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Dezembro agridoce para a H&M

Apesar do aumento das vendas totais em dezembro – o 45.º mês consecutivo de crescimento – nem tudo são boas notícias para a retalhista de moda sueca H&M, já que o ritmo de desenvolvimento ficou abaixo do esperado pelos analistas e as vendas comparáveis estão, aparentemente, em queda.

A retalhista sueca revelou que as vendas, incluindo IVA, subiram 6% em moeda local em dezembro, em comparação com o mesmo mês de 2015. Na conversão para coroas suecas, contudo, equivale a um aumento de 10%.

Os analistas consultados pela Reuters, contudo, antecipavam um crescimento de 8% em dezembro, o mês mais importante para o retalho, por abranger o período das compras de Natal, e o primeiro mês do ano fiscal da H&M.

O crescimento em dezembro ficou ainda baixo do registado em novembro, em que as vendas aumentaram 9% (ver H&M cresce mas não convence), e do verificado em outubro, mês em que as vendas subiram 10%.

No entanto, e pela positiva, dezembro de 2016 foi o 45.º mês consecutivo em que a retalhista sueca registou crescimento, com o último declínio a ter sido reportado em março de 2013.

A H&M, que tem a maioria das vendas concentradas na Europa, tem culpado os resultados abaixo das expectativas dos mercados pelas temperaturas anormais que se têm registado no Velho Continente. Tal como as rivais, a H&M tem ficado abaixo da performance da Inditex (ver Inditex com prego a fundo), em parte porque o grupo espanhol que detém a Zara construiu uma cadeia de aprovisionamento que lhe permite reagir mais rapidamente às mudanças na procura, ficando menos exposto às variações meteorológicas (ver O segredo mais bem guardado da Zara).

Os analistas na RBC Capital Markets afirmaram que a H&M sofreu com «uma primeira metade do mês muito fraca, com a Black Friday a atrair mais procura do que a que esperávamos, a uma margem ligeiramente mais baixa».

O número de lojas total aumentou de 3.957 em 2015 para 4.379 em 2016. Richard Chamberlain, analista na RBC Capital Markets, afirma que a taxa de abertura de lojas implica que as vendas comparáveis da H&M – um indicador que apenas tem em conta as vendas realizadas em lojas abertas há mais de um ano – terão caído 3% em dezembro. A retalhista está atualmente focada em lojas flagship em grandes cidades.

«As fracas vendas comparáveis da H&M indicam que a oferta não foi tão competitiva como pensávamos no outono», indica Chamberlain ao The Telegraph. «Contudo, nem tudo é mau – o nosso trabalho de pesquisa sugere que os formatos mais recentes da H&M estão a ser bem recebidos e vemos potencial para que a sua performance estabilize e melhore na China em 2017», aponta.

A gigante sueca do retalho, que não fez comentários com a publicação dos resultados de dezembro, irá publicar os números do ano fiscal no final deste mês.