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É tempo de mudar para Susana Bettencourt

Dividida entre impulsos e racionalidade, a designer de raízes açorianas está a mudar a estratégia da marca ao apostar mais nas coleções para a estação fria. Arriscar com edições limitadas é o resultado da reorganização que já conta com «resposta positiva».

Susana Bettencourt

O trabalho de Susana Bettencourt abrange muito mais do que produzir, vender e explorar técnicas. A mensagem que as criações transmitem ao público é um fator muito importante para a designer que, já em várias coleções, tem vindo a expor um alerta para os tempos de mudança da atualidade.

«Gosto de pensar que tenho uma linha condutora que acaba por ser a minha vida e aquilo que transponho para as coleções, é aquilo que sinto que as outras pessoas estão a ser alvo. Acho que está na hora de mudar, já está tarde na verdade, para todos começarmos a aceitar melhor os outros sem julgar, simplesmente com ouvidos. Ouvirmo-nos uns aos outros», explica ao Portugal Têxtil.

Na sequência do trabalho com as malhas, a criadora revela ter mais expressão nas coleções de inverno. Em março, Susana Bettencourt fez uma apresentação com apenas 12 coordenados que lhe permitiu manter em segredo a coleção “Time to Change” apresentada na última edição do Portugal Fashion, onde mostrou 40 coordenados. «Em março fiz uma exibição a explorar as minhas técnicas e da equipa ao máximo. Não foi propriamente um desfile. Estive a guardar esta coleção em segredo até agora, só a falar com as lojas e com os parceiros.

A coleção do desfile [do Portugal Fashion] já tem grande parte dela disponível nas lojas», revela Susana Bettencourt. Nos artigos desta coleção podem ver-se jacquards, rendas de bilros, malas de borracha e mochilas feitas em corda. «É nesta altura, quando o inverno chega, que preciso que haja o boom e o falatório à volta das peças. A de verão não tem muita expressão comercial. Aceitando isso, porque é que não uso a edição de março para poder fazer as minhas loucuras, para poder fazer aquilo que eu e a minha equipa precisamos?», questiona-se.

Arriscar e reorganizar

Para a estratégia da criadora de moda também foi tempo de mudar. O novo modelo de negócio surgiu de um plano traçado há dois anos que criou maior proximidade com os consumidores. «Quando se muda de uma estratégia como fiz, de parar, de não fazer coleção comercial, agora faço o desfile e já estou a dizer que está à venda e que podem ir buscar. Toda esta troca exigiu um planeamento financeiro da minha parte. Mas, na verdade, a resposta tem sido muito positiva. Grande parte da coleção foi vendida e o desfile ainda não tinha decorrido», afirma Susana Bettencourt.

A reorganização da marca assenta numa linha realista de aceitação. «Acho que as pessoas se sentiram especiais quando disse “fiz amostras, fiz produção, foi feita uma edição limitada e não vou fazer mais”. Temos que aceitar o que somos. Neste caso quis aceitar os números que faço. As pessoas que não conseguirem comprar na primeira vez ainda vão desejar mais na próxima», assegura.

Além das parcerias a nível de indústria com a Fifitex e Manuel de Magalhães, a designer disponibiliza as peças em diversas plataformas parceiras como a Concreto e a Rialbanni.

A atriz Ana Guiomar embarcou na «loucura» de Susana Bettencourt de criar uma coleção cápsula em que 25 euros do preço total de cada artigo fosse revertido para uma instituição. Os modelos estão à venda na loja parceira Scar-id, assim como na loja online da marca, na qual a designer confessou querer «ganhar mais espaço».

A marca, cujo os best-sellers são os quimonos e as camisolas, não quer só conquistar o mercado digital. A América é uma das metas geográficas, uma vez que a designer considera que a tipologia do produto se adequa a este mercado. «É um tipo de pessoas de dia a dia, que gosta deste tipo de roupas relaxadas. Na verdade, temos uma agente em Los Angeles, neste momento, a trabalhar connosco. Já tivemos influencers. Agora vai demorar a termos resposta e percebermos o que vai sair daí. Penso que vai funcionar», admite Susana Bettencourt.

Embora o plano não esteja completo, a designer tenciona continuar a marcar presença na feira White em Milão, que se tem mostrado «muito positiva internacionalmente».