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Diogo Miranda dá tiros certeiros

Num ano positivo para os negócios, que deverá mesmo ser o melhor dos últimos tempos, Diogo Miranda continua a levar o conceito da sua marca além-fronteiras, apoiado numa estratégia digital que tem dado frutos.

«Acho que é o melhor ano que temos tido nos últimos tempos. Em relação ao panorama geral, em que as coisas não estão assim tão positivas, no meu caso está a correr muito bem por várias razões», revela o designer ao Portugal Têxtil. A receita do sucesso, garante, junta «muito trabalho» e capacidade de sonhar ir mais além. «Quando se trabalha e se sonha com coisas, elas depois acontecem», afirma.

Atualmente, as criações de Diogo Miranda estão disponíveis no atelier da marca, em Felgueiras, assim como em várias lojas à volta do mundo e também à distância de um clique através da loja online lançada em 2013. O criador de moda, que marca presença em showrooms internacionais em Paris, Londres, Berlim e Nova Iorque, assegura que as redes sociais desempenharam um papel importante na internacionalização da marca. «Com as redes sociais não se tem barreiras, consegue-se, de certa forma, chegar a todo o mundo. Isso acaba por ser bastante vantajoso porque, há uns anos, se quiséssemos vender para um determinado país tínhamos que lá estar. Hoje acaba por ser muito fácil porque uma pessoa em Hong Kong pode ver um vestido e vai ao website ou manda e-mail para comprar. É muito interessante», explica Diogo Miranda, que destaca o Médio Oriente como o principal mercado.

O Douro como inspiração

Para a coleção primavera-verão 2020, apresentada no Portugal Fashion, Diogo Miranda inspirou-se no filme “I am love”, de Luca Guadagnino, que teve como cenário o rio Douro.

«A história do filme acaba por ser um bocadinho mais romântica, pela história de amor. Eu quis fazer uma coisa mais dramática. Nas coleções de verão tem-se mais essa abertura, mesmo a nível do feedback dos clientes e para não falar da oportunidade que foi fazer um desfile em frente ao rio Douro», confessa.

Das peças icónicas fazem parte uma gabardine de seda e os vestidos sublimados, em amarelo, laranja, azul e preto.

«Depois de acabadas, as peças levam um estampado por cima de uma cor sólida, que dá o aspeto de borrões. Acabam por ser peças bastante especiais», considera o designer, que garante que as suas criações vestem todo o tipo de mulheres, «desde a filha até à avó. Gosto de ter várias opções para cada tipo de mulher porque as mulheres são todas diferentes. Há mulheres que gostam de mostrar mais o corpo, formas mais curvilíneas, e há mulheres que gostam de vestidos com alguns volumes, portanto é tentar sempre diversificar».

Sem fazer muitos planos, o designer está empenhado em agarrar as oportunidades à medida que surgem e, também por isso, consegue antever bons resultados. «Acho que as coisas vão aparecendo e depois tem de se tomar decisões, ver os prós e os contras. Nunca dei um passo ou tomei uma decisão que não soubesse que ia ter resultado. Acho que hoje tem que se dar tiros certeiros», admite Diogo Miranda.