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Distribuição tende à concentração

Segundo o estudo da Precepta (grupo Xerfi) intitulado "A distribuição do pronto-a-vestir feminino: inovação dos conceitos de insígnia e gestão estratégica dos modelos de negócio", a distribuição do pronto-a-vestir feminino vive uma reviravolta estratégica devido ao aparecimento de grandes grupos integrados que captam uma parte crescente das vendas. Estes grupos contribuem para a concentração de um mercado ainda muito atomizado (nenhum player detém mais de 5% de quota de mercado) que suscita o interesse dos fundos de investimento, em que o mais recente exemplo constitui a colocação à venda do grupo Vivarte pela PAI Partners. Num mercado em crescimento atónico, que vai oscilar à volta de 1% nos próximos anos, ter uma dimensão crítica vai ser cada vez mais determinante no mercado do pronto-a-vestir feminino. Esta permitirá aos players de dispor de uma força criativa quer em termos de inovação de produto quer de conceitos de loja, de aceder aos espaços-chave nos locais de venda predilectos, de auferir de melhores condições de compra, de desenvolver sinergias de grupo e de financiar a expansão internacional. Os players actuais têm hoje de enfrentar uma concorrência cada vez mais exacerbada tanto entre circuitos como entre insígnias. Deste modo, os principais nomes da distribuição de pronto-a-vestir feminino têm origem em diferentes universos: cadeias especializadas (Zara), grande superfície especializada de grande difusão (Kiabi), grandes armazéns (El Corte Inglès), venda à distância (La Redoute), hipermercados (Carrefour, Continente). O sector beneficiou de uma lufada de ar fresco graças a condições de aprovisionamento favoráveis: a deslocalização da produção para longínquas paragens provocou uma baixa dos preços de compra dos artigos, acentuada pela valorização do euro face ao dólar. Baixa esta que não é integralmente restituída ao consumidor (os preços do vestuário exterior para senhora, para o consumidor, desceram 0,2% em 2006, tendência esta que se deverá manter nos próximos anos). A análise financeira exclusiva realizada pela Percepta a partir de uma amostra superior a 1.000 empresas de comércio de retalho de pronto-a-vestir revela, assim, um crescimento espectacular das margens comerciais das empresas nos últimos 10 anos (+5 pontos entre 2000 e 2005, representando 48% do volume de negócios). Este crescimento demonstra que se podem realizar importantes economias de escala a vários níveis: não somente sobre as compras (as maiores empresas detêm as margens comerciais mais importantes), mas também sobre os encargos do pessoal (as insígnias que possuem megastores privilegiam o livre-serviço e recorrem a contratos de trabalho mais flexíveis) e da gestão de stocks (a rotação de produtos é mais rápida nas empresas mais importantes). O comércio organizado especialista do pronto-a-vestir (cadeias especializadas e grandes superfícies especializadas de grande difusão) será o vencedor no mercado do pronto-a-vestir feminino, devendo ultrapassar a fasquia dos 50% de quota de mercado em 2008. Este estrutura-se-á em cinco grupos de comportamento estratégico distinto: – As cadeias independentes, com uma marca-insígnia frequentemente única, desenvolvida dentro de um grupo familiar ou em paralelo (Etam), souberam adaptar o seu modelo de negócio à exigência de reactividade imposta pelos líderes da "fast fashion". Estas retiram a sua força de um tecido territorial denso, de uma forte notoriedade no seu mercado de origem e cada vez mais a nível internacional, que constitui actualmente um terreno de crescimento incontornável. – As grandes cadeias internacionais, especialistas do pronto-a-vestir, beneficiam de um grande peso internacional graças aos seus elevados volumes de venda (H&M, Mango, Benetton). O seu conceito exprime-se frequentemente sob a forma de grandes superfícies de venda. Algumas ousam o multiformato, que as conduzirá em caso de sucesso, no grupo do futuro das "criadoras de multi-insígnias", à semelhança da H&M que acaba de lançar uma nova cadeia de gama mais alta (CoS). – Os fundos de investimento, cujo know-how específico é sobretudo de gestão e financeiro, que se formam por crescimento externo, adquirindo sucessivamente conceitos que rentabilizam. As suas forças são: saber construir um portfólio de insígnias diversificado, dispor dos capitais necessários ao seu desenvolvimento, mobilizar as competências e libertar sinergias. – Os criadores de multi-insígnias serão a locomotiva da reestruturação do sector, tendo 2010 como horizonte. Capazes simultaneamente de desenvolver conceitos de novas insígnias, de assegurar a sua coerência marketing e de conceber um modelo de negócio homogéneo, eles optimizam toda a cadeia de valor e, nomeadamente, os meios imobiliários, logísticos, comerciais e humanos. O melhor exemplo é, inegavelmente, o grupo Inditex. – As cadeias "cogumelos" construídas à volta de um conceito inovador por um empreendedor terão sempre um lugar no mundo da moda onde a mudança é permanente. Completamente submissas às últimas tendências, estas insígnias desenvolver-se-ão, mas a análise do ciclo de vida dos conceitos mostra que mais cedo ou mais tarde tenderão a perder a sua independência e a integrar um grande grupo.