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Dune Bleue calça meia verde

A sustentabilidade é o tema do momento e, apesar de não ser novo, a Dune Bleue reforçou a sua participação nesta tendência. Ao amplo portefólio de peúgas para várias e variadas atividades, a empresa acrescenta uma novidade: a meia fabricada com plásticos recolhidos do mar.

Presente no mercado desde 2005, a Dune Bleue dedica-se à «criação, desenvolvimento e comercialização de peúgas», esclarece o CEO, Ricardo Faria. Reunindo um conjunto de 11 segmentos – onde se incluem atividades ao ar livre, caminhada, trabalho, medicinais, elegante, casual, desporto, caça, pesca, casa e ecológicas –, a nova coleção traz uma meia produzida com «todos os plásticos que são recuperados do mar, desde linhas de pesca a garrafas e detritos», revela ao Portugal Têxtil.

A coleção resulta de uma parceria com o projeto Seaqual, que procede à «recolha no mar de todos os detritos e os transformam em fio reciclado, que depois usamos para produzir peúgas», conta Ricardo Faria. «Toda a gente fala no assunto, mas ainda não tinham visto nem tocado numa meia e quando tocam ficam surpreendidos pela positiva com a qualidade», garante. O produto utiliza 70% de material reciclado, no qual 35% é o fio totalmente rastreável Seaqual e 36% é constituído pela fibra de poliamida Q-NOVA, obtida através da regeneração de matérias-primas, também com elevada rastreabilidade.

Esta é mais uma das práticas da Dune Bleue para se tornar progressivamente mais sustentável. O CEO afirma que este é um tema que tem acompanhado as coleções anteriores, que já integravam algodão e lã reciclados na composição das peúgas. Dirigida a uma «classe média-alta, que é aquela que nos traz mais valor acrescentado», prossegue Ricardo Faria, a empresa não tem produção dentro de portas, recorrendo à subcontratação para fabricar os artigos. «Todas as meias de novidade são feitas em Portugal» mas, à medida que alguns tipos mais tradicionais foram desaparecendo, «fomos obrigados, por exemplo, a recorrer à Turquia ou à China», confessa. Ainda assim, a Dune Bleue, que emprega apenas 9 pessoas, procura valorizar a mão-de-obra portuguesa, produzindo mais de 70% do seu volume em território nacional.

Internacionalizar está no ADN

Em 2018, a empresa deu por terminado o projeto de três anos “Dune Bleue Worldwide 15’”, cujo objetivo era reforçar a capacitação para «uma trajetória sustentável e sofisticada de internacionalização, criando condições para que os seus produtos chegassem a um maior número de mercados geográficos e a uma maior base de clientes», refere no seu website.

Deste modo, a Dune Bleue conseguiu tornar a exportação uma realidade «para a Suécia, Polónia, Emirados Árabes Unidos, Suíça e Qatar, o que se refletiu num aumento da faturação e do emprego gerados» pela empresa. Hoje, a sua taxa de exportação atinge os 98%, cobrindo toda a Europa, o que culminou com a criação de uma rede de lojas que permite entregar o produto em menos de 72 horas nesta região. «À medida que [os nossos clientes] vão vendendo, vão pedindo» novas encomendas, explica o CEO, adiantando ainda que «de há 2 anos para cá, estamos a apostar no mercado norte-americano e também na África do Sul».

Ricardo Faria sustenta que «está no nosso ADN» investir na internacionalização. Depois de acumular um volume de negócio de 1,7 milhões de euros no último exercício, Ricardo Faria acredita que «a grande dificuldade de Portugal, no meu ponto de vista, é não termos a capacidade de colocarmos as nossas marcas no mercado internacional. Temos excelentes empresas a fornecer grandes marcas, mas marcas portuguesas no mercado internacional, marcas de loja, vendem-se poucas». «O risco é enorme, mas acho que é um passo que a indústria devia fazer», sublinha.

No entanto, face a um contexto macroeconómico instável, em que a incerteza relativamente ao Brexit, a guerra comercial China-EUA e a imprevisibilidade das tendências políticas europeias estão a «mexer com a economia mundial», «há todo um trabalho de marketing que tem de ser muito forte, e acho que aí é que precisamos um bocado de ajuda. Portugal tem tudo para conseguir», porque «temos a confiança dos clientes», enfatiza.

Para o próximo ano, o CEO da Dune Bleue mostra-se «expectante», ou seja, «não vamos procurar mais mercados novos, não vamos fazer mais investimentos, porque não sabemos o que aí vem. Porque, se houver recessão, vai ser um pouco duradoura, do meu ponto de vista». Assim, o objetivo para 2020 é manter a faturação deste ano, se as expectativas macroeconómicas forem negativas. «Se conseguíssemos aguentar a faturação assim, seria muito bom», considera.