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Dress for Awareness desperta consciências

A marca sustentável e solidária, criada pelo português Francisco Araújo, nasceu em Londres com o propósito de passar mensagens através do vestuário. A primeira coleção tem alertas sobre o Covid-19, como “Wash Your Hands” e “(Don’t) Keep in Touch”, e está a ganhar adeptos em Portugal e no Reino Unido.

Francisco Carvalho Araujo

A crise do Covid-19, confessa Francisco Carvalho Araújo ao Portugal Têxtil, «foi o empurrão final» para avançar com a marca, cujo conceito tinha já sido pensado pelo português a residir em Londres. «Eu estava com tempo nas mãos: saí da Monzo [uma fintech], onde trabalhava, em janeiro e, depois de uma pausa para pôr as leituras em dia e viajar, decidi alocar o meu tempo a um projeto novo. A Dress for Awareness não foi o primeiro entre outros, mas acabei por me focar mais neste, uma vez que a crise do Covid-19 acelerou», explica.

A Dress for Awareness nasceu com o objetivo de usar a roupa que cada um veste como um «motor de transformação» e alertar para a importância de estarmos conscientes dos nossos comportamentos. A primeira coleção contempla quatro modelos de t-shirts, sweatshirts e sacos em linho, disponíveis em várias cores e com mensagens como “(Don’t) Keep in touch” (Não estejas em contacto), “Self-Isolate” (Autoisola-te) ou “Wash Your Hands” (Lava as mãos)

A conceção da marca e o branding foram realizados pelo próprio, que fez um curso de design gráfico, que «tinha vontade de fazer há já algum tempo». A produção é realizada no norte da Índia, desde a colheita do algodão à confeção, e na Ilha de Wight, no sul do Reino Unido, onde é efetuado o estampado do design e o envio.

«Fiz uma pesquisa muito extensa neste campo, porque o objetivo central da marca era fazer roupa de forma a que uma pessoa se sinta orgulhosa de a vestir – e encontrei o fornecedor certo para aquilo que queria. As roupas são feitas em algodão orgânico com certificação GOTS, feitas em fábricas que usam energia renovável (tanto na Índia como no Reino Unido), que pagam justamente ao longo da cadeia de manufatura, são estampadas apenas quando há encomendas (por isso não há desperdício ou stock) e todas as peças são desenhadas para serem recicladas quando estiverem gastas, para que as possamos pôr de volta a uso num ciclo renovável. Mesmo sem designs, estas t-shirts e camisolas já são um bom investimento e são uma decisão consciente», sublinha Francisco Carvalho Araújo.

Além destas preocupações, 100% dos lucros são doados a uma organização ou instituição ligada à coleção – neste caso, as doações destinam-se aos serviços nacionais de saúde do Reino Unido e de Portugal. «Não estamos aqui para fazer negócio, mas para criar impacto. É importante que as pessoas saibam que quando compram Dress for Awareness estão a comprar bem e que estejam orgulhosas daquilo que vestem», aponta.

Básicos e saúde mental na calha

As vendas são processadas online, através do website da marca, mas quando a possível normalidade voltar, a ideia é «trabalhar com organizações e pessoas de referência nas causas que vamos apoiar e aí vemos espaço para crescer para canais offline, como lojas pop-up ou estando presente em eventos relevantes», revela Francisco Carvalho Araújo.

Para já, e com menos de um mês no mercado, a procura é sobretudo de Portugal e do Reino Unido, «influenciado pelo facto de estes serem os países aos quais estou ligado e, por isso, a palavra espalhou-se de forma orgânica mais facilmente», reconhece o fundador da Dress for Awareness, que acrescenta que «vendemos também para os EUA, mas ainda não é significativo».

A longo prazo, Francisco Carvalho Araújo gostaria de ver a marca a tornar-se «uma referência no meio da moda sustentável», aumentando a consciência das pessoas não só quanto às mensagens inscritas mas também à forma como compram. «Queremos gerar debate e maior consciência para questões como: Quem faz as nossas roupas? Em que condições? Que recursos são usados no processo de fabrico? O que acontece quando a nossa roupa deixa de ser usada?», enumera.

As próximas coleções estão igualmente a ser pensadas. «Vamos lançar brevemente a coleção Back to Basics – uma linha sem qualquer design para quem quer roupa simples que dure ainda mais por não cansar», anuncia. Temas como a importância da saúde mental ou a crise dos refugiados estão igualmente em análise. «Aqui gostaria muito de colaborar com pessoas ou instituições de referência para cada temática para que possamos colaborar na distribuição da mensagem para o maior número de pessoas», justifica Francisco Carvalho Araújo, que tem igualmente a ambição de fazer parcerias com artistas e designers na ilustração das diferentes temáticas. «Eu fiz os designs da primeira coleção, mas a ideia é convidar artistas para as próximas, acho que vão fazer um muito melhor trabalho do que eu», conclui.