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Domar a cadeia de valor

O desconhecimento sobre a cadeia de valor acarreta um preço elevado para as marcas e retalhistas de vestuário e calçado que ignoram a oportunidade resultante da quebra acentuada dos preços das matérias-primas, especialmente petróleo e algodão, descurando a possibilidade de poupança que este momento patenteia.

Perspetivas recentemente partilhadas por consultores da McKinsey and Company sugerem que, ao invés de se focarem no local de fabricação dos produtos e na deslocação da produção para países e regiões que apresentam custos mais baixos, as empresas devem prestar mais atenção à forma como estes são produzidos.

A consultora destaca a quebra dos preços de diversas matérias-primas utilizadas na produção de fios e borracha sintética aplicada no calçado, que diminuíram entre 30% a 50% no ano passado.

Numa peça de malha de preço médio, uma quebra de 30% do preço do algodão poderá conduzir a uma diminuição de 5% a 7% do custo da peça de vestuário, afirma a consultora, dependendo da complexidade da peça. No entanto, poucos compradores se mostraram capazes de arrecadar a poupança decorrente da baixa dos preços.

«Algumas empresas não têm um processo estruturado que lhes permite pedir uma redução de custos ao fornecedor quando os preços das matérias-primas caem; outras não sabem que redução de custos devem pedir. Aquelas que pedem, frequentemente recebem pequenas reduções de 12% desses fornecedores, enquanto outras não alcançam qualquer poupança», considera a McKinsey.

Em contrapartida, diversos fornecedores argumentam que os efeitos dos preços das matérias-primas sobre os seus custos de produção foram mais reduzidos do que o estimado, entretanto diluídos por outras entidades na cadeia de valor.

«Sem um conhecimento profundo da totalidade da cadeia de valor e sem a informação na ponta dos dedos, as empresas enfrentam dificuldades em contra-argumentar esses pontos», alertam Patricio Ibanez e Eli Townsend, da McKinsey.

Eles sugerem que as empresas têm de desenvolver uma perspetiva detalhada das cadeias de valor dos seus produtos e dos condicionalismos impostos às cadeias pelas flutuações de custos dos inputs.

Porém, adiantam, «este é um negócio complexo, que requere uma compreensão da química subjacente às matérias-primas essenciais, da estrutura das indústrias que produzem esses materiais e da evolução da oferta e da procura ao longo do tempo».

Através de uma abordagem mais estruturada e conhecedora em resposta às flutuações dos preços das matérias-primas, as empresas têm alcançado poupanças até 46% em diversas categorias, revela a McKinsey. A consultora cita um retalhista de vestuário de grande dimensão que conseguiu obter essa vantagem, construindo um «sistema de resposta rápida» baseado numa análise detalhada do efeito das variações dos preços dos materiais sobre as diferenças de custo de vários tipos de fio e tecidos.

As práticas aplicadas noutros sectores, como a indústria automóvel e eletrónica, podem também ser adaptadas ao sector do vestuário, através de abordagens diferenciadoras.