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Dinheiros do Sirme salvam mais três empresas

Mais três empresas têxteis foram adquiridas no âmbito do Sistema de Incentivos à Revitalização e Modernização Empresarial (SIRME).

Criado para a dinamização de operações de fusão e aquisição de empresas no sentido de melhor responder ao processo de globalização, promovendo condições de competitividade em empresas com uma situação financeira fragilizada, o SIRME actua participando no capital da entidade adquirente.

Neste contexto, a têxtil Seporcento foi adquirida pela Coast, a Martinho, Fael & Moura foi adquirida pela Alvalã e a Sampaio, Ferreira & CIA. Foi adquirida por um quadro da empresa, associado a três parceiros externos. Relativamente à primeira aquisição, a recuperação da Seporcento, uma empresa de malhas de Vila Nova de Poiares, está em fase de conclusão, estando a Coast a investir no reajustamento da maquinaria, tendo envolvido um montante de 270 mil contos apoiado pelo SIRME.

Acrescente-se que está previsto um segundo aumento de capital de 40 mil contos, tendo o primeiro sido de 70 mil. Esta iniciativa vem complementar uma estratégia de aposta na produção própria, deixando de recorrer exclusivamente à subcontratação, que incluiu, em 1999, a compra da suíça Selhmann e da Esteves Têxteis, localizadas em Vila do Conde.

A aquisição das três empresas envolveu cerca de meio milhão de contos, participado pelo SIRME em cerca de 30%. Refira-se que todas as empresas trabalham em exclusivo para a casa-mãe que ainda subcontrata mais sete empresas. No exercício de 1999, a Coast apresentou um nível de facturação de 700 mil contos, com resultados liquidos de dois mil contos, prevendo facturar este ano pelo menos um milhão de contos.

A empresa vai aumentar o capital de 110 mil contos para 240 mil, no decorrer deste primeiro semestre, sendo 20% detido pelo SIRME, partilhando ainda a estrutura accionista mais dois sócios, juntando-se aos cinco actuais.

No que se refere ao segundo caso, a Alvalã- Empresa Industrial Têxtil foi constituída em Março, com um capital social de 50 mil contos, com o intuito de adquirir a Martinho, Fael & Moura, uma empresa de lanifícios da Guarda com 80 funcionários, envolvendo 300 mil contos.

Esta ultima será extinta e o seu equipamento e recursos humanos serão transferidos para a Alvalã, tendo como sócio maioritário um empresário algarvio , encontrando-se o restante capital detido por mais quatro accionistas, entre os quais ex-funcionários da Martinho, Fael & Moura. Refira-se que, a Alvalã responsabilizou-se pela gestão da empresa em Setembro do ano passado, promovendo uma nova orientação comercial, atendendo a que o valor acrescentado aos tecidos de lã e fios advém de novas técnicas de tecelagem e pela adopção e produtos «easy-care» e anti-bacteriológicos. Amândio Martinho, o administrador da Alvalã, prevê estar a facturar cerca de 400 mil contos dentro de dois anos, aumentando a fatia da produção vocacionada para a exportação de 50 para 60%, com destino a Espanha, Alemanha, Canadá e EUA.

Relativamente ao terceiro caso, a Sampaio Ferreira & CIA. vai ser adquirida por um quadro da empresa, envolvendo meio milhão de contos, sendo aguardada por parte do SIRME a devida aprovação. Logo após esta ultima Abílio Seixo, um dos administradores e futuro accionista, refere como prioridade o melhoramento do equipamento na tecelagem, tinturaria e acabamentos. A empresa de fiação e tecidos de poliester e viscose de Riba de Ave encontra-se presentemente a trabalhar com a capacidade instalada totalmente esgotada, envolvendo mais de 400 trabalhadores, orientando a maior parte da produção para Inglaterra, Finlândia, Holanda e França. Os pagamentos à Segurança Social, a fornecedores e aos trabalhadores estão em dia, sendo o passivo da empresa de 1,8 milhões de contos, tendo os prejuízos aumentado de 124 mil contos em 1998 para os 200 mil, mas apresentado um acréscimo do volume de negócios de meio milhão de contos.