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Designers em dupla direção

Quer sejam jovens designers ou nomes consagrados, os criadores de moda têm a ambição de internacionalizar a sua marca. China, Japão e EUA são os países mais visados, pela diversidade e pela dimensão, conferindo a possibilidade de voar mais alto.

Ana Teixeira de Sousa (Sophia Kah)

Traçar um percurso que passe pela internacionalização é cada vez mais uma constante entre os designers portugueses. Fazer com que as suas criações viagem até outros mercados é uma mais valia na perspetiva de negócio, mas também uma vitória pessoal.

Considerada a maior potência do mundo da moda, a Ásia continua a cativar o talento nacional que parece inclinar-se progressivamente para este continente. De acordo com o relatório The State of Fashion 2020 da McKinsey e da BoF – The Business of Fashion, a indústria global de moda continuará a crescer entre três e quatro por cento no próximo ano. No entanto, o aumento será ligeiramente mais baixo do que em 2019, que registou um crescimento entre 3,5 e 4,5%. Mesmo assim, a análise mostrou que a Ásia é a «região mais otimista, ainda que apenas 14% dos executivos esperem uma melhoria nas condições».

Filipe Ferreira (09 Virus)

Filipe Ferreira, designer da marca 0.9 VIRUS que marcou presença na passerelle do Portugal Fashion, revela querer investir em Tóquio para o futuro da marca. «Acho que [a minha marca] tem uma ligação que se identifica muito com esse meio. É um estilo mais alternativo e as pessoas não estão preocupadas em ter uma linhagem, que seja tudo igual. Daí eu brincar com isso e todas as diferenças entre as personagens, criar sempre personagens diferentes entre todas as coleções», explica ao Portugal Têxtil.

Para a designer Ana Teixeira de Sousa, criadora da marca Sophia Kah, e a dupla Alves/Gonçalves, o futuro está também na Ásia. De igual modo, o jovem criador de moda João Sousa quer cumprir o mesmo desígnio. «Gostava muito de entrar no mercado asiático. Já estou a ver algumas lojas, alguns parceiros que me possam ajudar nesse aspeto. Começar pelo mercado asiático e ver o que surge a partir daí», revela.

Poder de compra

Países como a China e o Japão constituem os destinos mais atrativos para os designers portugueses. Expandir horizontes para outros mercados pode ter na origem várias razões. «Acho que acaba por ter muito mais saída no estrangeiro do que aqui, as pessoas também têm muito mais poder de compra do que em Portugal, aos pouquinhos vamos tentar», considera Carolina Sobral, apontando o poder de compra e a apetência pela moda de autor como razões.

Carolina Sobral

Com efeito, o relatório da empresa de inteligência Gartner L2 conclui que os consumidores chineses são os maiores responsáveis pelas vendas de artigos de moda de luxo. «As marcas de moda destacam a China como uma oportunidade de crescimento e está correto. Nos últimos 10 anos, a China representa 38% da quota do crescimento da moda a nível global em todos os segmentos. Espera-se que este domínio permaneça», refere a análise The State of Fashion 2020.

Dimensão e diversidade

Para além da Ásia, a América do Norte surge como outro polo de atração. «Onde gostava de conseguir mais vendas é nos EUA» dada a dimensão e diversidade do mercado, afirma Alexandra Oliveira, designer da Pé de Chumbo. Também a jovem designer Maria Meira tem a ambição de levar as suas criações até Nova Iorque, enquanto Miguel Moreira, designer e diretor executivo da Gladz, está a um passo de converter o sonho de conquistar os EUA em realidade. «Já arranjamos parceiros nos EUA para lançar a marca no mercado, que é grande e nos interessa bastante», adianta ao Portugal Têxtil.

Susana Bettencourt

Susana Bettencourt confessa que «adorava conquistar a América, não só pelo tamanho, mas acho que é um tipo de público que gosta deste tipo de roupa relaxada e que vai aceitar melhor a tipologia do produto que faço». O relatório Changing Consumer 2019 da Deloitte, aponta, efetivamente, para o facto de a base dos consumidores da atualidade ser «mais diversificada e heterogénea, o que cria um grupo de consumidores com necessidades e exigências mais variadas».