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E-commerce português cresce com o Dott

A rapidez e facilidade de adesão, graças a um modelo chave na mão, tem ajudado o markeplace Dott a crescer, passando, em apenas um ano, de 400 para 1.000 lojas e mais de 2,5 milhões de produtos disponíveis. Um modelo que tem ainda ajudado empresas como a Cellar45 a enveredarem pelas vendas online.

Jorge Portugal, Gaspar D'Orey e Rui Amorim

Atualmente com 1.000 lojas disponíveis e 2,5 milhões de produtos, o marketplace Dott recebeu, no primeiro ano de atividade, seis milhões de visitas. «O Dott tem o objetivo de ser o maior shopping online do país», sublinhou o CEO do Dott, Gaspar D’Orey, no webinar “E-commerce: Como entrar em marketplaces”, promovido pela Cotec e moderado por Jorge Portugal, diretor-geral da associação empresarial portuguesa para a promoção da inovação e cooperação tecnológica. Em comparação, «o maior shopping do país tem cerca de 360 lojas», indicou.

A crise provocada pelo coronavírus fez com que a plataforma aumentasse, fruto também das parcerias estabelecidas com centros comerciais como o NorteShopping e a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. «O que fizemos foi, acima de tudo, dar-lhes mais um canal», justificou. «No dia do primeiro caso de Covid, a primeira coisa que nos passou pela cabeça foi “Portugal vai fechar”, as empresas vão fechar e depois é um efeito bola de neve, ou seja, se as empresas fecham não pagam salários às pessoas, as pessoas deixam de ter dinheiro no bolso, deixam de consumir, passam a não comprar coisas nas empresas, as empresas fecham ainda mais», afirmou Gaspar D’Orey.

Do lado dos compradores, as vantagens são as já diversas vezes referidas. «Tentamos trazer, para as empresas, um serviço muito chave na mão, ou seja, tudo o que é pagamentos, faturação, envios, custos de envio, logística, está tudo a cargo do Dott e o vendedor a única coisa que precisa de fazer é disponibilizar os seus produtos», resumiu o CEO, salientando que a proposta de valor é ainda maior porque «não tem qualquer custo de adesão e de manutenção, apenas paga se vender o produto». A adesão, garante, demora apenas 20 minutos, que compreende o preenchimento de um formulário de registo sobre a empresa, um contrato de adesão e a submissão de um catálogo de produtos, «que não é mais do que um ficheiro Excel com as informações sobre os produtos que vende».

Do lado dos consumidores, o facto de ser português tem alimentado a procura. «O cliente vem muito ao Dott por saber que é português e a nossa missão é sermos dos portugueses para os portugueses, portanto vamos dar sempre destaque aos produtos que os clientes querem comprar. Isto não quer dizer que seja só o produto português mas, acima de tudo, o tipo de produto que o português quer comprar», esclareceu.

Do Dott para loja própria

Uma das empresas que aderiu ao Dott foi a Cellar45, uma garrafeira online fundada por Rui Amorim. «A estratégia de começar na Dott foi sobretudo por ser um método de chave na mão. Com relativamente pouco investimento ou, no limite, sem investimento, uma empresa consegue ter presença online e nisso eles são fantásticos – gerem absolutamente tudo, a base de dados somos nós que damos o input, mas eles já têm o mapa todo feito e depois promovem cada loja. A nível de investimento, o Dott tem essa vantagem muito grande, para além da notoriedade e do marketing que fazem», apontou Rui Amorim.

Ainda assim, a Cellar45 decidiu também, além da presença no marketplace, ter a loja própria, aberta em março. «O coronavírus apressou o nosso processo de montar uma loja online», confessou o fundador da garrafeira. «Reparámos que embora a internet seja global, a parte psicológica das fronteiras estarem fechadas fez com que as pessoas fossem comprar mais local», assegurou.

Uma estratégia de resto defendida pelo próprio CEO do Dott. «Todos os vendedores e todas as empresas devem ter tanto o seu próprio canal como um canal de marketplace. Para nós é o paralelo entre ter uma loja de rua e uma loja de shopping, ou seja, a loja de rua vai ser muito mais focada naqueles clientes fiéis que vão lá de propósito e que gostam de passar tempo connosco e a loja de shopping vai ser o sítio onde vou adquirir novos clientes, ou seja, um cliente que até vai visitar um concorrente meu, por exemplo, aproveita, vê a minha montra, fica curioso, entra e a partir daí converte-se num cliente», comparou.

A loja online própria, que tem já 500 referências, deverá igualmente permitir à Cellar45 focar-se na internacionalização. «Obviamente faz parte da estratégia a médio longo prazo expandir para os outros países europeus, incidindo muito sobre a União Europeia», anunciou Rui Amorim. Esse percurso começou, para já, pela vizinha Espanha, «um mercado que é quatro vezes o nosso tamanho, mais aberto em relação a tipo de vinhos – eles próprios têm mais variedade que nós – e também tem uma comunidade estrangeira muito grande», enumerou. Neste momento, 30% das vendas da Cellar45 são já feitas para o estrangeiro.

Uma estratégia omnicanal

Além dos retalhistas, como a Cellar45, o CEO da Dott destacou que o marketplace pode ser uma mais-valia para produtores, na venda direta aos consumidores, que lhes permitirá não só reduzir os intermediários, como também conhecer melhor o seu público. «O grau de informação que se tem é muito maior e isso permite-nos tomar decisões de produto muito mais rápidas e de forma muito melhor, mais ágil e tendo em conta o cliente final», garantiu.

As marcas reputadas têm igualmente apostado na presença em múltiplos canais, com diferentes iniciativas. «A Burberry, por exemplo, está na Amazon a nível global, com a oferta base e depois tem uma oferta exclusiva no seu próprio website», exemplificou.

Acima de tudo, elucidou Gaspar D’Orey, «o Dott enquadra-se a ajudar as empresas a poderem ter mais um canal. Na verdade, está a investir em marketing no Google, no Facebook e no Instagram por elas e, acima de tudo, traz tráfego para as lojas delas».

No futuro, o horizonte passa também pela internacionalização. «Temos já alguns vendedores internacionais para suprir a oferta que os vendedores portugueses não têm, mas está nos nossos planos e na nossa visão internacionalizar», avançou o CEO da Dott.