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Do fio ao vestuário

Mohammed Tazi, diretor-geral da associação marroquina das indústrias têxteis e do vestuário (AMITH na sigla original), afirma que o governo de Marrocos e a indústria nacional estão a cooperar na criação de ligações de apoio que sustentem o segmento de moda rápida que serve os mercados europeus próximos e um segmento de moda marroquina direcionado para os consumidores domésticos, tendo por base os pontos fortes do design e tradições marroquinas.

Os trabalhos e investimento preparatórios seriam feitos até 2020, data após a qual o governo e a indústria acelerariam a construção de uma cadeia têxtil e de vestuário de valor.

A AMITH «tem vindo a trabalhar desde 1996 para reunir diferentes áreas da indústria, afirmou Tazi, destacando que a associação beneficiou da congregação dos vários segmentos da indústria têxtil e vestuário sob uma organização.

Segundo Tazi, a moda rápida é atualmente muito importante: o sector dos têxteis e vestuário respondeu por 9% a 10% do produto interno bruto (PIB) de Marrocos em 2014. A AMITH e o governo do país querem que esta indústria cresça, passando a representar 13% do PIB nos próximos cinco anos, tendo já sido responsável por 20% do valor das exportações em 2013.

Oportunidades de crescimento
Os EUA são um mercado de potencial crescimento, sustenta Tazi. A produtora de vestuário Salsabile, que fabrica para marcas britânicas como Topshop e Marks & Spencer, procura agora potenciar as vendas em território americano.

«Durante o ano passado iniciamos dois grandes projetos: começamos a exportar para a American Eagle nos EUA e a nossa marca Yamanda», destinada primeiramente a mulheres marroquinas, revelou Redouane Lachgar, diretor comercial e de desenvolvimento da marca. Lachgar acredita que o sector tem fortes perspetivas de crescimento, se conseguir garantir investimento estrangeiro: «Se investidores turcos ou chineses se fixarem aqui, será possível.Com a China precisamos de estabelecer uma parceria para vendermos aos seus clientes na área da moda rápida».

Por sua vez, Tazi refere que o gigante do sourcing Li & Fung está atualmente a explorar a possibilidade de criação de uma base em Marrocos. Marrocos apresenta diversos atrativos para as empresas estrangeiras que optam por se fixar no país, garantindo isenção de taxas portuárias na importação de materiais, regulamentações que garantem o direito de propriedade de operações baseadas em Marrocos às empresas estrangeiras, acordos de livre-comércio com os EUA, União Europeia, Turquia e África, assim como uma rede de logística estabelecida, com portos que cumprem elevados requisitos de qualidade.

A proximidade geográfica à Europa e acesso direto ao Oceano Atlântico representam, também, mais-valias para a indústria. Atualmente, os pontos mais fracos da cadeia de valor de Marrocos são os fios e os tecidos. A fiação de algodão e de matérias-primas sintéticos, a tricotagem de malhas circulares e a tecelagem são áreas de crescimento prioritárias, indicou Tazi, adiantando que o desenvolvimento de fibras ecológicas, como o agave e o bambu, será também explorado.

A maioria dos tecidos utilizados na indústria têxtil e vestuário marroquina são, atualmente, importados da China e da Turquia, pelo que o acesso a tecidos de elevada qualidade representa um desafio para os produtores e marcas baseados em Marrocos.

Mercado interno fluorescente
Tazi mostra-se igualmente entusiasmado face às perspetivas de crescimento do mercado doméstico de alta-costura, inspirado na tradição marroquina do caftan, uma variante de túnica presente nas culturas do norte de África.

«O caftan é um estilo internacional», o que significa que, em paralelo ao mercado doméstico, as marcas e designers dedicados à fabricação de caftans podem-se expandir a outros mercados islâmicos, à medida que este segmento de moda se torna, progressivamente, um fenómeno mundial. O djellabah, um casaco comprido de tradição berbere, é também um design emergente, adotado pelas novas gerações em versões contemporâneas, com tecidos modernos e até em modelos mais curtos.

As jovens consumidoras marroquinas dividem-se entre as que optam por não cobrir a cabeça e aquelas que o fazem com hijabs personalizados, combinados com roupas ocidentais. O baboush, um modelo de sapato pontiagudo de tradição marroquina, cresce igualmente em popularidade.

Os consumidores marroquinos estão interessados em desenvolver um estilo dotado de uma forte identidade marroquina, contrastando com os países do sudeste asiático, onde os estilos tradicionais foram genericamente substituídos por modos de vestir ocidentalizados. O mercado de vestuário tradicional representa 50% do mercado doméstico marroquino, revela Tazi, e prevê-se que o seu valor anual cresça para 7 mil milhões de euros.