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Digitalização ganha fôlego

Diversos projetos voltados para a indústria têxtil e vestuário estão a acelerar a adoção dos princípios da indústria 4.0 e da digitalização, sobretudo no que diz respeito à área produtiva e à melhoria da eficiência dos processos.

Um desses projetos na digitalização é o Shift2Future. Desenvolvido em parceria pela TecMinho, o ISQ, o IAPMEI, o CTCV e a Universidade de Aveiro, o Shift2Future «pretende promover a introdução do digital, a chamada indústria 4.0, economia 4.0 na indústria e nos serviços das PMEs, capacitando-as com conhecimento, com ferramentas que permitam assegurar a sua transformação com vista a uma transição para a economia digital», explicou Eugénio Campos Ferreira, presidente da direção da TecMinho e vice-reitor da Universidade do Minho, durante a sessão Calçado e Têxtil: no Caminho da Transição Digital, que se realizou no passado dia 8 de junho na Universidade do Minho.

O projeto está organizado em torno de cinco áreas, incluindo a realização de diagnósticos com o SHIFTo4.0, que «resulta de um projeto anterior, onde foi desenvolvida uma ferramenta que passou a ser usada no âmbito deste projeto, uma ferramenta bastante importante para diagnosticar, para conseguirmos saber onde é que estamos e que permite, através deste diagnóstico, inferir onde é que se pretende chegar», destacou Eugénio Campos Ferreira. Sensibilização, formação e capacitação de PMEs, boas práticas e benchmarking, roadmaps e outras ferramentas de apoio e comunicação e disseminação do projeto são as restantes quatro áreas de atuação do Shift2Future.

No âmbito deste projeto foi feita uma análise ao nível da digitalização da indústria têxtil, que mostrou que o nível de maturidade do sector têxtil encontra-se em 1,47 numa escala de 0 a 5, sendo o do calçado de 1,45, valores «médio-baixos», segundo Luís Fernandes, especialista da Quality Excellence e facilitador do projeto Shift2Future, já esperados porque ambos os sectores têm «bastantes processos ainda manuais e mesmo a complexidade do produto não proporciona que às vezes existam os upgrades e as modificações necessárias», indicou.

Luís Fernandes, Rita Verdelho,J osé Costa, Rui Oliveira e Maria Maciel

Há, no entanto, sinais positivos, nomeadamente na área das operações inteligentes, «muito por força da maior parte das empresas já possuir um ERP, um sistema centralizado de dados, e fazerem também a recolha de dados de processos produtivos», elucidou Luís Fernandes.

Entre as 21 empresas da indústria têxtil e vestuário que integraram o estudo, com um número médio de funcionários de 108 pessoas, uma taxa de exportação média de 74% e um volume de negócios médio de 9,8 milhões de euros em 2020, grande parte afirmou que está a desenvolver uma estratégia de indústria 4.0, com cerca de metade a indicar que a mesma está já formulada e em implementação. «Quer dizer que grande parte das empresas tem, de facto, iniciativas-piloto para a indústria 4.0, só que estas iniciativas não estão formalizadas numa estratégia. E muitas vezes essas iniciativas ocorrem por necessidades pontuais da empresa ou por algumas oportunidades de investimento», justificou o especialista da Quality Excellence.

Projetos multiplicam-se

Os projetos nesta área, de resto, têm vindo a multiplicar-se. O STVgoDigital, por exemplo, é completamente devotado à digitalização. Tendo com promotor líder a TMG, o projeto mobilizador, que sucede ao Texboost, reúne 23 entidades, 16 das quais empresas, e está estruturado em cinco subprojectos: I&D têxtil sustentável e circular 4.0; cadeia de abastecimento 4.0; ecossistema da moda 4.0; trabalhador 4.0; e inteligência artificial para a ITV 4.0. «É um projeto focado não na tecnologia em si, mas na aplicação dessa tecnologia», esclareceu João Oliveira, coordenador da agenda de transformação digital e indústria 4.0 do CITEVE. Entre os objetivos do projeto constam promover a transição para a indústria 4.0 de toda a cadeia de valor, potenciar a transformação digital da ITV através do estímulo à adoção de tecnologias inerentes à indústria 4.0, desenvolver produtos e processos altamente inovadores, com recurso a tecnologias emergentes e de ponta e facilitar o acesso pelas empresas envolvidas a novos mercados ou áreas de negócio, tanto a nível nacional como internacional.

Mais recentemente, foi apresentado como um dos projetos pré-qualificados no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), no domínio das Agendas Mobilizadoras, tendo passado para a segunda fase de avaliação, o [email protected] – Pacto de inovação para a digitalização do STV [sector têxtil e vestuário], um projeto promovido por um consórcio de 35 empresas e entidades oriundas dos sectores do têxtil e do vestuário, das tecnologias de informação e eletrónica e do sistema de Investigação & Inovação (I&I), que prevê um investimento aproximado de 58 milhões de euros.

O projeto é liderado pela Impetus, com coordenação técnica do CITEVE, e conta ainda com a A. Fiúza e Irmão, LMA – Leandro Manuel Araújo, Pedrosa & Rodrigues, Têxteis Penedo, P&R Têxteis, Tintex, Adalberto, Petratex, TMG, ERT, Borgstena, Têxteis JF Almeida, Riopele e Têxtil André Amaral, várias empresas da área das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica e entidades não empresariais como o CeNTI, o INESC-TEC e o CENIT – Centro de Inteligência Têxtil.

«O projeto vai criar um conjunto de soluções inovadoras, desenhadas para endereçar os desafios particulares da ITV no caminho para o paradigma da indústria 4.0, por via de atividades de I&I, do desenvolvimento de pilotos industriais demonstradores e do reforço das competências digitais da força laboral do sector, com resultados imediatos nas empresas participantes, mas comprometido em gerar impacto relevante na globalidade da ITV portuguesa, arrastando também o sector de produção de bens de equipamento e outros sistemas de produção. Será, assim, um contributo altamente relevante para que a digitalização do STV em Portugal ganhe velocidade e escala, contribuindo para a sua agilidade, resiliência e competitividade internacional», descreve o CITEVE.