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Dia de aulas começa de elétrico

Afinal, o ano letivo não arrancou a 19 de setembro, mas ontem, na passerelle do projeto Bloom do Portugal Fashion. Seis escolas e oito designers emergentes tiveram um primeiro dia de aulas diferente, que os convidou a uma viagem de elétrico.

Na 41.ª edição do Portugal Fashion, o Bloom decidiu reforçar as turmas, com a participação de três novos estabelecimentos de ensino e cursos especializados em moda no seu programa de desfiles. Às já habituais EMP – Escola de Moda do Porto, Modatex e ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos juntaram-se o curso de Design de Moda da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, a Escola Profissional Cenatex (Guimarães) e a ESART – Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

«Nesta edição foi introduzido um novo formato das escolas, que consistiu na abertura a mais três escolas (…), é para não serem apenas escolas do Norte. Apesar de ter nascido no Porto, com o Portugal Fashion, quero que o Bloom abra as portas ao país inteiro», explicou sobre a nova estratégia Paulo Cravo, coordenador do projeto Bloom, ao Portugal Têxtil.

Sara Maia

Os desfiles transformaram o Museu do Carro Elétrico, uma nova localização para o Bloom, numa sala de aulas improvisada, que se revelou pequena para tantos alunos.

«Pretendi que o próprio espaço ganhasse com as coleções e as coleções ganhassem com o espaço. Vim aqui depois de ter visitado quase tudo no Porto e gostei desta área», elucidou Paulo Cravo sobre a escolha, adiantando a vontade de experimentar novos espaços emblemáticos da cidade Invicta nas próximas edições.

Seis escolas vezes dois alunos

A matemática, nos desfiles das escolas que abriram o calendário, parece simples. Cada uma das seis escolas escolheu os seus dois melhores alunos, que mostraram em passerelle as respetivas coleções de final de curso. No entanto, houve exceções à regra, como desfiles duplos e o solo de Marta Santa Marta.

Filipe Cerejo/EMP
Patrícia Shim e Mariana Serra/EMP

Depois do toque da campainha, a abertura da passerelle coube aos jovens da EMP, Filipe Cerejo e, numa mostra conjunta, Patrícia Shim e Mariana Serra.

Se o primeiro explorou o nomadismo urbano em «tecidos técnicos e texturas», as segundas mergulharam em referências culturais, como «Marina Abramovic e as ama-san, as mulheres do mar nipónicas», numa coleção pintada de azul.

Carla Bessa/Cenatex
Catarina Lemos/Cenatex

Seguiram-se os desfiles dos alunos da Cenatex, sob o olhar atento do designer Luís Carvalho, que no ano passado assumiu a função de coordenador do curso de design de moda da escola profissional de Guimarães.

«Um dos projetos que tive foi o de abraçar o Bloom e contactei o Paulo Cravo para saber se existia a possibilidade de fazer o desfile de final de curso», revelou ao Portugal Têxtil.

Carla Bessa foi uma das alunas selecionadas para o desfile, propondo uma mulher «feminina e única» em peças negras que exploraram as transparências. Já Catarina Lemos levou para a passerelle artigos em pele e de género neutro, destacados pela logomania. «É muito importante este desfile, porque o meu sonho é criar uma marca sem género», confessou.

Edgar Silva/ESART
Joana Branco/ESART

Edgar Silva e Joana Branco defenderam os currículos da ESART, aquecendo com pelo sintético, o primeiro, e iluminando com dourado e vinil, a segunda, o ambiente industrial do Museu do Carro Elétrico.

«Espero que este desfile venha abrir muitas portas», resumiu Joana Branco sobre o primeiro contacto com a passerelle.

Marta Santa Marta/FAUL

Marta Santa Marta representou o curso de Design de Moda da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa com uma coleção que intersetou, claro está, as duas disciplinas: moda e arquitetura.

«Gosto de conjugar as duas disciplinas. Da arquitetura veio um estilo geométrico e com diferentes profundidades», esclareceu.

A coordenadora Maria José Sacchetti, por seu lado, reconheceu que «participar no desfile de escolas é sempre positivo, até porque fomos uma das primeiras faculdades que teve a licenciatura».

As veteranas ESAD e Modatex encerraram o horário da manhã do Bloom, antes do intervalo para almoço.

