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Diferenciar desde o fio

Empenhadas em marcar tendências desde o início da cadeia têxtil, as fiações nacionais apresentam propostas inovadoras, sustentáveis e audazes para as próximas estações.

Numa área que ganhou novo fôlego em Portugal nos últimos dois anos, com investimento em capacidade de produção e crescimento nas exportações, que em 2017 representaram 144,74 milhões de euros, a diferenciação é palavra de ordem no sector. E entre as tendências atuais, a sustentabilidade ganha a corrida. A Fitor, por exemplo, apresentou uma variedade de fios reciclados de poliéster e poliamida para responder a um mercado que procura, cada vez mais, proteger o planeta. «Há uma oportunidade grande. As marcas têm metas de, até 2020, ter uma percentagem de produtos reciclados. Vai crescer este ano», antecipa António Pereira, CEO da empresa, que emprega mais de 70 pessoas e faturou cerca de 7 milhões de euros em 2017.

António Pereira (Fitor)

Nesta área, a Inovafil optou por usar a nova fibra de viscose ecológica e rastreável da Lenzing, a EcoVero. «Acho que vai ser o futuro da reciclagem», acredita o CEO Rui Martins. A fiação aposta ainda na funcionalidade e tecnicidade dos fios que produz, com as propostas para a estação quente do próximo ano a incluírem artigos com uma fibra com duas funcionalidades distintas: por um lado, pode conferir propriedades antiestáticas e, por outro, se aplicada de outra forma, tem propriedades de aquecimento, transformando a energia solar em calor. «Foi desenvolvida internamente», revela o CEO ao Jornal Têxtil.

Rui Martins (Inovafil)

Já na Têxtil António Falcão, a variedade em poliéster e poliamida é grande, desde fios com características antibacterianas e ignífugas, aos reciclados e biodegradáveis, estes últimos desenvolvidos «em parceria com uma empresa estrangeira», adianta António Falcão, presidente do concelho de administração.

António Falcão (Têxtil António Falcão)

Na Lipaco, os antibacterianos apresentados aos clientes deixaram para trás os iodetos de prata. «Agora é um processo diferente e que podemos combinar, por exemplo, com antimosquito», aponta Jorge Pereira, que destaca ainda os fios refletores e os fios elásticos, cujos desenvolvimentos estão sempre em evolução. «Estamos a preparar um fio novo que virá para o mercado muito em breve que tem um acabamento muito macio e com boa elasticidade», anuncia o CEO da produtora de linhas de costura e fios texturizados.

Jorge Pereira (Lipaco)

A moda não foi, de todo, esquecida e as tendências da estação refletem-se nos fios propostos pelas fiações nacionais. Na JF Almeida, o Papilio “perdeu” as cores vibrantes da estação anterior e assumiu aspetos mais desgastados. Os delavés, estampados com duas ou três cores, conferem este “look” moda. «Quero que a marca esteja entranhada nos estilistas», afirma João Almeida, administrador da JF Almeida, cuja fiação começou a ser desenvolvida há cerca de sete anos e representa já quase 35% da faturação do grupo, equivalente a cerca de 8 milhões de euros. «Queremos ver se este ano chegamos aos 10 milhões de euros», admite. Com fios que podem ser usados em diferentes produtos, dos têxteis-lar à camisaria, malhas e até sapatilhas, a fiação, que tem uma capacidade produtiva de 400 toneladas/mês, está a preparar-se para investir em nova maquinaria. «Não vai ser para 2018, mas está prevista a montagem de uma fiação de anel», desvenda João Almeida.

João Almeida (JF Almeida)

Na moda e com a moda tem estado igualmente a SMBM, cuja parceria, através da marca Fifitex, com a designer Susana Bettencourt, tem influenciado a oferta. «Cada uma das coleções foi criada e desenvolvida com base na parceria que temos com a Susana Bettencourt, que deu alguns inputs», explica Bernardino Andrade, CEO da empresa, que para a primavera-verão 2019 privilegiou matérias-primas como algodão, lã, caxemira e seda. Além disso, «alguns fios é ela que vai indicando os seus interesses e nós desenhamos o fio em parceria. A Susana Bettencourt acaba por colmatar uma dificuldade, que é ter quem faça pequenas quantidades, e nós absorvemos o know-how que nos permite, ou pelo menos é a nossa intenção, estarmos à frente na proposta aos nossos clientes, para quando têm os nossos catálogos terem a perceção de que há um trabalho de base, de estudo de tendências, que nos permite acreditar que vamos ao encontro daquilo que a moda há de trazer», acrescenta. No entanto, ressalva o CEO da SMBM, «não temos um catálogo fechado de fios. Temos muita versatilidade e capacidade de criação, de desenvolvimento em pequenas quantidades, pequenas amostras, à vontade do cliente. Vamos trabalhando com o cliente à medida das necessidades, com misturas que vão ao encontro do que pretende. Esse é o nosso nicho de mercado para os fios verdadeiramente fantasia na vertente da moda».

Bernardino Andrade (SMBM)