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Design vale vendas

Presente em mais de 25 países, a Pé de Chumbo, marca da designer Alexandra Oliveira, continua a surpreender pela criatividade e inovação que insere em cada peça.

Em Portugal, segundo Alexandra Oliveira, a marca ainda não é muito conhecida, representando apenas cerca de 20% do volume de negócios da Pé de Chumbo, mas desde 2008 que a designer, sediada em Guimarães, não para. «Estamos em todos os continentes, um pouco por todo o mundo», afirmou, apontando Itália e EUA como os países onde tem mais pontos de venda.

Consumidoras de 25 países rendem-se, a cada estação, às propostas diferenciadoras da Pé de Chumbo, onde os desenhos e os tecidos e malhas convencionais ficam quase sempre à porta. «Temos um produto distinto, porque fazemos tudo. Compramos o fio e não temos malha nem tecido – é um processo que criámos e temos vindo a desenvolver e há clientes que nos procuram por causa disso», revelou Alexandra Oliveira ao Jornal Têxtil 200 (novembro 2015).

O processo criativo arranca com a seleção de um material – que pode mesmo incluir desperdícios de uma confeção, como já aconteceu numa das mais bem sucedidas coleções da marca, ou ráfia, que é usada na coleção para a próxima primavera-verão. «Começa tudo pela experimentação, que é o que gosto de fazer», reconheceu Alexandra Oliveira. Sentada numa máquina de costura, e recorrendo a técnicas que ela própria desenvolve, a designer cria a base a partir da qual surgem as formas da coleção. «Vou vendo o que posso fazer com o material. Não há corte nem tecido», referiu, o que torna o processo de produção mais complicado do que o habitual. «São peças que se tornam difíceis de reproduzir. Quando iniciamos a produção de uma coleção, tem de haver um processo de aprendizagem, mesmo para as pessoas que trabalham comigo», explicou.

Atualmente, 20 pessoas trabalham com Alexandra Oliveira na Pé de Chumbo, que tem ainda uma loja própria em Guimarães. Aliás, ser mais conhecida em Portugal é um dos objetivos. «Acho que comecei ao contrário e é altura de dizer “estou aqui”. Neste momento tenho o negócio montado, tenho vendas que já são consideráveis e não tenho imagem», reconheceu. A presença num evento de moda pode, por isso, ser o passo seguinte. «Fazer um desfile traz uma imagem que posso depois aproveitar para mostrar lá fora», apontou.

O outro objetivo passa por um crescimento da marca, cujos preços de venda ao público variam, geralmente, entre 100 e 500 euros. «Quero crescer mais, mas de forma sustentada. As minhas peças são difíceis de fabricar, por isso não consigo entregar a produção a uma grande confeção – a marca tem de crescer mas de maneira a que consigamos dar resposta», confessou ao Jornal Têxtil.

A designer, formada pelo Citex (atual Modatex) está ainda a ponderar a criação de uma linha para homem. «É o próximo passo, porque já tenho muitos homens a pedir-me, sobretudo nas coleções de inverno», garantiu Alexandra Oliveira.