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Desporto sustenta vendas de vestuário

A pandemia fez com que os consumidores tivessem mais restrições no que diz respeito aos gastos em artigos não essenciais. Com o declínio geral nas vendas de vestuário, os artigos desportivos têm sido a categoria resistente, que mais sustenta o desempenho das marcas.

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Desde o início da pandemia que se têm observado várias mudanças no comportamento do consumidor, que passou a ter uma perspetiva económica mais receosa perante o futuro. Esta incerteza fez com que os compradores controlassem mais os gastos, sobretudo nos produtos não essenciais como é exemplo o vestuário, que acabou por ser uma das categorias mais afetadas também pelo encerramento obrigatório das lojas.

Durante o confinamento, as preferências dos consumidores passaram a direcionar-se para o vestuário desportivo, que além de ser utilizado na prática de exercício físico é também a opção mais confortável para simplesmente estar em casa. Deste modo, os artigos desportivos sustentam as vendas de vestuário que foram afetadas significativamente com a chegada do vírus, uma constante que se aplica a todas as marcas, independentemente de se enquadrarem numa gama alta, média ou baixa, noticia a Quartz.

A retalhista britânica online Asos, que tem a própria linha de vestuário desportivo lançada em 2018 bem como vários artigos multimarcas, afirma que as vendas de roupa desportiva duplicaram nos quatro meses até 30 de junho, comparativamente com o período homólogo do ano anterior. As vendas de vestuário casual e ténis aumentaram 10% também para esse período, apesar da crise sanitária que afundou as vendas de vestuário formal e de vestidos para o dia ou para a noite.

«Se pudéssemos fazer algo, provavelmente seria termos pedido mais vestuário casual, mais roupas desportivas e mais Face + Body», revelou Nick Beighton, CEO da Asos aos analistas e investidores. «Agimos de forma apropriada no occasion wear. Aí estivemos bem. Mas, na verdade, nas categorias do bloqueio, temos a capacidade de vendar bastante mais», explicou.

Em maio, a retalhista americana Kohl’s apontou o segmento de activewear como um dos destaques do trimestre, uma vez que as vendas duplicaram. Marcas mais pequenas, como a SETactive e a Ten Thousand, revelaram igualmente ter registado vendas sólidas nestes segmentos.

Categoria resiliente

O aumento das vendas nesta categoria não se verificou para todas as marcas e retalhistas. Nos EUA, onde a maior parte dos consumidores continua a preferir comprar nas lojas físicas, as vendas de vestuário desportivo diminuíram de modo geral, mesmo em empresas gigantes como a Nike e a Lululemon, que viram as vendas totais descerem com o encerramento das lojas.

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Por outro lado, o vestuário desportivo tem sido «resiliente» para o desempenho das vendas online. Prova disso é o facto de, no Reino Unido, as vendas online de activewear terem aumentado 17% desde o início de maio em relação ao ano anterior como sugerem os dados da Edited, uma empresa de tecnologia de retalho que rastreia o e-commerce de moda. A Edited destacou ainda o crescimento das vendas de novos produtos e constatou que, nos EUA, a chegada de novos artigos online caiu 15%, enquanto aqueles que esgotaram por serem recém-chegados dispararam mais de 100%. «Apesar de haver menos novidades nesta região, a procura está a exceder a oferta», sublinhou Kayla Marci, analista de mercado da Edited num e-mail.

Para os dois mercados, Kayla Marci confirmou que produtos como calções, leggings, calças de fato de treino e hoodies foram os mais vendidos, o que indica que os consumidores estão à procura de produtos para exercício físico, mas também para se sentirem confortáveis em casa. Em específico nos EUA, a analista de mercado da Edited salientou que os compradores online preferem sapatilhas de performance em vez de modelos mais casuais do produto, o que contrariou o panorama dos últimos anos, visto que os americanos sempre adquiriam mais sapatilhas para o uso diário do que para fazer desporto, uma prática que passou a ser repensada com o encerramento dos ginásios. Com base nas compras dos consumidores, muitos parecem optar por correr, dado que estão a investir em sapatilhas destinados para esta modalidade.  A empresa de pesquisa NPD Group revelou, a 29 de junho, que as vendas de sapatilhas de performance cresceram e verificaram um aumento de 30% na semana que terminou a 20 de junho face a 2019, uma semana que ditou o maior ganho de vendas semanais de 2020 até à data.