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Design diferencia Rodrilinea

30 anos depois de ter sido criada, a Rodrilinea tem nos mercados internacionais os seus grandes clientes, nomeadamente junto de designers de interiores que não dispensam o cuidado com os pormenores da especialista em roupa de cama. Chegar a novos compradores noutros países é um dos objetivos da empresa para 2019.

Fundada em 1989, a história da Rodrilinea, contudo, remonta há mais tempo, com Isabel Rodrigues, fundadora e atual administradora da empresa, a contar várias décadas de experiência nos têxteis.

«Eu e o meu marido fomos para o Brasil no pós-25 de abril e foi-nos entregue uma empresa têxtil com estamparia para gerirmos», conta ao Portugal Têxtil. Sete anos depois e já com uma empresa fundada de raiz no currículo, ambos regressam a Portugal.

Com a têxtil a correr nas veias – e, abandonando, definitivamente, uma possível carreira na educação de infância, a sua formação de base –, Isabel Rodrigues cria uma empresa com outros sócios até que, sete anos depois, nasce a Rodrilinea. «Eu disse que queria abrir uma empresa pequenina onde pudesse fazer aquilo que gosto», explica a empresária. Uma realidade que perdura até hoje. «Começámos na altura com muitos estampados, fui começando os plissados e depois fui divergindo e procurando sempre fazer coisas diferentes, bonitas», revela.

A oferta da empresa está concentrada na roupa de cama, a que junta as tolhas em jogo para coordenar, mas também linha de mesa, com bordados e cetins jacquard. A gama de roupa de cama para criança teve igualmente êxito durante alguns anos, mas atualmente a dificuldade na distribuição tem travado a progressão. «Acho que as mães de hoje já não se preocupam com o enxoval dos bebés como antes», admite. «Antes vendíamos muito artigo de bebé. Hoje em dia, quando se percorre as lojas não se encontra. Também não há lojas», reconhece Isabel Rodrigues.

A confeção dos produtos da Rodrilinea é feita na totalidade dentro de portas, pelas mãos de cerca de 20 pessoas. «Compro tudo: o tecido, os felpos, as aplicações, as rendas. Mas é tudo confecionado em casa. Temos máquinas de acolchoar, máquinas de bordar…», enumera a administradora. «Temos mão de obra especializada e capacidade para fazer uma boa produção – o nosso trabalho é todo com muitos pormenores, portanto não dá para fazer a correr», assume.

Dos EUA à Austrália

Portugal é, atualmente, quase residual nas vendas da Rodrilinea. O grosso do negócio está disperso um pouco por todo o mundo, dos EUA à Austrália, passando por Espanha, Inglaterra e Alemanha. «Temos feito a feira Casa Decor, em Espanha, que tem resultado. Não são lojas, são decoradores», adianta Isabel Rodrigues.

Além desta feira espanhola, a empresa esteve igualmente presente, pelo segundo ano consecutivo, na Guimarães Home Fashion Week. «Queremos tentar abrir mais um mercado, para podermos evoluir mais um pouco, porque temos capacidade de fazer mais», garante. «Vamos tentando, com estas exposições, abrir novos caminhos», sublinha. Um desses caminhos poderá dar à Rússia. «Já trabalhámos com a Rússia, agora está em stand-by», confessa a administradora. Todavia, «todos os mercados são importantes e interessantes, desde que as pessoas apreciem realmente o nosso trabalho», acrescenta.

O ano de 2019 deverá ser essencialmente de consolidação para a Rodrilinea. «Estamos estabilizados. A mim o que me assusta muito são os tempos mortos, que tivemos na altura de crise e isso magoa muito. Felizmente não temos tido e estamos a trabalhar», assegura a CEO.