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Desporto ganha inteligência

Os wearables são já largamente utilizados no sector do vestuário desportivo profissional, mas é necessário compreender de que forma se pode transferir o conhecimento adquirido para a utilização quotidiana do entusiasta do desporto amador, advertiu Martin Ashby, diretor operativo da empresa de vestuário tecnológico Smartlife, durante a sua intervenção no Wearable Technology Show, que teve lugar recentemente em Londres. A tecnologia «não pode substituir uma equipa de treino ou agentes médicos», concordou Markus Strecker, diretor executivo e fundador da tecnológica Teiimo, acrescentando que terá, contudo, a capacidade de auxiliar os indivíduos interessados na melhoria da sua condição físico, gestão do peso e problemas de saúde monitorizáveis. No entanto, o principal entrave encontrado na adoção destes produtos por um mercado de massas passa pela simples limitação inerente ao seu processo de lavagem. No âmbito da conferência, os diversos especialistas e intervenientes do sector encararam os vários condicionalismos relativos à lavagem das peças. Os circuitos eletrónicos são, naturalmente, a principal preocupação. De acordo com Simon Weatherall, fundador da empresa de tecnologia wearable Glofaster, é possível revestir esses circuitos com uma proteção à prova de água mas não é rentável de momento. Thomas Claussen, CEO da Ambiotex, que recentemente lançou uma t-shirt inteligente que recolhe e analisa informação biométrica, ressalvou que a introdução de melhoramentos nos circuitos das peças é essencial à progressão do sector. «Eu acredito que, no espaço de dois a três anos, a caixa [que contém as baterias e circuitos eletrónicos] se irá evaporar. Será certamente de menor dimensão à medida que as próprias baterias se tornam mais pequenas, já que são elas, e não os circuitos eletrónicos, que determinam o tamanho». Ashby ressalvou, também, a preocupação que o sector deve ter face às temperaturas a que as peças serão sujeitas num processo de lavagem convencional. As peças de vestuário destinadas a uso comercial devem superar uma prova de 50 a 60 ciclos de lavagem, mas sendo sujeitas a temperaturas de 30 graus e 1000 rotações por minuto, haverá a necessidade de reforçar a resistência das peças, já que esta «não é a sua utilização habitual». O diretor técnico da Smartlife, Ben McCarthy, acredita que «pequenos grupos de teste vão começar a surgir no mercado». Segundo McCarthy, várias empresas do sector estão na mesma situação. «Temos algo, testámo-lo, está a funcionar e estamos agora a investir dinheiro, tentando convertê-lo em algo que possamos produzir em massa, mas é realmente difícil e obriga a um grande esforço», explicou. «Existe uma enorme procura de conhecimento sobre como se pode treinar melhor, melhorar a prática desportiva e a condição físico tendo por base a frequência cardíaca mas a maioria das pessoas não sabe como fazê-lo. Se me dissesse a minha frequência cardíaca eu não saberia como a interpretar. Nós temos de facilitar esse processo e dizer às pessoas o que significa», acrescentou McCarthy. E, se por um lado, os consumidores «não estão interessados» em detalhes como a frequência cardíaca, afirmou, estes preocupam-se cada vez mais em saber «como podem mudar o que estão a fazer de forma a melhorarem», demonstrando, a par das questões relativas à lavagem do produto, qual o caminho a seguir pelas empresas de tecnologia wearable rumo ao mercado de massas.