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Diversificação sustenta crescimento da Marjomotex

Com uma carteira de clientes com muita presença online e dispersa por 14 países, a Marjomotex conseguiu um crescimento superior a 30% no volume de negócios do ano passado. Para 2021, o objetivo da empresa de confeção é consolidar os resultados e manter a aposta na internacionalização e na certificação.

Mónica Afonso

Apesar das dificuldades que imperaram em 2020, que levaram a produtora de vestuário a parar temporariamente por falta de matérias-primas, o ano passado acabou por trazer boas notícias à Marjomotex, que viu o seu volume de negócios crescer mais de 30%, para cerca de 800 mil euros. «Tivemos um crescimento, talvez pela forma como tínhamos estruturado a nossa carteira de clientes, que estava dispersa por vários mercados, e também porque os nossos clientes tinham muita presença no online», justifica Mónica Afonso.

O crescimento, acredita a diretora-geral, seria maior em tempos normais, «porque a Marjomotex tem vindo a fazer um trabalho nesse sentido. Costumo dizer que se não tivesse sido o ano da pandemia, teríamos tido ali uma rampa de lançamento».

Embora tenha recorrido, tal como grande parte da indústria de vestuário, à produção de máscaras, que ainda perdura, para compensar a falta de dinamismo da indústria da moda, os clientes com vendas online permitiram impulsionar a atividade da empresa, que emprega 33 pessoas. «O nosso produto também é casual, que foi um tipo de artigo que começou a ter muita procura. A junção destas variáveis todas fez com que crescêssemos», adianta, ao Portugal Têxtil.

Com 90% da faturação nos mercados externos e vendas para 14 países, alguns mercados destacaram-se pela positiva, como a Alemanha e Reino Unido. Já outros «foram mesmo muito afetados. Os que sentimos mais foram Espanha e França», confessa Mónica Afonso.

O início do ano trouxe alguma instabilidade. «Em alguns clientes notámos um decréscimo, mas fizeram na mesma a encomenda. Como temos mais clientes em carteira, conseguimos compensar uns pelos outros. Os que estão só no online, é ao contrário – aumentaram a quantidade», revela a diretora-geral da Marjomotex.

Nova certificação a caminho

A utilização de matérias-primas orgânicas – a empresa recebeu, pelo quarto ano consecutivo, a certificação GOTS – e sustentáveis é uma das apostas da especialista em confeção para atrair novos clientes, assim como a introdução de peças diferentes na coleção que cria, de que são exemplos as overshirts e os vestidos, mantendo a linha casual que é típica da empresa.

«Agora já estamos a caminhar para outras certificações. Este ano devemos ter mais uma certificação, ainda estamos a ver, mas pode ser que seja a dos reciclados, porque agora o mercado tem mais abertura. Fizemos uma primeira tentativa, mas para a nossa área, as gangas, ainda não havia parceiros com força no mercado para se poder trabalhar como trabalhamos o GOTS. Vamos fazer uma segunda tentativa porque penso que, entretanto, já há mais parceiros», admite Mónica Afonso.

Sem feiras internacionais, a Marjomotex tem reforçado a comunicação digital, com publicações nas redes sociais e envio de newsletters. «Continuamos a trabalhar as bases de dados que já tínhamos das feiras e por outras vias», indica a diretora-geral. E é também daí que surgem novos contactos. «Ainda continuam a chegar contactos por termos estado nas feiras. Volta e meia chegam-nos clientes, via e-mail ou por telefone, por estarmos nesses catálogos», esclarece.

Com os movimentos ainda restringidos e mercados com altos e baixos, Mónica Afonso aponta 2021 como um ano de estabilização. «Queremos tentar consolidar a carteira de clientes que fizemos no último ano», conclui.