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DET forma o futuro têxtil

Os anos menos bons parecem ter ficado para trás e o curso de Engenharia Têxtil voltou a apaixonar os jovens portugueses, graças ao impulso da única instituição de ensino superior que manteve a aposta na capacidade de formar novos talentos: a Universidade do Minho.

A recuperação foi lenta mas certa e, a acompanhar as melhores notícias sobre o sector, a licenciatura em Engenharia Têxtil começa a ganhar de novo o esplendor de outrora. Com as empresas em busca de engenheiros capazes de responder às suas necessidades e exigências, os jovens portugueses redescobriram a têxtil e, em 2017, foram mais de 160 a tentar a sua sorte na candidatura a este curso. Desses, cerca de 30 conseguiram a tão desejada vaga (ver O renascer da procura em Engenharia Têxtil).

Noémia Carneiro

O percurso para chegar aqui foi, no entanto, tortuoso, com vários anos de falta de interesse dos estudantes a levar ao fim da licenciatura noutras instituições de ensino superior. A Universidade do Minho, contudo, resistiu. Para se adaptar, criou uma licenciatura pós-laboral em engenharia têxtil, pelo meio nasceu a licenciatura em Design e Marketing de Moda – que acabou por ser um sucesso – e, em 2013, retomou a licenciatura em engenharia têxtil, com mestrado integrado, em horário laboral, numa crença inabalável do Departamento de Engenharia Têxtil (DET). «O departamento teve de lutar contra uma convicção quase generalizada de que isto tinha um fim inexorável», afirma, ao Jornal Têxtil, Noémia Carneiro, que liderou o DET até ao final de 2016, altura em que cedeu o lugar a Teresa Amorim (ver «Somos muito mais acessíveis do que a maioria»). «O meu compromisso com o departamento era pô-lo virado para fora, mostrar que existíamos e que estávamos a ser subaproveitados, mostrar que as empresas iam acabar por precisar de atualizar os seus recursos humanos», explica Noémia Carneiro.

Sónia Ferreira
Inês Abreu

«Há cinco ou seis anos, não estávamos a dar um único licenciado ou mestre para a indústria e isto porque os que haviam já lá estavam a trabalhar. E não se previa que as coisas mudassem. Até que um dia li uma notícia em que uma empresa se referia a nós como catalisadores de movimento e de progresso. A partir daquele momento foi só telefonemas e entrevistas e eu disse “está feito!”», revela.

A comunicação surtiu efeito e a imagem do sector e do curso junto de pais e potenciais alunos mudou. Sónia Ferreira, aluna do 2.º ano de Engenharia Têxtil, confessa que um dos motivos por detrás da sua escolha foi «o facto do curso ter pouca gente e, por isso, ter muita saída no mercado de trabalho». Inês Abreu, por seu lado, deixou-se contagiar pelo entusiasmo familiar e, depois de visitar a Lasa, onde trabalha o tio Ricardo Silva, adjunto da administração, candidatou-se. «Depois da visita fui pesquisar o curso, ver as cadeiras e, tendo em conta como o mercado está, achei que poderia ser uma opção. E estou feliz por ter escolhido engenharia têxtil», sublinha a aluna do 2.º ano.

A verdade, destaca Luís Almeida, professor catedrático do DET, é que «nunca faltou procura por parte das empresas – foram os alunos que deixaram de procurar este curso».

Luís Almeida

Aliás, a reputação da Universidade do Minho na área continuou em alta, mesmo com as dificuldades associadas à captação de novos alunos para o curso. Além de ter uma lista relevante de alumni com sucesso, que hoje lideram empresas reputadas – como Simão Gomes, presidente do conselho de administração da Sampedro, Francisco Gomes, administrador da Fábrica de Tecidos do Carvalho, António Ressurreição, fundador da Naturapura, Arnaldo Machado, administrador da Somelos Tecidos (ver Somelos Tecidos sob o signo da inovação), ou, mais recentemente, Rui Teixeira, diretor-geral da Gulbena, e Rui Martins, CEO da Inovafil – a investigação realizada pelo Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) tem sido reconhecida dentro e fora de Portugal, quer pelos seus pares e entidades do sistema científico, quer pelas próprias empresas, que têm feito parcerias relevantes em I&D.

Ana Maria Rocha

Uma área que tem igualmente permeado o próprio curso de Engenharia Têxtil. «Está-se a apostar mais na inovação. Há uns anos atrás apostava-se mais em fazer planeamento de produção, em aumentar a produção e a qualidade e não tanto em inovar produto. Atualmente olhamos mais para a inovação de produto e para as áreas diferenciadas daquelas que eram usadas há uns anos atrás – que eram muito mais para têxtil-lar, decoração, etc. – e estamos muito mais voltados para as áreas dos têxteis técnicos, construção, automóvel…», destaca Ana Maria Rocha (ver 2C2T na vanguarda dos têxteis inteligentes), professora associada do DET.

Paulo Abreu e Miguel Jordão

Esse tem sido também um dos grandes atrativos para os jovens que frequentam o curso, que se revelam empolgados com as possibilidades abertas pela indústria têxtil. «A parte que mais me fascina é a inovação. Hoje vemos, cada vez mais, a indústria têxtil ligada a outras indústrias, desenvolvendo têxteis inteligentes, como por exemplo para medir a frequência cardíaca», reconhece Miguel Jordão, aluno do 2.º ano de Engenharia Têxtil, que deixou para trás a vontade de enveredar por Engenharia e Gestão Industrial. Também o colega de turma, Paulo Abreu, abandonou o curso de Engenharia de Telecomunicações e Informática para abraçar a mesma formação. «Resolvi mudar porque tinha muita gente a falar bem do curso e a minha mãe também trabalha na área. Decidi dar uma oportunidade para ver como corria. Mudei o ano passado e só tenho reações positivas, acho que foi a decisão mais acertada a tomar», garante. Tal como Miguel Jordão, «o que mais me entusiasma é a aplicabilidade que os têxteis podem ter, porque soa a infindáveis opções – o ramo automóvel, o ramo aeronáutico, o ramo desportivo, o ramo da saúde,… Acho que existe muita coisa e que podemos ser nós a traçar esse futuro», acredita Paulo Abreu.