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Dias cinzentos no retalho

A britânica Next alertou, na semana passada, para um ano difícil no retalho, provavelmente o mais difícil dos últimos anos desde a recessão global – apesar de um 2015 aparentemente sólido –, alinhando-se também com um modelo de moda mais acelerado.

A retalhista revelou ainda que se estava a preparar para uma desaceleração da economia global e para uma queda nos lucros até 4,5%, num ano que «pode ​​muito bem ser o mais difícil que temos enfrentado desde 2008», de acordo com o CEO, Simon Wolfson, em declarações ao portal de tendências WGSN.

A Next referiu ainda que, a par dos problemas económicos mais vastos, teme também pelas mudanças nos gastos dos consumidores – que se têm vindo a afastar do vestuário e a aproximar de experiências como jantar fora e viagens (ver O boom das experiências).

A cadeia de moda admite estar a preparar-se para o pior dos cenários, algo que pode ser distorcido pelas condições meteorológicas, mas adiantou que nesta fase considera ser «melhor prepararmo-nos para o que poderá ser um ano difícil».

Apesar do pessimismo, a Next anunciou uma nova abordagem à compra com a sua produção asiática com nove meses de antecedência a ser complementada com resposta mais rápida. Esta última vai acelerar o processo de tomada de decisões, incentivando as equipas de compras e merchandising a tomarem mais decisões fora das reuniões formais.

A empresa teve um aumento de 5% no lucro anual antes de impostos, de 821,3 milhões de libras (aproximadamente mil milhões de euros), no ano até janeiro. A receita subiu para os 4,18 mil milhões de libras, em relação aos 4 mil milhões do exercício anterior e as vendas da marca Next, o principal parâmetro de performance da retalhista, subiram 3,7%

Entretanto, a Next prevê que os lucros para 2016/2017 no final de janeiro 2017 se situem entre os 784 e os 858 milhões de libras – variando de uma quebra de 4,5% a um crescimento de 4,5%. A cadeia de moda prevê que as vendas a preço total da marca Next variem entre uma descida de 1% a uma subida de 4%. A orientação anterior de crescimento situou-se entre 1 e 6%.

«Somos muito claros acerca do avanço das nossas prioridades e quaisquer desafios que possamos enfrentar. É importante que continuemos focados em garantir que os produtos, marketing, serviços da empresa e controlo de custos melhorem no próximo ano», sublinhou Wolfson.

Para o ano fiscal 2016/2017, a par de trabalhar para desenvolver e acelerar a marca e as capacidades de compra e design, a Next irá atualizar o seu diretório, desenvolver novas técnicas de publicidade online e email para o recrutamento de novos clientes e reativar clientes existentes, melhorar a apresentação do seu website com especial referência para dispositivos móveis e abrir novos espaços comerciais.

A retalhista britânica comercializa a partir de 500 lojas no Reino Unido e na Irlanda e em cerca de 200 lojas franqueadas, principalmente no exterior, bem como no seu catálogo de diretório e negócios de Internet.