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Dizer “não” à crise

«Temos mais colecções de moda este ano do que no ano passado», começa por assegurar Fern Mallis, vice-presidente do grupo IMG Fashion, responsável pela produção da Semana de Moda de Nova Iorque desde 2001, acrescentando ainda que «foram os meios de comunicação social que desanimaram os consumidores, porque aproveitaram todos os momentos para afirmar – erradamente – que o evento teria menos adesão». Na realidade, os desfiles da Semana de Moda de Nova Iorque – que foi realizada pela última vez no Bryant Park – estiveram a todo o vapor e a crise financeira não se fez notar entre os presentes, tendo sido inteligentemente substituída pela criatividade. A começar pela apresentação de Marc Jacobs, que marcou pontos através de uma passerelle teatral, onde as modelos desfilaram blusas com colarinhos altos, bermudas e calças largas em tons de pastel bilhante. De igual forma, o estilista americano, mostrou também, através das suas peças, alguns pormenores a relembrar a roupa interior; assim como apostou nos brilhos, nas sedas e nos bordados. «Não estamos aqui única e exclusivamente para vender roupa, um dos meus objectivos é oferecer às pessoas peças originais que as façam sonhar», afirmou Marc Jacobs. O estilista cubano-americano Lázaro Hernández, em colaboração com Jack McCollough, exibiu uma colecção copiosa em plumas e brilhos para a sua marca Proenza Schouler. Os modelos chamaram a atenção do público, entre o qual estavam Leighton Meester e Courtney Love. Numa primeira fase do desfile foram apresentadas saias e vestidos com silhuetas marcadas, através de fechos e botões na parte de trás. Numa segunda fase reinaram na passerelle os vestidos curtos com penas e faixas brilhantes. Já Anna Sui levou o circo aos limites desta Semana de Moda, apostando numa colecção repleta de blusas com laços, calças em cores psicadélicas e peças com formas mutantes. Por seu lado, Michael Angel decidiu apresentar uma colecção de mini-vestidos de cintura marcada e sem mangas; aliás a grande tendência das últimas estações. O estilista apostou em cores vivas, como o vermelho e verde, misturados com tons escuros como o preto, castanho e o cinzento. Quanto à BCBG Max Azria, destacaram-se os vestidos curtos e extremamente justos com estampados de patchwork. Entre desfiles e tendências apresentadas na passerelle, a Semana de Moda de Nova Iorque provou que não é, de todo, um reflexo do que se passa fora das suas portas. «é óbvio que sabemos que existe crise na maioria das cidades do mundo. As lojas estão vazias, existem peças em promoção, mas todos estes factores claros de crise não se vêem nas passerelles. Só por isso, esta Semana de Moda já foi um sucesso», concluiu Suzy Menkes, crítica de moda do International Herald Tribune.