H&M e Primark, que oferecem preços mais competitivos nessa gama de produtos. A delonga na escolha de um novo diretor artístico, depois da demissão de Rebekka Bay em fevereiro, também «expõe de forma reveladora a desatenção da marca face à inovação de moda e design», acrescenta Ward. Entretanto, a Banana Republic tem feito progressos sob a direção de Marissa Web e os seus novos produtos são «exatamente o tipo de pensamento inovador de que a Gap necessita mas que frequentemente evita». Como agravante, a Gap encontra-se ainda aquém na execução do plano de agilização da cadeia de fornecimento da marca, estipulado pela empresa em abril do ano passado, e que prevê que 50% do provisionamento dos seus produtos integrarão uma cadeia de abastecimento responsiva até 2016. A analista da FBR&Co. Susan Anderson adiante que os progressos poderiam ser «acelerados» mediante a diminuição dos prazos de entrega e de reposição de itens essenciais e através de compras mais eficientes.