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Distribuição europeia mitigada

A Grã-Bretanha será o país mais exposto, com crédito mal parado, uma quebra nos preços do imobiliário e uma dívida elevada das famílias. Sectorialmente, serão os pequenos distribuidores, os distribuidores de produtos que não são de primeira necessidade ou os muito endividados que correrão mais perigo. «é evidente que será mais difícil fazer comércio de retalho em 2009 do que em 2008 e do meu ponto de vista isso será válido para toda a Europa», considera Richard Lloyd-Owen, da consultora Deloitte. A distribuição emprega cerca de 11 milhões de pessoas na União Europeia e realiza um volume de negócios na ordem dos 233 mil milhões de euros, de acordo com o Eurostat. A crise financeira, que pressiona os gastos do consumo, já afectou gravemente o sector. Karine Berger, economista chefe na seguradora de créditos Euler Hermes, avalia em cerca de 30 mil o número de retalhistas da Europa Ocidental que submeteram processos de bancarrota em 2008, com destaque particular para a britânica Woolworths (ver Woolworths fecha as portas). A baixa dos preços, as promoções e reduções foram algumas das palavras de ordem do comércio de retalho no final do ano, mas não foram suficientes para suavizar um ano de 2009 que se anuncia difícil, já que o consumidor deverá “limpar” as dívidas dos seus cartões de crédito e irá pensar duas vezes antes de gastar, inquieto quanto ao futuro do seu emprego. Um estudo junto de 2.700 pessoas realizado pela Boston Consulting mostra que cerca de 56% dos consumidores alemães, franceses, italianos, britânicos e espanhóis esperam reduzir, este ano, uma média de 12% em gastos não essenciais. Os distribuidores serão também confrontados com um outro problema, o dos stocks, porque as seguradoras de crédito irão retirar cobertura a muitos fornecedores. Quanto às empresas que estão já em dificuldade, a perspectiva de não conseguirem sair dessa situação está a aumentar, com os bancos a não serem capazes, ou a não quererem, emprestar mais dinheiro. Há também um aumento dos custos. Quando, por exemplo, o dólar valoriza, o preço dos produtos importados da China e de outros países asiáticos aumenta também. Por outro lado, muitos distribuidores europeus sofrem de sobrecapacidade e a contracção da inflação dos preços dos produtos alimentares não tem o melhor efeito para as cadeias de supermercado. A consultora especializada Verdict considera que a combinação de uma diminuição na procura e um aumento dos custos possa subtrair 3,6 mil milhões de libras (3,76 mil milhões de euros) aos resultados dos distribuidores britânicos em 2009. Berger, da Euler Hermes, acredita que as dívidas aumentarão menos em França, onde subiram em flecha no ano passado, e na Alemanha, onde a procura do consumo está a meio termo há alguns anos, do que na Grã-Bretanha. Na Europa de Leste, a situação será mais mitigada: a Polónia será relativamente protegida graças a um forte mercado interno, ao contrário da Hungria, exposta devido à sua abertura ao fluxo de investimentos estrangeiros.