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E depois de 2008?

No final de 2008, as quotas de salvaguarda americanas em algumas categorias de têxteis e vestuÁrio chineses chegam ao fim. E é quase uma certeza que a indústria têxtil dos EUA vai procurar novas restrições para prevenir o que chama de inundação devastadora» de produtos têxteis e de vestuÁrio subsidiados, provenientes da China, em 2009. Embora a forma destas restrições permaneça, nesta altura, pouco clara, o National Council of Textile Organizations (NCTO) dÁ algumas pistas no seu anuÁrio Year-End Economic and Trade Review for the Textile Industry». Para o NCTO, a ameaça da China à indústria têxtil e de vestuÁrio continua a aumentar, e, à medida que olhamos para a estrada em 2008, as ameaças e os desafios são ainda maiores». Com a expiração das salvaguardas no final de 2008, o grupo de comércio afirma que jÁ começou a trabalhar numa estratégia para assegurar que as restrições permaneçam até o governo chinês cumprir os seus compromissos com a Organização Mundial de Comércio e parar de subsidiar o sector têxtil e de vestuÁrio. Graças aos esforços dos nossos líderes da indústria assim como dos membros dos estados-têxteis em Capitol Hill, estamos a começar a ter um novo enfoque nas iniciativas de apoio ao têxtil jÁ em 2008». O grupo argumenta ainda que estes esforços têm de continuar para que os acordos de comércio livre com o Peru e a Colômbia tenham algum significado para a indústria». E avisa que, se a indústria não estiver confiante de que o apoio vai manter-se como uma prioridade no Departamento de Segurança Interna, então o acordo de comércio livre com a Colômbia, que estÁ ainda pendente, pode estar em perigo». A NCTO também reivindica que a ameaça da China tem impactos nos trabalhadores da indústria têxtil e de vestuÁrio em todo o mundo». Enquanto que as exportações de têxteis e vestuÁrio chineses aumentaram 4,5 mil milhões de dólares no ano passado, as exportações do resto do mundo caíram em 2 mil milhões de dólares, afirma. E a eliminação de quotas no final de 2008 significa que a perspectiva de importações sem restrições de têxteis e vestuÁrio da China pode ameaçar 40 mil milhões de dólares em comércio de produtos que estão actualmente sob quotas. Todos os grandes exportadores de produtos têxteis e de vestuÁrio estão ameaçados, do Lesoto ao El Salvador, do Paquistão ao México». 2007 foi também o ano do lençamento de vÁrias novas ferramentas, para além das soluções de comércio existentes, que podem ser usadas para lidar com a China. Estas incluem uma decisão do Departamento de Comércio do governo americano para dar a volta a um precedente de 20 anos e permitir às empresas apresentar processos contra o gigante asiÁtico. O NTCO calcula que hÁ, pelo menos, 63 subsídios disponibilizados pelo governo chinês para a ITV chinesa – que podem agora potencialmente ser atacados depois da mudança desta política. Além disso, a imposição de monitorização de dumping no Vietname abre um outro precedente que, possivelmente, poderÁ ser estendido à China. Os membros do Congresso estão também a pedir a aprovação de uma lei eficaz para a China, que pode estabelecer tarifas punitivas nas importações chinesas se o país não revalorizar a sua moeda. Quanto ao relacionamento comercial entre os EUA e a China, o défice comercial com a China era de 256,2 mil milhões de dólares em 2007, mais 10% do que em 2006. No que respeita aos têxteis e vestuÁrio, o défice comercial americano com a China cresceu cerca de 20%, dos 26,6 mil milhões de dólares para quase 31,8 mil milhões de dólares em 2007 – apesar da China estar sob quotas em diversos produtos. E nos produtos em que a China não tem quota, este país asiÁtico jÁ tomou conta de cerca de 60% do mercado americano», explica o NCTO.