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Designers high-tech

Novos materiais e técnicas de produção, novas plataformas de vendas e novos modelos de negócio, um renovado contacto com os clientes e uma renovada via de internacionalização – há designers nacionais que tratam a tecnologia por tu.

Um dos veteranos no calendário do Portugal Fashion, Luís Buchinho, apresentou este ano a loja online da marca epónima. «Estou a ter um ótimo feedback, mais internacional, até», revela ao Portugal Têxtil.

Luís Buchinho

A crescente aposta de Luís Buchinho no canal digital tem sido acompanhada pela investida nas redes sociais. Na conta oficial da marca no Instagram – a rede social favorita da indústria da moda –, as mais de 400 publicações captaram a atenção de aproximadamente 1.000 seguidores.

Não obstante, para Luís Buchinho, as mais-valias da tecnologia estão muito relacionadas com a produção.

«A moda e a tecnologia caminham lado a lado. A moda é um discurso que se vai reinventando, mas o nosso léxico em termos de peças está mais ou menos formado. A tecnologia aí faz uma grande diferença porque ela, no fundo, reinventa as mesmas linguagens, mas de uma maneira nova e fresca, com um novo tipo de acabamentos, um novo tipo de corte, impressões que se podem dar aos tecidos e valorizações técnicas a nível de brilho, de impermeabilizações, etc.», explica o criador de moda radicado no Porto.

Luís Buchinho

Da produção às vendas

No seu mais recente desfile na passerelle do Portugal Fashion, Luís Buchinho uniu esforços com a plataforma nacional Minty Square e disponibilizou, imediatamente após o desfile, a coleção para pré-venda online, assinalando a entrada no modelo ver agora/comprar agora. O futuro e a tecnologia, de resto, foram a inspiração da coleção, que transportou as mais de mil pessoas que assistiram ao desfile para o mundo de Denis Villeneuve, realizador de “Blade Runner 2049”.

Miguel Vieira

«Usei malhas tricotadas em lã merino, gabardinas em algodão e poliamida, mas depois foi tudo trabalhado. As peças foram estampadas, levaram banhos de impermeabilização, levaram banhos de foile para lhes conferir uma vertente mais gráfica, mais luminosa e futurista», aponta Luís Buchinho.

Miguel Vieira, que há três décadas se dedica à moda, olha para os desafios e oportunidades da tecnologia com olhos de menino.

Miguel Vieira

«Encaro de uma forma muito ambiciosa e expectante a tecnologia e aquilo que ela nos pode trazer a nível produtivo», avança. «Sempre fui apaixonado pela indústria e sempre quis saber como se fazem as coisas – de uma caneta a uma etiqueta. Sempre acompanhei as novidades da tecnologia, as máquinas e, agora, transporto isso para as minhas coleções», afirma.

Na coleção outono-inverno 2018/2019, apresentada na passerelle do Portugal Fashion, o designer apostou em alfaiataria com forros sublimados com o imaginário do rock and roll – de gira-discos a microfones. «Também tínhamos peças estampadas com pelo, tecidos laminados, plissados, etc.», aponta.

Katty Xiomara

«Para já» ainda sem vendas online em nome próprio – mas com uma vasta rede de parceiros no canal multimarca que comercializam as coleções no ciberespaço –, a marca epónima do designer de São João da Madeira agrega mais de 30 mil seguidores na conta oficial na rede social Instagram, onde já publicou quase 600 vezes.

Prestes a inaugurar a morada online da marca, também Katty Xiomara já aceitou o desafio da Minty Square para disponibilização imediata das coleções e está a fazer da tecnologia uma ponte para os seus clientes.

Katty Xiomara

«Vamos começar brevemente com a venda online, com a coleção de primavera-verão 2018», desvenda. «A tecnologia trouxe-nos novas ferramentas, ainda que demore algum tempo até que se comecem a colher os frutos. Contudo, nós já temos alguns clientes, nomeadamente de França e da Bélgica, que nos encomendam somente com base nas fotografias do desfile», conta a designer que, no Instagram, já soma quase 900 publicações.