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Doidas por compras

Oito anos depois, as hilariantes cenas do filme “Confessions of a Shopaholic” retratam mais do que nunca a atualidade, segundo a mais recente pesquisa encomendada pela Greenpeace. O novo estudo sobre os hábitos de compra dos consumidores de moda europeus e asiáticos descobriu que estes deixaram de fazer compras porque precisam e que cerca de metade compra mais roupa do que usa. Mas a Greenpeace está já a promover a mudança dos hábitos.

A pesquisa sugere que os consumidores na Europa e na Ásia compram regularmente vestuário, calçado e acessórios e, embora isso seja especialmente notório na China e em Hong Kong, também está muito difundido na Europa, analisa o portal just-style.

Em particular, os consumidores mais jovens fazem compras, apesar de não precisarem, em busca de satisfação e encorajados pelas redes sociais e pela facilidade do comércio eletrónico.

Com base em inquéritos desenvolvidos com consumidores na China, Hong Kong, Taiwan, Itália e Alemanha, entre dezembro de 2016 e março de 2017, a pesquisa está incluída na campanha “Detox my Fashion Campaign” da Greenpeace, lançada em 2011 para lutar por uma indústria têxtil mais limpa.

Até agora, 79 marcas e fornecedores mundiais de têxteis comprometeram-se a eliminar a descarga de produtos químicos perigosos da sua cadeia de aprovisionamento até 2020.

Porém, a Greenpeace argumenta também que o fator que mais contribuiu para a pegada ambiental da indústria têxtil é o impacto dos atuais modelos de negócio de moda rápida e o crescente volume de vestuário produzido e consumido.

«O consumo excessivo está agora profundamente entranhado na nossa cultura quotidiana, tanto nas velhas economias europeias como em países emergentes como a China», pode ler-se no novo relatório “After the Binge, the Hangover: Insights into the Minds of Clothing Consumers”.

Consumidores compulsivos

Quase metade dos consumidores chineses compra mais do que pode pagar e cerca de 40% qualificam-se como consumidores compulsivos, fazendo compras mais do que uma vez por semana. As mulheres jovens e com alto rendimento são as mais vulneráveis. De acordo com os analistas, a democratização das compras online e das redes sociais torna as pessoas ainda mais suscetíveis ao consumo excessivo.

Estas pessoas não estão a fazer compras porque precisam de algo novo, segundo a pesquisa, a sua motivação é o entusiasmo, satisfação e confiança que com isso conseguem junto dos pares. Os consumidores procuram também, cada vez mais, libertar o stress, passar o tempo e atenuar o tédio.

A ressaca das compras

Ainda assim, fazer compras não os torna mais felizes. Cerca de 50% relatam que o entusiasmo das compras desaparece em menos de um dia e um terço dos asiáticos sente-se ainda mais vazio e insatisfeito depois de fazer compras. Cerca de metade dos consumidores esconde inclusivamente as compras, temendo acusações de desperdício de dinheiro ou outras reações negativas.

A pesquisa revelou ainda que o comportamento de compras é amplamente influenciado pelo ambiente social das pessoas e respetivo consumo de media. Plataformas como o Instagram, Pinterest, Facebook ou o WeChat na China estão a dirigir uma “mania das compras”, especialmente entre os jovens asiáticos conectados. Navegar em blogues de moda ou acompanhar amigos e celebridades aciona o ato de compra.

Depois das compras excessivas, os consumidores experimentam o cansaço e o tédio – a compulsão é seguida de uma espécie de ressaca.

Relacionamentos significativos

A Greenpeace espera que, no futuro próximo, as empresas de moda envolvam os clientes em relacionamentos significativos sem encorajar hábitos de compra insustentáveis que contribuam para danos ambientais, acreditando que a solução mais simples não é produzir, vender e comprar em quantidade. «Há uma necessidade urgente de uma mudança radical do sistema para diminuir a velocidade e reduzir as compras em volume», destaca. «As empresas precisam de implementar durabilidade nos seus modelos de negócios futuros», acrescenta.

As sugestões da Greenpeace para a mudança na indústria da moda incluem:

1 – Estratégias de design de produto alinhadas com a eficiência ambiental, privilegiando vestuário não-tóxico, reciclável, renovável, de alta qualidade e durável.

2 – As empresas precisam de alargar a sua oferta de serviços com a recuperação e arranjos de peças, a reciclagem e a partilha.