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Desequilíbrio de género mais evidente no vestuário

Segundo novos dados, ainda que as mulheres representem quase metade da força de trabalho global, apenas um quarto detém cargos de gestão e um terço com função de supervisão.

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Um estudo realizado pela organização empresarial Sedex mostra que os desequilíbrios de género são particularmente comuns na indústria de vestuário, na qual as mulheres estão em maioria.

A análise, que revela as perceções sobre os papéis de género nas cadeias de aprovisionamento globais, concluiu que os sectores da agricultura e confeção de vestuário são os que evidenciam maiores desequilíbrios entre homens e mulheres, comparando a composição da força de trabalho com a igualdade.

Denominado “Driving gender equality through data on global supply chains”, o relatório escrutina dados de 42 mil locais de negócio, em 143 países e com 12,5 milhões de trabalhadores e descobriu que apenas 7% dos locais de trabalho separam os dados das queixas dos trabalhadores por género, apesar disso ser fundamental para entender as problemáticas do ambiente, uma vez que têm um maior impacto sobre as mulheres, além das ações de correção que este método poderia gerar positivamente.

Entre várias outras perceções, na prática, as mulheres têm menos probabilidade de serem promovidas, com uma média de 38% das promoções no ano passado e 62% para os homens. Pelo contrário, o estudo indica que a quota de mulheres na força de trabalho é de 69% nas atividades de saúde humana, 62% no sector de produção de vestuário e 60% em serviços para edifícios e atividades paisagísticas.

Balanço de risco

«Sem dados de género, as empresas não conseguem entender onde é que as mulheres estão em desvantagem e que progresso está a ser feito no empoderamento económico das mulheres. Ao trabalhar com os nossos membros, estamos a ajudá-los a identificar, através da nossa plataforma, onde estão os riscos de género e como podem criar melhores condições de trabalho com os parceiros em toda a cadeia de aprovisionamento», explica Jessica McGoverne, diretora de política e assuntos corporativos da Sedex, citada pelo Just Style.

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«A desigualdade entre homens e mulheres em cargos de gestão, por exemplo, pode ser uma barreira para melhores salários e oportunidades de desenvolvimento profissional e também pode ser um fator de aumento dos riscos de violência e assédio contra as mulheres no local de trabalho», aponta.

Neste sentido, o “Driving gender equality through data on global supply chains” sugere várias recomendações para empresas e entidades públicas. Entre estas recomendações estão definir objetivos e metas que promovam a igualdade de género; identificar e comprometer-se com a recolha de dados de género de modo a ser possível medir os domínios prioritários; recorrer primeiramente a dados mais facilmente disponíveis, incluindo informações como o número de mulheres e homens que existem nos locais de trabalho para estabelecer um balanço de risco; e, por último, colaborar com parceiros para alinhar estratégias que visem uma melhor recolha de dados de género.