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Design é factor de diferenciação – Parte 2

Entre os casos de empresas chinesas com capacidade de incorporar o design na sua oferta (ver Design é factor de diferenciação – Parte 1), a Newel Apparel, com sede em Xangai, realiza 80% das suas vendas a partir das suas próprias concepções para marcas como H&M, Zara, Next e Esprit. Mas o proprietÁrio Tony Zhang refere que este processo requer um investimento substancial. Claro que a margem de lucro neste negócio é maior, mas as nossas despesas são também muito mais elevadas», acrescenta Zhang. A designer sul-coreana de Zhang recebe 4.726 dólares por mês, com uma comissão adicional de 2%, mais de 10 vezes o salÁrio médio do trabalhador de uma fÁbrica. Ela lidera a sua equipa de três pessoas, usando a sua maior exposição às tendências da moda para orientar os criadores locais sobre as novas colecções, as quais são apresentadas aos compradores da empresa no showroom em Xangai. De momento, estamos apenas no ponto de equilíbrio», afirma Zhang, acrescentando que muitos compradores estão a utilizar o reminiscente do seu orçamento para comprar os nossos desenhos» em vez de adquirir uma série completa de desenhos chineses. As empresas chinesas ainda precisam da ajuda dos seus clientes para trazer os modelos para o mercado. Os clientes de Zhang enviam relatórios de tendências e orientações sobre os seus pontos de preço para ajudar a sua equipa, mas a maioria dos designers locais tem dificuldade em compreender a moda Ocidental. Se queremos chegar ao palco internacional, temos um longo caminho a percorrer», sustenta Zhang, acrescentando que precisamos de formar mais pessoas e importar mais professores da Europa». Enquanto isso, na índia, tal como na China, com a produção de vestuÁrio a abandonar os países desenvolvidos, as empresas locais também começam a oferecer um pacote completo de serviços, incluindo o desenho. Ao longo dos últimos anos, os importadores têm recebido modelos fabricados na índia», revela Sambasivam Sivanathan, secretÁrio da associação de exportadores de têxtil e vestuÁrio de Erode, um importante centro de produção de têxtil no Sul da índia, embora os designers estrangeiros ainda nos visitem duas vezes por ano durante a época das amostras, mas estão agora a desempenhar um papel mais de suporte, dando ideias gerais aos designers locais». A empresa Spykar, com sede em Bombaim, começou recentemente a comercializar os seus produtos com a sua própria marca no Reino Unido e na AustrÁlia. A empresa contrata especialistas nestes países para ajudar a sua equipa de concepção indiana. Esse talento local direcciona os desenhos e os designers indianos executam-nos», explica o director de marketing da Spykar, Sanjay Vakharia. Os designers indianos que trabalham para a Spykar são todos qualificados em institutos profissionais como o National Institute of Fashion Technology, que possui oito centros em todo o país. Sivanathan concorda que os criadores locais são bem treinados e estão a melhorar rapidamente, mas não podem fazer face à perícia dos designers estrangeiros, que, segundo ele, teriam sempre um maior controlo sobre as escolhas dos clientes. Os designers indianos não estão acostumados a desenhos loucos como os enviados para nós pelos importadores», declara Sivanathan. Vakharia descreve a indústria indiana de concepção como muito incipiente» e refere que falta aos designers locais a exposição internacional.