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Do Japão para o coração dos EUA

O denim japonês é, cada vez mais, reconhecido como um produto de excelência, reunindo seguidores fervorosos entre os fãs deste segmento, que já conquistou um nicho no mercado americano da moda.

«Em termos gerais, os consumidores, fora das áreas metropolitanas, não estão interessados neste produto», aponta Gordon Heffner, proprietário da Blue in Green, uma pequena loja no SoHo nova-iorquino.

Naquele dia, o sino que anuncia a entrada de clientes na loja tocou continuamente, acompanhando o movimento dos jovens e não tão jovens clientes masculinos que entravam à procura de jeans, a especialidade da loja.

«Para nós, o denim japonês é o ápice», acrescenta Heffner. Pequenas marcas japonesas concentram-se na escolha da lavagem, do toque e da forma, sacrificando a rapidez face à qualidade e, por vezes, também ao custo.

Passaram quase 10 anos desde que Gordon Heffner e o seu parceiro Yuji Fukushima abriram a Blue in Green, e, pelo menos, o mesmo período de tempo decorreu desde que o denim japonês emergiu como o expoente máximo entre os fanáticos do denim. «Alguns clientes têm um modelo de todos os produtos que se encontram disponíveis em loja», revela Heffner.

Excetuando o facto de serem confecionados no Japão, não existe uma característica que defina o denim japonês, embora o termo seja tradicionalmente associado ao selvage denim e denim bruto. Porém, o termo “japonês” tornou-se sinónimo de jeans confecionados por meios históricos. «Quando as pessoas se referem ao denim japonês, associam-no ao selvage, slubby», explica W. David Marx, autor de “Ametora,” um livro que relata a incorporação do estilo americano pela cultura americana. «Creio que as empresas japonesas ajudaram a criar o denim stretch, mas ninguém refere o denim stretch como sendo o auge do denim japonês».

Nas suas primeiras iterações na década de 1960, o denim japonês inspirava-se em estilos vintage da Levi’s. As primeiras empresas de denim japonesas, como a Big John, procuravam inspiração nos Estados Unidos. «A sua missão, desde o primeiro dia, era replicar o modelo antigo», refere Andrew Olah, que começou a trabalhar com empresas japonesas de tecido em 1979. «Era como uma empresa de automóveis que só queria fazer 1965 Mustangs», acrescenta.

Com a ascensão de nomes como Edwin e Evisu, as marcas japoneses desistiram da ostensiva homenagem à herança americana ou sua combinação com as tradições japonesas. As marcas mais recentes, como a Visvim, encerram o processo complexo que, ainda hoje, integra o denim de luxo japonês. «Produzimos o nosso denim em antigos teares vintage dos EUA e antigas máquinas de costura», revela Richard Weston, vice-presidente da Visvim. Alguns dos jeans da marca são tingidos num atelier localizado nas imediações de Tóquio, replicando um método utilizado na confeção de quimonos no século XVII. «Dizem que se o anil estiver feliz, podemos tingir, talvez, 15 pares de jeans», afirma. «Se for um dia mau, será muito menos».

Graças a métodos como este, o denim japonês é considerado um produto de luxo, vendido por centenas de dólares ou mais. E é provável que se mantenha um produto especial para os admiradores de denim. «É como um velho músico de jazz que tem 80 anos de idade», advoga Olah. «Ele é bom? Claro. Prefere-o aos outros? Sim. Ele representa o futuro? Não».