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Dia D para Williamson

Uma estrela britânica a preços económicos, a nova colecção de Matthew Williamson para a H&M promete ser mais um sucesso e uma oportunidade imperdível para as “fashion victims”. Poucos designers conseguiram conquistar o mundo da moda tão rapidamente como Matthew Williamson. Desde 1997, quando Kate Moss, Helena Christensen e Jade Jagger desfilaram na Semana de Moda de Londres com estampados borboleta e sedas tão brilhantes como plumas de pavão, a coroação de Williamson como “Príncipe do Boho Chic” foi imediata. Nos 12 anos que se passaram entretanto, o designer de 37 anos, nascido em Manchester, conquistou um rol interminável de celebridades de passadeira vermelha, que inclui Keira Knightley, Gwyneth Paltrow, Sienna Miller, Kate Hudson e Kylie Minogue. A sua marca é agora presença obrigatória na Semana de Moda de Nova Iorque, tem o seu próprio perfume e tem flagships em Londres e Nova Iorque, devendo abrir uma outra loja esta semana no Dubai. Durante três anos foi também director criativo da marca de luxo Pucci, marcou o 10.º aniversário da sua marca com uma retrospectiva no Museu de Design de Londres e supervisiona duas colecções por ano da marca Butterfly para a Designers at Debenhams. Mas este último projecto de Williamson para a H&M irá levar a sua assinatura de “boho chic” ao maior público de sempre. A sua colecção cápsula mais icónica está disponível a partir de hoje em 200 lojas H&M seleccionadas um pouco por todo o mundo, incluindo a loja da baixa lisboeta. As portas abriram às 9h e os vendedores estão a braços com multidões de fãs ansiosas por comprarem as criações Matthew Williamson a preços baixos, como um top em seda rosa-choque com padrão Rajasthan ou um jersey em azul real estampado com penas de pavão. A colecção oferece uma visão interessante sobre o fantástico mundo da moda de Williamson, combinando referências de colecções passadas, inspirações em culturas exóticas e peças retiradas directamente da sua colecção para a Primavera de 2009, como um fato em seda e algodão azul. Mas se a maior parte das peças não ultrapassa os 70 euros, outras têm preços mais altos. Um vestido justo com mangas tipo kimono, por exemplo, custa 199 euros, tal como um casaco de pele castanho. Já a estrela da colecção, um vestido comprido com vários folhos e estampado com padrões tigre e borboleta, inspirado num dos modelos mais bem sucedidos do criador nas passerelles, custa 299 euros. Um preço apesar de tudo reduzido se tivermos em conta que uma criação de Williamson da sua marca própria pode ultrapassar os 3.000 euros. Williamson é o sexto designer internacional a criar uma colecção para a H&M, depois dos sucessos com Karl Lagerfeld, Stella McCartney, Viktor&Rolf, Roberto Cavalli e Rei Kuwakubo da Comme des Garçons. Mas é o primeiro a ter um acordo que engloba duas colecções. Depois do lançamento de hoje, a H&M irá colocar em todas as suas lojas mais 60 designs do criador britânico a 14 de Maio. Com o lançamento previsto para Nova Iorque, a segunda colecção de Williamson irá apresentar vestuário feminino, swimwear e 20 peças de uma colecção para homem – a primeira incursão do criador no universo da moda masculina, onde ele próprio foi a referência. Há muito que queria trabalhar em vestuário de homem. E porque isto é uma estreia, é muito inspirado no meu guarda-roupa. Representa um jovem cavalheiro inglês que viaja de Cuba para Mykonos. E sim, há muitos lenços», explicou Williamson, numa referência às gravatas étnicas e de tecidos exóticos que quase sempre ostenta à volta do pescoço. Tem sido fascinante procurar nos meus arquivos para encontrar as peças mais icónicas e depois retrabalhá-las para a H&M. Centrei-me no motivo do pavão para desenvolver uma paleta de azuis, verdes ácido e esmeralda, com toques de rosa», afirmou Williamson. O resultado final promete agradar. Os bordados, os estampados, as aplicações e as cores tornam todas as peças muito especiais», argumenta Margareta van den Bosch, consultora criativa da H&M. Mas o retalhista sueco, que pretende abrir um total de 225 lojas este ano fiscal e superar os resultados menos bons do primeiro trimestre (ver Câmbios surpreendem H&M), não descansa e já correm rumores quanto à próxima parceria, depois de Margareta Van den Bosh ter revelado no mês passado estar já à procura de um novo colaborador. E candidatos parecem não faltar. Numa referência pouco discreta, Angela Missoni, a criadora britânica de 55 anos já veio a público dizer que gostaria de desenhar algo que pudesse chegar ao mercado britânico “mais jovem”, referindo que gostaria de fazer alguma coisa com a H&M porque acho que é uma forma muito poderosa de chegar actualmente às jovens raparigas».