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Design de moda a mudar o mundo

Nos três graus académicos – licenciatura, mestrado e doutoramento – de Design de Moda da Universidade da Beira Interior, a tecnologia tem um papel central, assim como o estudo e resolução de problemas atuais, do empreendedorismo à sustentabilidade, passando pela disseminação da impressão 3D.

José Lucas

Com elevada procura, tanto por parte de estudantes portugueses como internacionais, a formação superior em Design de Moda da Universidade da Beira Interior (UBI) tem ganho reputação (ver «Tudo o que fazemos é a pensar nas empresas»). Um dos motivos, aponta José Lucas, diretor do Mestrado em Design de Moda, prende-se com «o facto de aliarmos muito o design de moda com o aspeto tecnológico, em que os alunos conhecem os materiais, sabem lidar com eles, conhecem o processo, as potencialidades, para poderem desenhar as suas coleções e fazerem os seus projetos. Temos equipamentos, temos diferentes laboratórios, que permitem que eles consigam fazer trabalhos com um carácter realista muito grande». Mas são as pessoas, afirma José Lucas, que fazem do design de moda na Universidade da Beira Interior uma referência. «Esforçamo-nos ao máximo para darmos melhores condições aos alunos e eles correspondem com trabalhos interessantes», revela ao Jornal Têxtil.  «Temos tido pessoas que gostam e trabalham e nós tentamos encaminhá-las da melhora forma, fazer com que desenvolvam trabalhos interessantes e temos uma correspondência muito grande. Tentamos também aliar às pessoas que temos o apoio da própria indústria, a quem também devemos muito. E conseguimos, com algum esforço, como só pode ser, chegar a resultados interessantes», acrescenta.

Da sustentabilidade ao sem género

Solange Fernandes é uma das alunas que veio do Brasil para fazer o mestrado na UBI e está agora em doutoramento. No trabalho de mestrado usou diferentes técnicas – incluindo estamparia digital – para explorar o design de superfície; no doutoramento está a fazer investigação na área da economia circular e da economia criativa colaborativa.

Solange Fernandes

Na prática, o projeto deverá resultar numa “fashion library” digital onde os consumidores vão poder emprestar ou alugar vestuário. «O papel do designer não é só fazer o produto, também é a transformação da sociedade», defende Solange Fernandes, que é ainda embaixadora na UBI do Fashion Revolution – um movimento mundial surgido após o colapso do Rana Plaza, no Bangladesh, que matou mais de 1.000 pessoas, com o objetivo de tornar a moda mais sustentável e socialmente responsável.

Susana Marques

É igualmente na área da sustentabilidade, mas com uma vertente mais tecnológica, que Susana Marques, aluna de mestrado, está a trabalhar. «A sustentabilidade precisa de ser um caminho e nós precisamos de novas soluções. Então comecei a aprofundar os meus conhecimentos sobre tecidos e malhas na impressão 3D. A minha questão foi: e se eu juntar aquilo que aprendemos sobre os tecidos e transportar para a impressão 3D? Quero criar roupa impressa que seja vestível», explica. «O meu objetivo é tornar a impressão 3D comercial e usável e torná-la mais acessível ao público comum. Um dos maiores problemas que se enfrenta é a rigidez de materiais – quero debruçar-me sobre esse assunto», adianta.

Benilde Reis

Benilde Reis adotou uma abordagem mais próxima da realidade das empresas e da moda. A doutoranda em Design de Moda começou por, no mestrado, apresentar um estudo de caso comparativo entre a alfaiataria artesanal e a alfaiataria industrial, onde contou com a colaboração da Twintex, empresa na qual trabalhou durante três anos. Para o projeto de doutoramento, o tema selecionado foi o vestuário sem género. «Tem mais a ver com modelagem, com medidas, com o que já existe no mercado. E averiguar se continua a ser simplesmente uma tendência ou se já é um paradigma», esclarece.

A primeira doutorada

Clara Fernandes

Já Clara Fernandes é a primeira doutorada em Design de Moda no país. Apresentado em julho passado, o doutoramento teve como tema “Empreendedores em design de moda: soluções para criar o seu emprego na área do design de moda”. Entre as conclusões, Clara Fernandes destaca a necessidade de ter empreendedores desta área na própria indústria. «O empreendedorismo em design de moda é importantíssimo, tanto para empreendedores na área do design de moda como pessoas empreendedoras que sejam capazes de trabalhar em empresas na indústria. Precisamos dessas duas personalidades, sejam pessoas que trabalham por sua conta e criam emprego na área do design de moda, ou pessoas que vão trabalhar para indústria que consigam perceber uma oportunidade de mercado para a empresa onde trabalham poder crescer», refere.