Ana Sarmento/ESAD
Ana Sousa/ESAD

Ana Sarmento e Ana Sousa foram as melhores alunas premiadas pela ESAD com a participação no desfile. «O mundo subaquático e os desportos aquáticos» motivaram as propostas da primeira e «o polo, a camisa e a gabardina» exercitaram a criatividade da segunda.

 

Opiar/Modatex
Patrícia Brito/Modatex

Pelo Modatex desfilaram as proporções exageradas da marca Opiar, de Artur Dias, e as propostas da jovem Patrícia Brito.

«O meu ponto de partida foi uma peça de música concreta e a arquitetura brutalista e, por isso, construí a forma das peças mais retilínea e com ar mais austero», clarificou Patrícia Brito.

Os ex-alunos

Joana Braga

Esta é já a 15.ª edição do Bloom, projeto do Portugal Fashion dedicado à descoberta e promoção do talento emergente. A passerelle jovem do evento reservou a segunda parte do dia para os recém-saídos das escolas, desvendando as coleções de Maria Kobrock e Joana Braga num desfile duplo.

Maria Kobrock

Se a jovem designer luso-alemã, que apesentou uma coleção dominada pelas riscas numa “Ode a Matisse”, fez grande parte do seu percurso académico além-fronteiras, na Esmod Berlin, Joana Braga, que explorou as volumetrias em “Cat Fight”, frequentou design de moda na ESAD, tal como David Catalán, Inês Torcato, Sara Marques (Olimpia Davide), Beatriz Bettencourt e Tânia Nicole (Nycole) – pelo que, nesta edição, a passerelle do Bloom foi um verdadeiro reencontro de ex-alunos da escola.

Nas mochilas, os talentos emergentes trouxeram novidades.

David Catalán

A coleção de David Catalán – à prova de chuva e em linha com as previsões meteorológicas – ficou, no final do desfile, disponível na plataforma multimarca de comércio eletrónico Minty Square.

«As pessoas vão já poder encomendar online, com 10% de desconto, a coleção primavera-verão 2018», sublinhou o designer.

Inês Torcato

Já Inês Torcato trabalhou novos materiais, como a ganga, numa coleção que «tem versões do mesmo coordenado adaptadas aos corpos do homem e da mulher».

Nesta edição do Bloom, a marca da jovem Sara Marques, Olimpia Davide, e Beatriz Bettencourt mostraram a sua evolução enquanto designers em versões mais adultas das respetivas coleções, estando ainda ambas investidas nas vendas online.

A marca Olimpia Davide está à venda na Minty Square e Beatriz Bettencourt prepara-se para lançar uma plataforma em nome próprio.

Olimpia Davide

«A minha loja online está já a ser desenvolvida e será lançada até novembro», adiantou ao Portugal Têxtil.

A coleção da marca Nycole e as propostas da jovem Sara Maia, que apagou o quadro e desligou a luz da sala de aula, voltaram a deixar a assistência com vontade de enfrentar a chuva que caía na cidade do Porto.

As referências militares cruzaram as duas passerelles em peças desportivas e oversized.

«O conceito da coleção tem um paradoxo de dois mundos, do Irão com a Europa. Na parte europeia usei malhas e pormenores técnicos, enquanto na parte do Irão apostei em estampados fortes e nalguns detalhes com cordões, que simbolizam os coletes militares», referiu a jovem Tânia Nicole, que assina a marca Nycole, atualmente à venda na loja multimarca Daily Day.

Sara Maia

Reforçando a importância da interdisciplinaridade, as performances de moda dos bloomers foram acompanhadas por música eletrónica. O Bloom Intershow Music teve como protagonistas Arrogance Arrogance – Ácida, Jackie – Thug Unicorn + Grrrl Riot e Sequin DJ Set.

O segundo dia de desfiles do Portugal Fashion no Porto acontece hoje pelas 16h, com o desfile de Carla Pontes, uma das jovens que passou pelo projeto Bloom antes de subir à passerelle principal. Em destaque estão ainda as coleções de Júlio Torcato, Diogo Miranda e Miguel Vieira, que fecha o dia na Alfândega do Porto. O calendário completo de desfiles pode ser conhecido aqui.