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Dólar prejudica exportações

As exportações de têxteis e vestuário dos EUA caíram 3,2% no ano passado, pressionadas pela força do dólar, bem como pelo aumento da capacidade de produção da China para produtos concorrentes aos exportados pelos americanos.

Dados do “Trade Shifts 2015 Index” da Comissão de Comércio dos EUA (USTC na sigla original), analisados pelo portal Just-style, mostram que as exportações totais de produtos têxteis e vestuário dos EUA baixaram 769 milhões de dólares (aproximadamente 736 milhões de euros) para os 23,2 mil milhões em 2015.

As exportações domésticas norte-americanas de produtos como tecidos, fios e fibras desceram 5,7%, ou 679 milhões de dólares, como consequência de uma queda de 26% nas exportações para a China. Para alguns produtos-chave, a oferta interna da China aumentou e provavelmente suplantou a procura por exportações dos EUA, observa o USTC. As exportações domésticas representaram 81,7% do total das exportações, as reexportações contribuíram com o restante (18,3%).

No vestuário, grande parte das exportações é reexportada (45%), uma vez que as empresas de vestuário usam cada vez mais as zonas francas dos EUA como centros de distribuição para o Canadá e México. Estes dois países continuaram a ser os maiores mercados dos EUA para têxteis e vestuário em 2015, representando 37%, ou 8,1 mil milhões de dólares das exportações domésticas dos EUA. Apesar de as exportações para ambos terem diminuído em 2015, a proporção das exportações dos EUA para esses países permaneceu estável, nos 43% do total mundial.

As importações de têxteis e vestuário dos EUA, por seu lado, aumentaram 4% em 2015 para os 126,6 mil milhões de dólares, com o vestuário a responder com 74,2%. Esta subida é explicada pelo crescimento do consumo de vestuário – as importações aprovisionam quase todo o mercado de vestuário doméstico dos EUA.

A China continua a ser o principal fornecedor de têxteis e vestuário dos EUA e, em 2015, esta troca ascendeu aos 48,9 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior.

«Fontes da indústria revelam que as empresas dos EUA continuam a confiar na China para as necessidades de vestuário, embora muitas marcas e retalhistas estejam a diversificar o aprovisionamento, alargando o número de países», explica a USTC. O Vietname é o segundo maior fornecedor de têxteis e vestuário para o mercado norte-americano, com a maioria das importações a compreender vestuário (96,3%). As importações subiram significativamente em 2015, crescendo 13,5% para os 11,1 mil milhões de dólares.

«O Vietname tem uma indústria de vestuário competitiva, orientada para a exportação», afirma a USTC. «As importações norte-americanas de vestuário do Vietname experimentaram vários anos de crescimento a dois dígitos, já que as marcas e retalhistas norte-americanas vêm construindo relacionamentos com fabricantes no Vietname em antecipação à Parceria Transpacífico (TPP)», acrescenta.

Entretanto, as importações do Bangladesh e da Índia continuaram a crescer em 2015, aumentando 11,9% para os 5,7 mil milhões e 7,7% para os 8 mil milhões de dólares, respetivamente.